Numa farmácia de Porto Salvo, a ministra da Saúde deixou uma porta entreaberta: o Infarmed analisa se os medicamentos para a obesidade poderão ser comparticipados pelo Estado. A decisão surge poucos dias depois de a Organização Mundial da Saúde ter, pela primeira vez, aconselhado o uso de uma classe de fármacos, até então ligada à diabetes e à perda de peso, no tratamento desta doença que atinge mil milhões de pessoas. Entre o apelo global e a prudência de quem administra os recursos públicos, o caminho passa pela prova de que o tratamento vale o seu custo, e tudo indica que a resposta ainda e
Infarmed analisa eventual comparticipação de medicamentos para a obesidade
O enquadramento legal já existe, mas a decisão continua por tomar
Então o que é que mudou, concretamente, esta semana?
A OMS recomendou pela primeira vez alargar à obesidade uma classe de fármacos usados na diabetes e na perda de peso. Em Portugal, a ministra confirmou que o Infarmed está a analisar a comparticipação.
Isso quer dizer que os medicamentos vão passar a ser comparticipados?
Não. Nada do que foi dito o garante. A ministra falou em avaliação por peritos e em casos graves com custo-efetividade comprovada.
A diretora-geral da Saúde também pediu que se aguarde. Disse que tudo tem de ser muito ponderado.
Mas já existe alguma base legal?
Sim. Rita Sá Machado lembrou que há um despacho governamental que abre a possibilidade de comparticipação de fármacos para a obesidade.
Abrir a possibilidade não é decidir. E não sabemos quando o estudo do Infarmed fica concluído, nem que medicamentos concretos abrange.
E a sustentabilidade pública?
Foi o outro critério citado: o que é melhor para os cidadãos, mas também o que o sistema público consegue suportar.
Convém notar que a OMS defende acesso universal e financeiramente comportável. O Governo responde com cautela, sem se comprometer.
Der Puls
- A OMS abriu uma nova frente ao recomendar, pela primeira vez, que medicamentos de diabetes e perda de peso sejam usados contra a obesidade.
- A ministra Ana Paula Martins confirmou à saída de uma farmácia em Oeiras que o Infarmed estuda a comparticipação, sem prometer nada.
- O pedido de acesso universal e financeiramente comportável embate com a necessidade de justificar cada euro gasto pelo Serviço Nacional de Saúde.
- Qualquer avanço exige avaliação de peritos, indicações da DGS para casos graves e prova de custo-efetividade, e nenhum prazo foi fixado.
Numa farmácia de Porto Salvo, a ministra da Saúde deixou uma porta entreaberta: o Infarmed analisa se os medicamentos para a obesidade poderão ser comparticipados pelo Estado. A decisão surge poucos dias depois de a Organização Mundial da Saúde ter, pela primeira vez, aconselhado o uso de uma classe de fármacos, até então ligada à diabetes e à perda de peso, no tratamento desta doença que atinge mil milhões de pessoas. Entre o apelo global e a prudência de quem administra os recursos públicos, o caminho passa pela prova de que o tratamento vale o seu custo, e tudo indica que a resposta ainda está por escrever.
Numa farmácia de Porto Salvo, no concelho de Oeiras, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, aproveitou a vacinação contra a gripe e a Covid-19 para responder aos jornalistas sobre outro tema: o Infarmed está a analisar a possibilidade de comparticipar medicamentos para o tratamento da obesidade.
O anúncio chega poucos dias depois de a Organização Mundial da Saúde ter apresentado novas recomendações. Pela primeira vez, a OMS defendeu o alargamento de uma classe de fármacos, até agora usada na diabetes e na perda de peso, ao tratamento da obesidade, doença que afeta mil milhões de pessoas. A organização pede ainda que estes tratamentos sejam universalmente acessíveis.
A ministra não prometeu uma decisão, mas definiu as condições: a matéria terá de ser avaliada por peritos e enquadrar-se nas indicações da Direção-Geral da Saúde para situações graves, com custo-efetividade comprovada. A diretora-geral, Rita Sá Machado, lembrou que a DGS já definiu o percurso de cuidados para a pessoa com obesidade e que existe um despacho governamental que abre a porta à comparticipação. Sem data marcada, pediu paciência e ponderação, lembrando que é preciso garantir tanto o melhor para os cidadãos como a sustentabilidade pública.
O quadro é, assim, de porta entreaberta: o enquadramento legal existe e a OMS deu um novo impulso, mas a decisão depende do estudo do Infarmed e da prova de que o custo se justifica. Fica por saber o que concluirá o estudo e se a eventual comparticipação será limitada às situações mais graves.
Numa farmácia de Porto Salvo, no concelho de Oeiras, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, vacinou-se contra a gripe e a Covid-19 e, à saída, respondeu às perguntas dos jornalistas sobre outro assunto: o Infarmed está a analisar a possibilidade de comparticipar medicamentos para o tratamento da obesidade.
O anúncio surge poucos dias depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter feito, esta semana, novas recomendações sobre a doença. Pela primeira vez, a OMS aconselhou o alargamento do uso de uma classe de medicamentos, até agora empregue na diabetes e na perda de peso, ao tratamento da obesidade, que afeta mil milhões de pessoas em todo o mundo. A organização defende ainda que estes tratamentos sejam universalmente acessíveis e financeiramente comportáveis.
A ministra não prometeu uma decisão, mas fixou as condições. Segundo Ana Paula Martins, a matéria tem de ser avaliada pelos peritos e enquadrar-se nas indicações definidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para situações consideradas graves, nas quais fique comprovada a custo-efetividade. Disse também que a recomendação da OMS será tida em conta tanto pelo Infarmed, através dos peritos que avaliam os medicamentos e as suas implicações, como pela DGS, que acompanha os processos assistenciais integrados na área da obesidade. Sublinhou que as pessoas que vivem com obesidade merecem uma atenção particular.
Também a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, foi questionada pelos jornalistas. Lembrou que a DGS já elaborou o percurso de cuidados para a pessoa com obesidade e que existe um despacho governamental que abre a possibilidade de comparticipação de fármacos para esta doença. Recordou ainda que o Infarmed está a realizar um estudo sobre o tema.
Sobre prazos, não houve indicação. Rita Sá Machado afirmou que a abordagem está a ser estudada pelo Infarmed e que é preciso aguardar. Tudo o que é feito, acrescentou, tem de ser muito ponderado, assegurando não só o que é melhor para os cidadãos, mas também a sustentabilidade pública.
O quadro é, por isso, o de uma porta entreaberta: o enquadramento legal para a comparticipação já existe, a OMS deu um novo impulso, mas a decisão depende do estudo do Infarmed, das indicações da DGS para casos graves e da prova de que o custo se justifica. Resta saber o que o estudo concluirá e se a eventual comparticipação ficará restrita às situações mais graves.
Bemerkenswerte Zitate
Tudo o que fazemos tem de ser muito ponderado, assegurando o que é melhor para os cidadãos e a sustentabilidade pública.— Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde
Tem de ser avaliado pelos peritos e estar dentro das indicações da DGS para situações graves, com custo-efetividade comprovada.— Ana Paula Martins, ministra da Saúde