Ipaam multa Iranduba em R$ 2,5 mi por queima de resíduos em incêndio no lixão

Moradores próximos ao lixão, incluindo pessoas idosas, foram expostos à fumaça tóxica durante incêndio que durou mais de 24 horas.
Um vazadouro a céu aberto onde nada havia mudado
Descrição do lixão de Iranduba após três anos de notificações e multas do órgão ambiental.
Mark

Por que um incêndio em um lixão resulta em multa ambiental? Não deveria ser apenas um acidente?

Mimi

Porque o incêndio não foi um acidente em um local bem administrado. O Ipaam encontrou resíduos sendo queimados a céu aberto, o que é proibido. A queima libera poluentes na atmosfera. A multa é pela poluição, não pelo fogo em si.

Mark

Mas a prefeitura não tentou cumprir as determinações do Ipaam?

Mimi

Tentou ou não, o fato é que não cumpriu. Em 2023 recebeu uma notificação. Em 2024 levou uma multa de meio milhão. Em março de 2026, técnicos encontraram o mesmo cenário: lixo depositado no solo, sem cobertura, sem controle. Nada havia mudado.

Mark

Qual é o risco real para quem mora perto?

Mimi

A fumaça alcançou casarões próximos onde vivem pessoas idosas. Estamos falando de exposição a poluentes tóxicos durante mais de 24 horas. Não é uma abstração ambiental — é ar que as pessoas respiram.

Mark

A multa de 2,5 milhões vai resolver o problema?

Mimi

Provavelmente não sozinha. A prefeitura tem vinte dias para pagar ou contestar. Mas há também uma decisão judicial de julho que exige comprovação de recuperação da área. O tribunal marcou uma nova vistoria. O problema está sendo pressionado de múltiplos lados agora.

Mark

O que deveria ter acontado diferente?

Mimi

A prefeitura deveria ter transformado o vazadouro em um aterro sanitário adequado quando foi notificada em 2023. Deveria ter coberto os resíduos, instalado sistemas de drenagem, captado gases. Não fez. Agora está pagando multas enquanto as pessoas próximas continuam expostas.

  • Um incêndio iniciado na quinta-feira à tarde ainda consumia o lixão de Iranduba na manhã seguinte, lançando uma coluna de fumaça tóxica visível de toda a região metropolitana de Manaus.
  • Moradores idosos que vivem próximos ao local foram expostos por mais de 24 horas ao ar contaminado, sem que as chamas fossem controladas a tempo.
  • O Ipaam chegou ao local ainda com o fogo ativo e aplicou multa de R$ 2,505 milhões à prefeitura por queima ilegal de resíduos sólidos, prática expressamente proibida pela legislação federal.
  • O município não enfrenta uma punição isolada: já havia recebido multas de R$ 500 mil em 2024 e R$ 1,5 milhão em 2026, além de notificações desde 2023 que nunca resultaram em mudanças reais.
  • A Justiça Federal também monitora o caso e exigiu que Iranduba comprove a recuperação da área, com nova vistoria técnica prevista para atualizar o licenciamento ambiental.
  • A prefeitura tem vinte dias para pagar, apresentar defesa ou buscar conciliação — mas o histórico sugere que a resposta institucional pode, mais uma vez, chegar tarde demais.

A menos de trinta quilômetros de Manaus, um lixão que arde por mais de vinte e quatro horas não é apenas um incêndio — é a manifestação visível de anos de indiferença institucional. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas multou a Prefeitura de Iranduba em R$ 2,5 milhões pela queima ilegal de resíduos a céu aberto, mas a fumaça que sufocou os moradores mais velhos da região já carregava consigo o peso de notificações ignoradas, multas anteriores não cumpridas e determinações judiciais sem resposta. Quando a lei se repete sem ser ouvida, são sempre os mais vulneráveis que respiram as consequências.

Na tarde de uma quinta-feira, um incêndio tomou o lixão de Iranduba, município a 27 quilômetros de Manaus. Quando o sol nasceu no dia seguinte, as chamas ainda não haviam sido controladas. A fumaça densa formou uma coluna visível de vários pontos da região metropolitana, e nas casas próximas, moradores idosos respiravam o ar carregado de partículas tóxicas.

Foi nesse cenário que técnicos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas chegaram para fiscalizar. O que encontraram resultou em uma multa de R$ 2,505 milhões contra a Prefeitura de Iranduba. A queima de resíduos sólidos a céu aberto é proibida pela Lei Federal de Política Nacional de Resíduos Sólidos e pela Lei de Crimes Ambientais. O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, confirmou que a prática ilegal foi constatada durante a vistoria e que o órgão seguiria monitorando a área.

O incêndio, porém, não revelou uma falha nova — expôs uma negligência antiga. Desde 2023, o Ipaam notificava a prefeitura para que remediasse o local. Sem resposta efetiva, vieram as multas: R$ 500 mil em 2024 e R$ 1,5 milhão em 2026, esta última por reincidência. Uma vistoria realizada em março daquele ano documentou um cenário alarmante: resíduos depositados diretamente sobre o solo, pilhas de lixo com mais de quatro metros de altura, chorume escorrendo sem contenção, nenhum sistema de drenagem ou captação de gases.

Agora, além das sanções do Ipaam, a Justiça Federal acompanha o caso. Uma decisão de julho determinou que Iranduba comprove o cumprimento das obrigações de recuperação da área, com nova vistoria técnica prevista. A prefeitura tem vinte dias para pagar a multa mais recente, apresentar defesa administrativa ou buscar conciliação. Enquanto isso, os moradores próximos ao lixão continuam a viver com as consequências de uma gestão que, diante de anos de alertas, escolheu não agir.

Um incêndio que começou na tarde de quinta-feira no lixão de Iranduba, a 27 quilômetros de Manaus, ainda ardia na manhã seguinte. A fumaça densa subiu em uma coluna visível de vários pontos da região metropolitana, alcançando casarões próximos onde moradores idosos respiravam o ar contaminado. Naquela sexta-feira, enquanto as chamas ainda não estavam controladas, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas chegou ao local para fiscalizar.

O que os técnicos encontraram foi suficiente para uma multa de R$ 2,505 milhões contra a Prefeitura de Iranduba. A queima de resíduos sólidos a céu aberto — exatamente o que estava acontecendo — é proibida por lei. O Ipaam baseou a autuação na Lei Federal de Política Nacional de Resíduos Sólidos e na Lei de Crimes Ambientais, documentando a poluição atmosférica que o incêndio havia provocado. O diretor-presidente do instituto, Gustavo Picanço, afirmou que a equipe constatou a prática ilegal durante a vistoria e que o órgão seguiria acompanhando o cumprimento das obrigações ambientais da área.

Mas este incêndio não foi um acidente isolado em um local até então bem administrado. O lixão de Iranduba carrega um histórico de negligência que se estende por anos. Em 2023, o Ipaam já havia notificado a prefeitura para que remediasse o local e melhorasse a gestão dos resíduos. Quando as determinações não foram cumpridas, o município recebeu uma multa de R$ 500 mil em 2024. Dois anos depois, em 2026, uma nova fiscalização revelou que nada havia mudado fundamentalmente. O Ipaam aplicou outra multa, desta vez de R$ 1,5 milhão, por reincidência.

Em março daquele mesmo ano, técnicos haviam visitado o local e documentado o que viram: um vazadouro a céu aberto onde resíduos eram depositados diretamente sobre o solo, sem cobertura adequada, sem estruturas de controle ambiental. Havia pilhas de lixo com mais de quatro metros de altura. O chorume acumulava e escorria. Não havia sistemas para drenar água ou captar gases. Era um depósito de resíduos operando como se nenhuma lei o regulasse.

Agora, com o incêndio e a multa de R$ 2,505 milhões, a prefeitura tem vinte dias para pagar, apresentar uma defesa administrativa ou tentar uma conciliação com o órgão ambiental. Mas o caso não está apenas nas mãos do Ipaam. A Justiça Federal também acompanha a situação. Em julho daquele ano, uma decisão judicial determinou que Iranduba comprovasse o cumprimento das obrigações de recuperação da área. O tribunal também previu uma nova vistoria técnica do Ipaam para atualizar as informações sobre a recuperação e o licenciamento ambiental.

O que começou como um incêndio em um lixão se revelou como o sintoma visível de um problema muito mais profundo: uma administração municipal que, apesar de múltiplas notificações, multas e até intervenção judicial, não conseguiu ou não quis transformar um depósito de lixo em um local operado conforme a lei. Os moradores próximos continuam respirando as consequências.

Durante a fiscalização, a equipe constatou a queima de resíduos a céu aberto, uma prática proibida pela legislação ambiental. A partir dessa constatação, o Instituto adotou as medidas administrativas previstas e seguirá acompanhando o cumprimento das obrigações ambientais relacionadas à área.
— Gustavo Picanço, diretor-presidente do Ipaam
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