Num pregão de outubro de 2023, o Itaú BBA redesenhou o mapa dos grandes bancos brasileiros: elevou Bradesco e Santander para neutro, mas manteve o Banco do Brasil como a escolha preferida. A decisão nasce de uma leitura paciente do ciclo, em que a inadimplência do varejo tende a aliviar e os lucros, depois de um período de névoa, podem voltar a ganhar fôlego. Trata-se menos de um grito de alarme do que de um sinal de que o setor começa a sair de um vale.
Itaú BBA eleva Bradesco e Santander para neutro e mantém Banco do Brasil como preferida
Saindo de um buraco profundo em direção à luz
Então o que mudou de fato para Bradesco e Santander?
A recomendação do Itaú BBA subiu de underperform para market perform, o equivalente a neutro. O banco diz que os dois estão saindo de um buraco profundo em direção à luz.
E o mercado reagiu na hora?
Sim. Bradesco subia 2,02%, a R$ 14,67, e Santander 2,53%, a R$ 26,72. O Banco do Brasil também avançava, 1,45%, a R$ 47,48.
Vale lembrar que isso é a visão de um único banco de investimento. A alta no dia coincide com o relatório, mas a reportagem não mostra que um causou o outro.
Por que o Banco do Brasil segue como preferido?
O BBA vê menos desafios de execução para entregar ROE de cerca de 20%, com lucros 10% maiores e P/L de 3,5 vezes.
Esses números são projeções do BBA, não resultados já apurados. E neutro não é compra: o relatório não recomenda comprar Bradesco nem Santander.
Há algum risco apontado?
O custo de risco é maior no segmento corporativo do que no varejo, e o setor tem tendências de lucros dispersas.
O próprio banco diz que pode ser cedo. A melhora em 2024 é uma expectativa, não um fato confirmado.
Le Pouls
- As ações de Bradesco e Santander abriram o dia em alta após a revisão de recomendação do Itaú BBA, que tirou os dois bancos do campo de desempenho abaixo do mercado.
- O Banco do Brasil segue como preferido, com ROE estimado em cerca de 20% e lucros projetados 10% maiores, sustentando a aposta de qualidade e valor.
- O custo de risco no segmento corporativo ainda pesa mais do que no varejo, e discussões regulatórias pendentes mantêm o setor em compasso de espera.
- O banco vê o momento como possivelmente cedo, mas espera que até o próximo ano os lucros voltem a puxar as cotações, com o Banco do Brasil em posição mais favorável.
Num pregão de outubro de 2023, o Itaú BBA redesenhou o mapa dos grandes bancos brasileiros: elevou Bradesco e Santander para neutro, mas manteve o Banco do Brasil como a escolha preferida. A decisão nasce de uma leitura paciente do ciclo, em que a inadimplência do varejo tende a aliviar e os lucros, depois de um período de névoa, podem voltar a ganhar fôlego. Trata-se menos de um grito de alarme do que de um sinal de que o setor começa a sair de um vale.
Na manhã de quinta-feira, 5 de outubro de 2023, as ações de Bradesco e Santander Brasil abriram em alta, impulsionadas por um relatório do Itaú BBA. O banco de investimento elevou os dois bancos de abaixo da média do mercado para neutro, sinalizando que, na sua avaliação, eles começam a deixar um período difícil para trás. Naquele pregão, as preferenciais do Bradesco subiam cerca de 2%, e as units do Santander avançavam mais de 2,5%.
O nome preferido do setor, contudo, segue sendo o Banco do Brasil, mantido como compra. Para o BBA, o banco oferece exposição de qualidade a um ciclo de inadimplência mais favorável no varejo, com ROE de cerca de 20%, lucros 10% maiores e preço sobre lucro de 3,5 vezes. O Nubank também recebeu classificação de compra.
O relatório descreve um setor de lucros irregulares, mas com perspectiva positiva de retomada, e lembra que juros mais baixos podem acelerar o crédito e as margens. Ainda assim, o custo de risco é maior no corporativo do que no varejo, e temas regulatórios seguem em aberto. Entre os bancos menores, o Banco Pan aparece como a melhor opção para quem busca recuperação.
O próprio BBA admite que pode ser cedo, mas vê uma janela para investidores de médio prazo ampliarem posições. A expectativa é que, até o próximo ano, o cenário se estabilize e os resultados de 2024 sejam melhores para todo o grupo coberto.
Na manhã de quinta-feira, 5 de outubro de 2023, as ações de Bradesco e Santander Brasil abriram o pregão em alta, e o motivo estava num relatório publicado naquele mesmo dia pelo Itaú BBA. O banco de investimento elevou a recomendação dos dois bancões de underperform, ou desempenho abaixo da média do mercado, para market perform, que equivale a neutro e significa desempenho em linha com o índice de referência.
Na avaliação do BBA, Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) estão saindo de um buraco profundo em direção à luz. Durante a sessão, as ações preferenciais do Bradesco subiam 2,02%, cotadas a R$ 14,67. As units do Santander avançavam 2,53%, a R$ 26,72.
O nome preferido do setor, porém, continua sendo o Banco do Brasil (BBAS3), mantido como outperform, o equivalente a compra. Suas ações também subiam, 1,45%, a R$ 47,48. A mesma classificação vale para o Nubank, cujas ações são negociadas em Nova York (NU). O BBA o descreve como uma exposição direta e de qualidade a um ciclo de inadimplência mais favorável no varejo e a um bom momento nos lucros.
Sobre o Banco do Brasil, o relatório afirma que a instituição enfrenta menos desafios de execução para entregar retorno sobre patrimônio (ROE) de cerca de 20%. A expectativa é de lucros 10% maiores e de uma assimetria positiva nos múltiplos, com preço sobre lucro (P/L) de 3,5 vezes. Para o BBA, é a escolha de qualidade e valor.
O relatório define o setor bancário como marcado por tendências de lucros dispersas, mas ainda com perspectiva positiva de retomada dos negócios e com discussões regulatórias relevantes pela frente. Segundo a análise, os valuations pouco esticados em todo o setor refletem esse ambiente.
O BBA considera que juros mais baixos podem acelerar o crescimento das carteiras de crédito e das margens financeiras líquidas. Ressalta, porém, que o custo de risco hoje é maior no segmento corporativo do que no varejo.
Entre os bancos de pequena capitalização, voltados à recuperação de negócios e com potencial para eventos corporativos, a melhor escolha do BBA é o Banco Pan (BPAN4).
O banco admite que pode ser cedo, mas vê uma oportunidade para investidores de médio prazo aumentarem posições. A expectativa é que, até o próximo ano, as peças tenham se estabilizado e que o crescimento dos lucros volte a impulsionar as cotações. Todos os bancos cobertos pelo BBA devem apresentar resultados melhores em 2024, com ventos mais favoráveis para alguns, como o Banco do Brasil.
Citations marquantes
Pode ser cedo, mas certamente parece ser uma oportunidade para investidores de médio prazo adicionarem posições.— Análise do Itaú BBA