Em julho de 2026, as famílias brasileiras alcançaram um limiar que a história econômica do país preferia não registrar: a inadimplência chegou a 5,8%, o nível mais alto desde que o Banco Central passou a medir essa realidade, em 2011. Quase um terço da renda mensal de cada família vai agora para o pagamento de dívidas — um espelho do quanto o crédito, que deveria ser ponte para o futuro, tornou-se peso no presente. O governo tentou aliviar esse fardo com programas de renegociação, mas os números continuam subindo, e o Banco Central já sinaliza que novas medidas serão necessárias para conter um
Inadimplência das famílias bate recorde em julho, alcançando 5,8%
Quase um terço da renda mensal já está comprometido com dívidas
Por que esse número de 5,8% de inadimplência é tão importante? Parece um percentual isolado.
Porque é o maior desde 2011. Significa que mais famílias estão deixando de pagar suas dívidas do que em qualquer outro momento dos últimos 15 anos. Não é isolado — é uma tendência.
Mas vale notar que o Banco Central só começou a registrar essa série em 2011. Não sabemos se foi pior antes disso.
E o comprometimento de renda de 28,9%? Como isso funciona na prática?
Significa que quase um terço do que uma família ganha por mês já está comprometido com parcelas de dívidas. Não é dinheiro que ela pode usar para comer, pagar aluguel ou outras coisas.
Esse número também tem defasagem de dois meses, então é de junho, não de julho. E inclui o financiamento imobiliário, que é diferente de um cartão de crédito.
O Desenrola 2.0 não funcionou?
Funcionou para reduzir as taxas de juros — caíram bastante. Mas as pessoas já estavam tão endividadas que mesmo com juros menores, o comprometimento de renda continuou subindo.
Ou talvez as pessoas que entraram no Desenrola sejam um subconjunto. Os dados agregados mostram o que aconteceu com toda a população, não apenas com quem renegociou.
E as empresas? Elas também estão em apuros?
Menos dramaticamente. A inadimplência delas subiu, mas não bateu recorde. O problema maior está nas famílias.
Embora haja notícias de recuperações judiciais e extrajudiciais de empresas acumulando, segundo o texto. Então há sinais de estresse ali também.
El Pulso
- A inadimplência das famílias bateu 5,8% em julho — o pior nível desde o início da série histórica em 2011 —, enquanto no crédito livre o índice chegou a 7,8%, também recorde absoluto.
- Quase um terço do orçamento mensal das famílias brasileiras está comprometido com o pagamento de dívidas, um recorde de 28,9% registrado em junho que persiste mesmo com o programa Desenrola 2.0 em vigor desde maio.
- As taxas de juros recuaram levemente — o juro médio no crédito total caiu de 33,3% para 32,1% ao ano —, mas o rotativo do cartão de crédito ainda supera 436% ao ano, mantendo o aperto sobre quem já está endividado.
- A inadimplência geral da economia também atingiu recorde em julho, chegando a 4,9%, com empresas acumulando recuperações judiciais e extrajudiciais em ritmo crescente.
- O Banco Central anunciou que prepara medidas específicas para mitigar o risco de crédito, reconhecendo que os instrumentos já utilizados não foram suficientes para reverter a tendência.
Em julho de 2026, as famílias brasileiras alcançaram um limiar que a história econômica do país preferia não registrar: a inadimplência chegou a 5,8%, o nível mais alto desde que o Banco Central passou a medir essa realidade, em 2011. Quase um terço da renda mensal de cada família vai agora para o pagamento de dívidas — um espelho do quanto o crédito, que deveria ser ponte para o futuro, tornou-se peso no presente. O governo tentou aliviar esse fardo com programas de renegociação, mas os números continuam subindo, e o Banco Central já sinaliza que novas medidas serão necessárias para conter uma trajetória que ainda não encontrou seu ponto de virada.
Em julho, as famílias brasileiras cruzaram uma fronteira que ninguém queria ver: a inadimplência chegou a 5,8%, o maior patamar desde março de 2011, quando o Banco Central começou a registrar esses dados. O salto veio de 5,4% em junho e revela uma deterioração contínua na capacidade das pessoas de honrar seus compromissos financeiros.
O crédito livre — aquele em que bancos e tomadores negociam livremente as taxas — concentra o quadro mais grave: a inadimplência nesse segmento passou de 7,4% para 7,8%, também recorde histórico. O problema não está isolado em uma única modalidade; ele se espalha por diferentes tipos de operação, incluindo o crédito direcionado para pessoas físicas, que subiu de 3% para 3,4%.
Talvez o indicador mais revelador do aperto seja o comprometimento de renda: em junho, 28,9% do orçamento mensal das famílias foi destinado ao pagamento de parcelas de empréstimos — quase um terço da renda, um recorde da série histórica. O governo federal havia lançado o Desenrola 2.0 em maio justamente para aliviar essa pressão, mas o índice continuou subindo. As taxas de juros recuaram — o juro médio no crédito total caiu de 33,3% para 32,1% ao ano —, porém o rotativo do cartão de crédito ainda supera 436% ao ano, e o cheque especial permanece acima de 137%.
A inadimplência geral da economia também bateu recorde em julho, chegando a 4,9%, puxada tanto pelas famílias quanto pelas empresas, que acumulam recuperações judiciais e extrajudiciais. A concessão de crédito total recuou 1,6% em relação a junho, chegando a R$ 736,8 bilhões, com queda de 10% nos desembolsos para empresas.
Diante desse cenário, o Banco Central anunciou que prepara medidas para mitigar o risco de crédito, com atenção especial à composição de modalidades onerosas na dívida das famílias. A questão que permanece em aberto é se essas intervenções conseguirão dobrar uma curva que, até agora, os programas de renegociação não foram capazes de reverter.
Em julho, as famílias brasileiras atingiram um marco que ninguém queria alcançar: a inadimplência chegou a 5,8%, o patamar mais alto desde março de 2011, quando o Banco Central começou a registrar essa série de dados. O aumento veio de junho, quando estava em 5,4%, e reflete uma deterioração contínua na capacidade das pessoas de honrar seus compromissos de crédito.
O quadro fica ainda mais preocupante quando se olha para o crédito livre — aquele em que bancos e tomadores negociam livremente as taxas de juros. Nesse segmento, a inadimplência saltou de 7,4% para 7,8%, também o maior número da série histórica. Para pessoas físicas no crédito direcionado, a taxa subiu de 3% para 3,4%. Esses números mostram que o problema não está concentrado em um único tipo de operação, mas se espalha por diferentes modalidades de empréstimo.
Mas há outro indicador que talvez seja ainda mais revelador do aperto financeiro das famílias: o comprometimento de renda com dívidas. Em junho, esse percentual — que mede quanto do orçamento mensal vai para pagar as parcelas de empréstimos — alcançou 28,9%, o recorde da série que começou em março de 2011. Isso significa que quase um terço da renda mensal das famílias está comprometida com o pagamento de dívidas. Sem considerar o financiamento imobiliário, o número é 26,6%, também em alta. Esse indicador tem defasagem de dois meses em relação à divulgação, então reflete a situação de junho enquanto o Banco Central divulgava os dados em agosto.
O governo federal lançou o Desenrola 2.0 em maio justamente para tentar aliviar essa pressão, oferecendo a renegociação de dívidas com juros mais baratos. Mesmo assim, o comprometimento de renda continuou subindo. As taxas de juros no mercado caíram — o juro médio no crédito total recuou de 33,3% ao ano em junho para 32,1% em julho, e no crédito livre para famílias caiu de 63,9% para 60% — mas não o suficiente para reverter a trajetória. O rotativo do cartão de crédito, por exemplo, ainda está acima de 400% ao ano, embora tenha caído de 442,4% para 436,2%. O cheque especial saiu de 139,9% para 137,3% ao ano.
A inadimplência geral da economia também bateu recorde em julho, chegando a 4,9%, contra 4,6% em junho. Isso inclui tanto famílias quanto empresas. Para as empresas, a inadimplência subiu no crédito livre de 4% para 4,2% e no direcionado de 2% para 2,1%, mas nenhum desses percentuais foi recorde. O endividamento total das famílias — o percentual de dívidas em relação à renda geral — cedeu marginalmente em junho, de 49,9% para 49,8%, mas permanece em patamares elevados historicamente. Sem o crédito habitacional, caiu de 31,1% para 30,8%.
A concessão de crédito total em julho caiu 1,6% ante junho, chegando a R$ 736,8 bilhões. No crédito livre, a queda foi de 1,9%, para R$ 656,1 bilhões. Houve aumento de 6,1% nos desembolsos para famílias nesse segmento, alcançando R$ 359,3 bilhões, mas queda de 10% para empresas, que receberam R$ 296,9 bilhões. No crédito direcionado, as concessões subiram 1% em julho, para R$ 80,7 bilhões.
Os números aumentam a preocupação com o mercado de crédito do país. No setor empresarial, acumulam-se notícias sobre recuperações judiciais e extrajudiciais. O Banco Central anunciou que está preparando medidas para mitigar o risco de crédito, considerando especialmente a composição de modalidades onerosas na dívida das famílias diante do comprometimento de renda recorde. A questão agora é se essas medidas conseguirão frear uma tendência que, apesar dos programas de renegociação já lançados, continua em alta.
Citas Notables
Banco Central anunciou que prepara medidas para mitigar o risco de crédito, considerando a composição de modalidades onerosas na dívida das famílias diante do comprometimento de renda recorde— Banco Central