Israel quer testar spray anti-Covid no Brasil pela diversidade genética, diz Eduardo Bolsonaro

A droga foi testada em 30 pacientes graves internados com Covid-19, dos quais 29 se recuperaram em 3 a 5 dias.
população miscigenada oferecia base mais ampla para validar a droga
Explicação de por que Israel buscava conduzir testes avançados do medicamento especificamente no Brasil.
Mark

Por que exatamente Israel acredita que o Brasil é o lugar certo para testar essa droga?

Mimi

Porque a população brasileira tem uma diversidade genética muito maior do que a maioria dos países. Se um medicamento funciona em pessoas com origens genéticas diferentes, há mais confiança de que funciona de verdade.

Mark

Mas 29 de 30 pacientes se recuperaram em dias. Isso não é prova suficiente?

Mimi

Tecnicamente, não. Foram 30 pessoas em um hospital. Para um medicamento ser aprovado, você precisa de milhares de dados, de diferentes grupos, em diferentes contextos. Fase 3 é onde você descobre se aquilo que funcionou em 30 pessoas funciona em milhões.

Mark

E por que o Brasil estava tão interessado em fazer isso?

Mimi

O país estava desesperado. A vacinação estava lenta, as mortes continuavam, e aqui vinha Israel dizendo que tinha algo que recuperava pessoas graves em dias. Era uma esperança.

Mark

Netanyahu chamou de milagroso. Isso não preocupa você?

Mimi

Preocupa. Quando políticos falam assim antes de dados científicos publicados, geralmente significa que estão vendendo esperança mais do que evidência. A ciência precisa de tempo.

Mark

Qual era o plano se a Anvisa aprovasse o uso emergencial?

Mimi

Começar a dar o spray a pacientes graves no Brasil enquanto os testes continuavam. É arriscado, mas em emergência, às vezes você toma riscos calculados.

Mark

E funcionou?

Mimi

Essa é a pergunta que a história não responde. A delegação foi, negociou, mas o que aconteceu depois fica em aberto.

  • Com 29 de 30 pacientes graves recuperados em três a cinco dias, o EXO-CD24 gerou entusiasmo imediato — mas ainda sem publicação científica revisada por pares.
  • O governo brasileiro, pressionado pela escassez de vacinas e pela crise sanitária, buscava urgentemente alternativas terapêuticas para justificar sua gestão da pandemia.
  • A delegação propôs ao Hospital Ichilov sediar as fases 2 e 3 dos testes no Brasil, argumentando que a miscigenação genética da população ampliaria a validade dos resultados.
  • Bolsonaro já sinalizava que pediria à Anvisa autorização para uso emergencial do medicamento, mesmo antes de qualquer resultado científico formal.
  • O contraste era visível: enquanto Israel vacinava em massa e multava quem não usasse máscara, a delegação brasileira chegava de um país onde o presidente havia promovido aglomerações durante toda a pandemia.

Em março de 2021, uma delegação brasileira viajou a Jerusalém para negociar o acesso ao EXO-CD24, um spray nasal desenvolvido pelo Hospital Ichilov de Tel Aviv que, segundo seus criadores, recuperou 29 de 30 pacientes graves de Covid-19 em poucos dias. Liderada pelo ministro Ernesto Araújo e pelo deputado Eduardo Bolsonaro, a missão buscava trazer os testes clínicos avançados ao Brasil, apostando na diversidade genética da população brasileira como argumento científico e diplomático. O encontro revelava, ao mesmo tempo, a esperança depositada em tratamentos ainda não validados pela ciência e o contraste profundo entre as estratégias sanitárias dos dois países diante da mesma pandemia.

Uma delegação brasileira desembarcou em Jerusalém no domingo para negociar acordos em torno do EXO-CD24, um spray nasal desenvolvido pelo Hospital Ichilov de Tel Aviv. Segundo os criadores, o medicamento recuperou 29 de 30 pacientes internados em estado grave em apenas três a cinco dias. O ministro Ernesto Araújo liderava a missão, acompanhado pelo deputado Eduardo Bolsonaro e por secretários das áreas de saúde, ciência e tecnologia.

O objetivo central era estabelecer cooperação para trazer as fases 2 e 3 dos testes clínicos ao Brasil. Eduardo Bolsonaro explicou que o interesse israelense no país se devia à diversidade genética da população brasileira, o que permitiria validar a droga em uma base mais ampla de grupos genéticos. O medicamento havia sido anunciado em fevereiro pelo professor Nadir Arber, e o primeiro-ministro Netanyahu chegou a recebê-lo e descrevê-lo como milagroso — mas nenhum resultado havia sido publicado em revista científica até então.

O presidente Jair Bolsonaro havia declarado que solicitaria à Anvisa uma análise para uso emergencial do spray. A delegação foi recebida pelo chanceler israelense Gabi Ashkenazi, e estava previsto que Netanyahu recebesse Araújo no dia seguinte. O grupo incluía ainda o secretário de Ciência e Tecnologia Hélio Angotti Neto, o secretário Marcelo Morales, o deputado Hélio Lopes e o secretário Fábio Wajngarten.

A viagem ocorria em um momento de contraste agudo entre os dois países. Israel havia vacinado grande parte de sua população e registrava queda expressiva em infecções e mortes, sustentada por lockdowns, rastreamento de contatos e uso obrigatório de máscaras — com multas de até 850 reais para quem descumprisse. No Brasil, a vacinação avançava lentamente por escassez de doses, resultado de negociações fracassadas com laboratórios como a Pfizer, enquanto o governo federal havia resistido sistematicamente às medidas de distanciamento social desde o início da pandemia.

Uma delegação brasileira desembarcou em Jerusalém no domingo para negociar o que o governo acredita ser um medicamento promissor contra a Covid-19. No centro da conversa estava um spray nasal chamado EXO-CD24, desenvolvido pelo Hospital Ichilov de Tel Aviv, que segundo seus criadores recuperou 29 de 30 pacientes graves em apenas três a cinco dias. O ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo liderava a missão, acompanhado pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, além de secretários de saúde, ciência e tecnologia, e outros parlamentares.

Eduardo Bolsonaro explicou que o objetivo central da viagem era estabelecer acordos de cooperação para trazer a fase 3 dos testes clínicos para o Brasil. Segundo ele, o medicamento havia demonstrado eficiência próxima a 100% nos testes iniciais. O deputado também revelou o raciocínio por trás do interesse israelense em conduzir estudos avançados no país: a população brasileira, descrita como miscigenada com material genético diversificado, ofereceria uma base mais ampla para validar a droga em diferentes grupos genéticos.

O spray foi desenvolvido pelo professor Nadir Arber e anunciado no início de fevereiro. Até o momento da delegação brasileira, havia sido testado apenas em 30 voluntários internados em estado grave no Hospital Ichilov. O entusiasmo em Israel era visível: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia recebido o professor em seu gabinete e descrito o medicamento como milagroso. Ainda assim, não havia resultados publicados em artigo científico da fase 1, o que significa que a comunidade científica internacional ainda não havia revisado formalmente os dados.

O governo brasileiro pretendia assinar um acordo com o hospital para realizar as fases 2 e 3 dos testes no país. O presidente Jair Bolsonaro havia dito que solicitaria à Anvisa uma análise para uso emergencial do medicamento. A delegação foi recebida pelo chanceler israelense Gabi Ashkenazi na chancelaria em Jerusalém, e estava previsto que Netanyahu recebesse Araújo no dia seguinte. O grupo incluía também Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Marcelo Morales, secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência e Tecnologia, o deputado Hélio Lopes, e Fábio Wajngarten, secretário especial de Comunicação Social.

O contexto da viagem refletia uma diferença marcante entre as duas nações no combate à pandemia. Israel havia empreendido uma campanha de vacinação em massa e estava na vanguarda internacional no controle do vírus, com dados mostrando queda brusca em infecções e mortes após o avanço da imunização. O país havia baseado sua estratégia em isolamento social rigoroso, lockdowns quando necessário, e rastreamento de contatos. No Brasil, o presidente Bolsonaro havia criticado medidas de distanciamento desde o início da pandemia e promovido aglomerações. A velocidade da vacinação brasileira enfrentava obstáculos pela escassez de doses, resultado de negociações fracassadas com laboratórios produtores como a Pfizer. A delegação estava usando máscaras, obrigatórias em todos os prédios e locais públicos em Israel, onde quem descumpria a regra recebia multa de até 500 shekels, cerca de 850 reais.

O objetivo da viagem é dar todo o suporte necessário ao embaixador Ernesto Araújo nessa missão que tem tudo a ver com a pandemia
— Eduardo Bolsonaro
O Brasil é um povo famoso por ser miscigenado, com material genético bem diversificado, o que ajudaria na obtenção de testes mais amplos sobre a droga
— Eduardo Bolsonaro
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