Incêndio na Bélgica supera recorde nacional e mobiliza ajuda europeia

Evacuações ordenadas em dois municípios belgas e acampamento infantil; mais de 2.000 moradores evacuados na Alemanha; feridos registrados na Croácia; milhares deslocados em toda Europa.
O fogo não parou de crescer desde a sexta-feira à noite
O incêndio em Hautes Fagnes destruiu 1.600 hectares, superando o recorde nacional belga.
Mark

Por que Hautes Fagnes é tão difícil de proteger contra incêndios?

Mimi

É uma reserva natural com charnecas, turfeiras e passarelas de madeira elevadas. O terreno torna o acesso complicado para os bombeiros, e a vegetação seca queima rapidamente.

Mark

A Bélgica pediu ajuda europeia imediatamente. Isso é comum?

Mimi

Quando um incêndio ultrapassa a capacidade local, sim. Mas mobilizar aviões e helicópteros de três países diferentes mostra que a situação foi reconhecida como excepcional desde o início.

Mark

O que torna este incêndio diferente do de 2011?

Mimi

Não é apenas o tamanho — 200 hectares a mais. É o contexto: uma onda de calor europeia, seca prolongada, ventos fortes. Tudo conspira para que o fogo se espalhe mais rápido e seja mais difícil de conter.

Mark

As evacuações incluem crianças?

Mimi

Sim. Um acampamento de férias infantil estava sendo evacuado. Isso adiciona urgência e complexidade às operações.

Mark

A Alemanha também teve um grande incêndio. Qual foi a complicação lá?

Mimi

Munições não detonadas da Segunda Guerra Mundial ainda estão enterradas na floresta. Isso criou risco de explosões durante o combate ao fogo.

Mark

Isso está acontecendo em toda a Europa?

Mimi

Sim. França, Espanha, Reino Unido, Croácia, Montenegro, Sérvia, Albânia e Grécia têm focos ativos. Dezenas de milhares de hectares queimados, milhares de pessoas evacuadas.

  • Incêndio em Hautes Fagnes destruiu 1.600 hectares, superando recorde de 2011 em 200 hectares
  • Bélgica acionou mecanismo europeu de proteção civil; Suécia, República Tcheca e Holanda enviaram aviões e helicópteros
  • Evacuações ordenadas em dois municípios belgas e acampamento infantil; mais de 2.000 moradores evacuados na Alemanha
  • Incêndios grassam por toda Europa em quinta onda de calor; temperaturas atingiram 37°C na Bélgica na sexta-feira

O fogo começou sexta-feira e superou recorde de 2011 em 200 hectares, afetando a maior reserva natural belga de difícil acesso. Autoridades evacuam moradores de dois municípios e um acampamento infantil devido à mudança de ventos e fumaça intensa na região.

Incêndio florestal no parque de Hautes Fagnes destruiu 1.600 hectares, tornando-se o maior da história belga. Bélgica acionou mecanismo europeu de proteção civil com aviões e helicópteros de três países.

O fogo começou na sexta-feira à noite no parque natural de Hautes Fagnes, no leste da Bélgica, e não parou de crescer. Quando as autoridades fizeram as contas no sábado, as chamas já tinham consumido cerca de 1.600 hectares — mais terra queimada do que qualquer incêndio anterior na história do país. O recorde anterior, estabelecido em 2011, tinha ficado em quase 1.400 hectares. Agora estava quebrado.

Hautes Fagnes não é uma floresta comum. É a maior reserva natural da Bélgica, um lugar de difícil acesso repleto de charnecas, turfeiras e passarelas elevadas de madeira que tornam o trabalho dos bombeiros particularmente complicado. Quando o fogo começou, bombeiros, agricultores, militares e equipes de emergência já estavam mobilizados, mas as chamas se espalhavam mais rápido do que conseguiam conter. Nicolas Yernaux, porta-voz regional da Valônia, descreveu a situação como crítica e disse que tudo dependia fortemente do apoio aéreo.

A Bélgica não esperou para pedir ajuda. Acionou o mecanismo europeu de proteção civil, que coordena a resposta a emergências entre países da União Europeia. A resposta foi rápida: a Suécia, a República Tcheca e a Holanda enviaram três helicópteros e dois aviões de combate a incêndios. O ministro da Defesa belga, Theo Francken, também deslocou três caminhões de bombeiros de última geração para a região.

Mas o fogo não era o único problema. A mudança dos ventos e a fumaça intensa forçaram as autoridades provinciais de Liège a ordenar evacuações na tarde do sábado. Moradores de dois municípios receberam ordem de sair. Na vila de Sourbrodt, com cerca de 500 habitantes, as pessoas foram orientadas a se preparar para uma possível retirada caso a situação piorasse. Um acampamento de férias infantil localizado na área afetada já estava sendo evacuado. Em Eupen, uma cidade próxima ao incêndio, a fumaça era visível a quilômetros de distância e o céu tinha adquirido uma coloração amarelada.

Tudo isso acontecia em meio à quinta onda de calor do verão europeu. Na sexta-feira, as temperaturas na Bélgica tinham chegado a 37°C em algumas áreas. Do outro lado da fronteira, na Alemanha, a situação era igualmente grave. Um grande incêndio florestal em Hürtgenwald, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, tinha forçado a evacuação de mais de 2.000 moradores da vila de Gey na sexta-feira, quando as chamas chegaram a apenas 300 metros das primeiras casas. Cerca de 1.400 bombeiros participaram da operação. Neste sábado, o fogo foi colocado sob controle, mas a ordem de evacuação continuava em vigor. O incêndio alemão era considerado o maior já registrado no estado, e o combate tinha sido dificultado pelo risco de explosões causadas por munições remanescentes da Segunda Guerra Mundial ainda enterradas na área florestal.

Mas a Bélgica e a Alemanha não estavam sozinhas. Grandes focos de incêndio tinham eclodido em toda a Europa — na França, Espanha, Reino Unido, Croácia, Montenegro, Sérvia, Albânia e Grécia. No sudoeste da França, um incêndio recente tinha devastado cerca de 1.580 hectares e levado à retirada de 650 pessoas. Na Espanha, os incêndios tinham consumido pelo menos 15 mil hectares na região de Aragão e mais de 38 mil hectares na província de Huelva, com mais de mil moradores evacuados. No Reino Unido, dezenas de focos tinham atingido áreas urbanas e rurais, destruindo edifícios. Na Croácia, um dos piores incêndios da história do país tinha deixado feridos e obrigado turistas a buscar abrigo. Montenegro, Sérvia, Albânia e Grécia também enfrentavam múltiplos focos, com equipes de emergência mobilizadas.

Os cientistas apontam uma causa subjacente: as mudanças climáticas causadas pela atividade humana estão aumentando a frequência e a intensidade de períodos de calor extremo e seca. Essas são exatamente as condições que favorecem a propagação e a persistência de grandes incêndios florestais. O que está acontecendo na Europa neste verão não é um acidente. É o resultado previsível de um planeta que está ficando mais quente.

A situação permanece crítica e depende fortemente do apoio aéreo
— Nicolas Yernaux, porta-voz regional da Valônia
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