Irmã de homem linchado em Copacabana promete manter caso vivo

Cláudio Rafael Landeiro foi morto em linchamento por mais de sete minutos sem reagir, vítima de falsa acusação de roubo, deixando família em luto e buscando justiça.
Não vai deixar isso cair no esquecimento. Se depender de mim, não vai
Fabiana Landeiro Hansen, irmã de Cláudio, promete manter viva a memória do caso e a busca por justiça.
Mark

Como é possível que uma suspeita sobre uma bicicleta termine em morte?

Mimi

Porque ninguém parou para perguntar. O segurança suspeitou, e a suspeita virou certeza na mente dele. Não houve conversa, não houve verificação. Apenas ação.

Mark

A família demorou dias para registrar a ocorrência. Isso prejudica o caso?

Mimi

Não foi negligência. Estavam em choque, enterrando o irmão, esperando documentos que não chegavam. A burocracia da morte se sobrepôs à urgência da justiça.

Mark

Cláudio não reagiu durante sete minutos de agressão. Por quê?

Mimi

Ninguém sabe. Talvez tenha sido desarmado pelo pânico. Talvez tenha entendido que reagir pioraria as coisas. As câmeras mostram um homem sendo destruído sem defesa.

Mark

O que Fabiana quer que aconteça agora?

Mimi

Que o caso não desapareça nos arquivos. Que as pessoas lembrem do nome dele. Que a investigação chegue até o fim, sem concessões.

Mark

E se os vigilantes realmente atuavam ilegalmente?

Mimi

Então há uma camada inteira de negligência institucional. Não era apenas um segurança violento. Era um sistema que permitiu que ele operasse sem supervisão.

Mark

Qual é o peso dessa promessa que ela faz?

Mimi

É o peso de alguém que perdeu tudo e decidiu que pelo menos a verdade não será perdida também.

  • Cláudio Rafael Landeiro foi espancado por mais de sete minutos em 12 de agosto de 2026 em Copacabana
  • Morreu de traumatismo craniano com hemorragia interna após agressão por segurança e entregadores
  • Quatro pessoas foram presas: Davi Santos Machado (segurança), Jorge Luiz Ricardo Dias (vigia), Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva (entregadores)
  • Crime classificado como homicídio triplamente qualificado por crueldade, motivo fútil e impossibilidade de defesa

Cláudio Rafael Landeiro foi espancado por mais de sete minutos por segurança e entregadores após suspeita infundada sobre bicicleta roubada. A vítima morreu de traumatismo craniano com hemorragia interna; família enfrentou dificuldades para registrar ocorrência devido à demora na certidão de óbito.

A irmã de Cláudio Rafael Landeiro, morto em linchamento em Copacabana após falsa acusação de roubo, promete não deixar o caso ser esquecido. Quatro pessoas foram presas e o crime foi classificado como homicídio triplamente qualificado.

Fabiana Landeiro Hansen está sentada em um estúdio de televisão, e há algo na sua voz que não é apenas raiva. É determinação. Ela acabou de perder o irmão, Cláudio Rafael Landeiro, espancado até a morte em Copacabana no dia 12 de agosto, vítima de uma acusação que nunca deveria ter existido. Quando a câmera a encontra, ela faz uma promessa simples e inabalável: não vai deixar esse caso desaparecer.

O que aconteceu naquela tarde na rua Felipe de Oliveira é o tipo de história que congela o peito. Cláudio estava sentado na escadaria de um prédio quando dois homens de bicicleta, carregando mochilas de entregador, se aproximaram. Um segurança do local havia suspeitado que a bicicleta que Cláudio usava — que na verdade pertencia à sua irmã — havia sido roubada. Essa suspeita, infundada, desencadeou o que viria a seguir.

O segurança apareceu com um porrete e começou a bater. Trinta golpes. Depois vieram socos e pontapés. Durante mais de sete minutos, Cláudio foi agredido sem reagir, sem tentar se defender. As câmeras de segurança do prédio registraram tudo. Ele caiu desacordado na calçada. Os bombeiros o levaram ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas o traumatismo craniano com hemorragia interna era irreversível. Cláudio morreu.

Quatro pessoas foram identificadas e presas. Davi Santos Machado, o segurança que desferiu os golpes, foi preso na quinta-feira. Jorge Luiz Ricardo Dias, um vigia de 56 anos que não agrediu Cláudio mas segurou a bicicleta e o porrete, também foi detido — embora tenha dito que tentou dissuadir Davi. Na sexta-feira, os dois entregadores, Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva, se entregaram à polícia. Todos tiveram prisão temporária decretada.

Mas há algo que Fabiana quer que as pessoas entendam sobre aqueles primeiros dias depois da morte do irmão. A família demorou para fazer o boletim de ocorrência não por negligência, mas porque o registro estava condicionado à apresentação da certidão de óbito — um documento que levou tempo para chegar. "A gente estava num momento de muita dor, muita tristeza, e quer fazer tudo", ela explica. "Quer enterrar a pessoa, resolver a certidão, resolver com a polícia. Não tem como fazer tudo." Havia também o medo. O choque que paralisa.

Cláudio, segundo sua irmã, era protetor e dócil. Era o tipo de pessoa que falava com todo mundo. Não era alguém que procurava confusão. Não era alguém que merecia o que recebeu.

O delegado Ângelo Lages, responsável pelo caso na 12ª Delegacia de Polícia, classificou o crime como homicídio triplamente qualificado — por crueldade, por motivo fútil e pela impossibilidade de defesa da vítima. A investigação também está apurando se os vigilantes atuavam de forma clandestina no policiamento das ruas, operando fora de qualquer marco legal.

Fabiana sabe que as prisões são apenas o começo. "Por mais que eles estejam presos, tem que dar continuidade a todo o processo e não deixar isso cair no esquecimento. Se depender de mim, não vai", ela disse ao programa Fantástico. É uma promessa feita não apenas à memória do irmão, mas a todos que assistem — um aviso de que essa história não será enterrada junto com Cláudio.

Por mais que eles estejam presos, tem que dar continuidade a todo o processo e não deixar isso cair no esquecimento
— Fabiana Landeiro Hansen, irmã de Cláudio Rafael Landeiro
A gente estava completamente em choque, com medo
— Fabiana Landeiro Hansen, sobre os dias após a morte do irmão
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