Ventos extremos de 130 km/h impedem que aeronaves lancem água sobre as chamas e bombeiros não conseguem abrir portas de veículos. Até 150 casas em Porto Germeno foram danificadas; três bombeiros morreram em Creta onde 5 mil hectares foram queimados.
Incêndio florestal ameaça balneário grego com ventos de até 130 km/h
Não havia nada que você pudesse fazer, apenas assistir ao fogo
Por que os ventos são tão destrutivos para o combate aos incêndios? Não seria possível simplesmente esperar que diminuam?
Os ventos não são apenas um incômodo — eles mudam completamente a física do fogo. Quando você tem rajadas de 130 quilômetros por hora, as aeronaves não conseguem nem se aproximar com segurança. Os pilotos não conseguem controlar a aeronave para lançar água. E no chão, os bombeiros literalmente não conseguem abrir as portas dos veículos. Você não pode esperar — o fogo avança enquanto você espera.
Trezentas pessoas tiveram que ser resgatadas pelo mar. Isso significa que ignoraram avisos?
Sim, mas é complicado. As pessoas vivem ali. Suas casas estão ali. Quando você recebe um alerta de evacuação, a escolha não é apenas sobre segurança — é sobre perder tudo que construiu. Alguns ficam porque acham que conseguem proteger a propriedade. Outros simplesmente não acreditam que será tão ruim. Até que é.
A Grécia enfrenta isso todo verão. Isso não deveria ter soluções estruturais?
Deveria, mas a mudança climática está acelerando o problema. Não é mais apenas um risco sazonal — é um risco crescente, cada vez mais intenso. A geografia da Grécia também complica: ilhas, terreno acidentado, difícil de acessar. E recursos são limitados. Você pode ter centenas de bombeiros, mas se o fogo está em cinco lugares ao mesmo tempo, você está sempre escolhendo onde não ir.
Três bombeiros morreram em Creta. Como isso muda a dinâmica do combate?
Muda tudo. Você está pedindo a pessoas que corram riscos extremos em condições cada vez mais perigosas. Eles sabem que podem morrer. E ainda assim vão. Mas há um limite para o quanto você pode pedir de alguém, e a mudança climática está empurrando esse limite cada vez mais longe.
O que diferencia este verão dos anteriores?
A intensidade. Não é só que há incêndios — é que há muitos incêndios ao mesmo tempo, em lugares diferentes, com ventos extremos, em temperaturas recordes. A Grécia, a Espanha, a França — todos enfrentando isso simultaneamente. Não é mais um evento excepcional. É o novo padrão.
The Pulse
- Ventos de até 130 km/h impedem operações aéreas e bombeiros não conseguem abrir portas de veículos
- Cerca de 500 bombeiros combatem incêndios em Porto Germeno, com apoio de agentes franceses e romenos
- Até 150 casas em Porto Germeno foram danificadas; três bombeiros morreram em Creta
- Aproximadamente 60 incêndios florestais eclodiram em 24 horas na Grécia
- Área afetada em Porto Germeno pode exceder 4 mil a 5 mil hectares
Ventos extremos de 130 km/h impedem que aeronaves lancem água sobre as chamas e bombeiros não conseguem abrir portas de veículos. Até 150 casas em Porto Germeno foram danificadas; três bombeiros morreram em Creta onde 5 mil hectares foram queimados.
Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais na Grécia, com ventos de até 130 km/h dificultando o resgate do balneário de Porto Germeno. Cerca de 60 focos eclodiram em 24 horas.
No sábado, 1º de agosto, Porto Germeno acordou para um cenário de caos. Ventos de até 130 quilômetros por hora varrem o balneário grego, transformando o combate aos incêndios florestais em uma luta quase impossível. Centenas de bombeiros — quase 500 deles espalhados pela região, a cerca de 70 quilômetros noroeste de Atenas — enfrentam condições que ultrapassam os limites do que é operacionalmente viável. O ministro da Defesa Civil, Evangelos Tournas, descreveu a situação em termos que não deixam margem para otimismo: as aeronaves de combate não conseguem nem coletar água nem lançá-la sobre as chamas por causa da turbulência extrema. Um porta-voz da corporação de bombeiros foi ainda mais direto — o vento estava tão forte que os agentes no terreno não conseguiam sequer abrir as portas de seus veículos.
Em apenas 24 horas, cerca de 60 incêndios florestais e agrícolas explodiram em diferentes pontos do país. A Grécia não está sozinha nesta crise. Bombeiros franceses e romenos foram mobilizados para auxiliar no esforço. Mas o fogo não respeita fronteiras administrativas nem cooperação internacional. Enquanto Porto Germeno era o foco principal, outras regiões também ardiam: quase 100 bombeiros combatiam outro incêndio em Aigialia, no norte do Peloponeso, e 64 agentes estavam engajados em uma frente em Fócida, na Grécia central. Na sexta-feira anterior, as chamas já ameaçavam Haidari, a apenas dez quilômetros do centro de Atenas, forçando a evacuação parcial do subúrbio.
O incêndio em Porto Germeno começou na sexta-feira perto da vizinha Agios Vasileios. Os moradores, inicialmente, ignoraram o alerta de evacuação da defesa civil — uma decisão que custou caro. Cerca de 300 pessoas precisaram ser resgatadas pelo mar. Dimos Economou, que mora em Vilia, próximo a Porto Germeno, foi ajudar nos esforços de resgate e testemunhou a devastação: muitas casas foram queimadas. Até 150 residências em Porto Germeno foram danificadas, segundo Dimitris Pagonis, funcionário de defesa civil da vizinha Mandra. Minas Tsotdanis, agricultor da vila de Aspra Chomata, descreveu a impotência do momento: "O fogo estava muito forte, e o vento estava muito forte. Não havia nada que você pudesse fazer, apenas assistir ao fogo". Sua casa queimou completamente. Cerca de 15 casas foram destruídas em sua vila. Em Agios Georgios, acima de Porto Germeno, Kalomoira Karnaouri recusou-se a deixar sua casa, temendo que se partisse não teria mais um lar para retornar.
O meteorologista Theodore Giannaros, especialista em incêndios florestais e pesquisador sênior do Observatório Nacional de Atenas, chamou os danos à região de Porto Germeno de "inconcebíveis". A área afetada parece exceder entre 4 mil e 5 mil hectares. Mas Porto Germeno não é um caso isolado. Em Creta, a situação foi ainda mais trágica: três bombeiros morreram no combate às chamas, e quase 5 mil hectares foram consumidos. Na ilha turística de Paros, quase 1 mil hectares foram queimados no início da semana.
Este é o padrão que se repete na Grécia a cada verão. O país é duramente atingido pela crise climática, assim como o resto da região do Mediterrâneo. Altas temperaturas, ondas de calor frequentes e seca crônica criam as condições perfeitas para incêndios florestais. Estudos científicos mostram que essas ondas de calor e as condições meteorológicas que propiciam o espalhamento de queimadas estão se tornando mais frequentes e intensas por causa da mudança climática, causada principalmente pela queima de combustíveis fósseis e desmatamento. O primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis alertou que o país estava caminhando para "dias difíceis".
Embora os ventos tenham diminuído na tarde de sábado, a região metropolitana de Atenas, a vizinha Beócia e a ilha de Eubeia permaneciam sob risco de incêndio perto do nível máximo no domingo. A geografia da Grécia — com suas centenas de ilhas e regiões acidentadas — dificulta ainda mais o deslocamento de equipes de emergência. A Europa inteira está em chamas neste verão. A Espanha enfrentou incêndios de proporções históricas, embora a situação atual esteja sob controle. A França perdeu mais de 42 mil hectares na região vinícola de Gironde, mas o fogo está controlado. Agora as atenções se voltam para a região de Var, no sudeste francês, onde um novo incêndio iniciado na sexta-feira já devastou 1.250 hectares, com fortes ventos novamente prejudicando os esforços de combate.
Notable Quotes
Condições extremamente difíceis, resultando em muitos casos em que as aeronaves não conseguem coletar água ou não conseguem lançá-la sobre as chamas devido à turbulência extrema— Evangelos Tournas, ministro da Defesa Civil grego
A área que foi afetada parece exceder 4 mil a 5 mil hectares— Theodore Giannaros, meteorologista e pesquisador do Observatório Nacional de Atenas