Em 2022, Portugal e Brasil aprofundaram os laços que os unem através do Atlântico, mas de forma assimétrica: as compras portuguesas ao país sul-americano quase duplicaram, impulsionadas sobretudo pelo petróleo extraído pela Galp, enquanto as exportações lusas cresceram a um ritmo bem mais modesto. O Brasil ascendeu assim ao sétimo lugar entre os fornecedores de Portugal, tornando-se o segundo maior parceiro externo à União Europeia — um reposicionamento que revela tanto a dependência energética europeia como a crescente projeção económica brasileira.
Importações do Brasil quase duplicam e país salta para sétimo fornecedor de Portugal
Brasil salta para sétimo fornecedor, segundo maior fora da UE
Por que o Brasil subiu tão rapidamente na lista de fornecedores de Portugal? Parece uma mudança brusca.
A resposta é principalmente petróleo. As importações de combustíveis cresceram 84,5%, e a Galp aumentou sua produção lá. Quando uma empresa portuguesa expande operações no exterior, isso muda toda a dinâmica comercial.
Mas precisamos ser claros: esse crescimento de 90,5% é real em volume ou está inflacionado pelos preços do petróleo? O INE menciona que os preços subiram 14,2% nas importações em outubro.
É uma boa pergunta. O crescimento é nominal, então sim, inclui o efeito dos preços. Mas mesmo ajustando para isso, o volume de petróleo importado cresceu significativamente.
E as exportações portuguesas? Portugal também está ganhando com essa relação?
Cresceram 27,7%, o que é positivo. Mas o défice comercial de 3.261 milhões mostra que Portugal está comprando muito mais do que vendendo.
Exatamente. Portugal importa 4.020 milhões e exporta 759 milhões. É uma relação bastante desequilibrada, mesmo que ambos os lados cresçam.
Isso é sustentável? O défice pode continuar crescendo assim?
Depende da estratégia da Galp e da demanda por petróleo. Se a produção lá estabilizar, o crescimento das importações também vai desacelerar.
E já vemos sinais disso em outubro, quando o ritmo começou a abrandar. As exportações caíram de 25% para 21,1%, as importações de 30,4% para 26,2%.
Então o pico pode ter sido em setembro?
É possível. Mas é cedo para dizer se é uma desaceleração permanente ou apenas uma flutuação mensal.
The Pulse
- As importações portuguesas do Brasil dispararam 90,5% entre janeiro e outubro de 2022, atingindo 4.020 milhões de euros — um salto que poucos analistas antecipavam com esta magnitude.
- O petróleo é o grande protagonista desta história: os combustíveis minerais representam 60,3% de tudo o que Portugal compra ao Brasil, refletindo a aposta estratégica da Galp em aumentar a sua produção no país sul-americano.
- O desequilíbrio é difícil de ignorar — o défice comercial português com o Brasil atingiu 3.261 milhões de euros, numa relação onde as compras superam as vendas em proporção esmagadora.
- Em outubro, os sinais de desaceleração começaram a surgir: tanto as exportações como as importações cresceram a ritmos inferiores aos meses anteriores, sugerindo que o pico desta expansão pode estar a ser ultrapassado.
Em 2022, Portugal e Brasil aprofundaram os laços que os unem através do Atlântico, mas de forma assimétrica: as compras portuguesas ao país sul-americano quase duplicaram, impulsionadas sobretudo pelo petróleo extraído pela Galp, enquanto as exportações lusas cresceram a um ritmo bem mais modesto. O Brasil ascendeu assim ao sétimo lugar entre os fornecedores de Portugal, tornando-se o segundo maior parceiro externo à União Europeia — um reposicionamento que revela tanto a dependência energética europeia como a crescente projeção económica brasileira.
Entre janeiro e outubro de 2022, Portugal quase duplicou as suas compras ao Brasil. As importações cresceram 90,5% face ao mesmo período do ano anterior, alcançando 4.020 milhões de euros — um desempenho tão expressivo que colocou o Brasil na sétima posição entre os principais fornecedores de Portugal, tornando-o o segundo maior parceiro externo à União Europeia, atrás apenas da China.
O petróleo foi o motor desta transformação. As importações de combustíveis minerais subiram 84,5%, impulsionadas pelos óleos brutos e minerais betuminosos, que representam 60,3% de tudo o que Portugal importa do Brasil. O Instituto Nacional de Estatística já havia notado que, desde 2020, as taxas de crescimento das importações provenientes do Brasil superam consistentemente a média geral — dinâmica que reflete, em parte, a decisão da Galp de reforçar a sua produção petrolífera no país sul-americano.
A pauta importadora é, ainda assim, diversificada. Os produtos agrícolas ocupam a segunda posição com 19,5% do total, seguidos pelos metais comuns, madeira e cortiça, e veículos e materiais de transporte — categoria que ganhou peso com a importação de aeronaves.
As exportações portuguesas para o Brasil também cresceram, avançando 27,7% para 759 milhões de euros. Mas o desequilíbrio é evidente: o défice comercial atingiu 3.261 milhões de euros. Em outubro, o ritmo começou a abrandar dos dois lados — as exportações cresceram 21,1% e as importações 26,2%, abaixo dos valores registados em setembro —, mantendo, porém, a tendência de as compras ao exterior crescerem mais depressa do que as vendas.
Entre janeiro e outubro de 2022, Portugal quase duplicou suas compras ao Brasil. As importações cresceram 90,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 4.020 milhões de euros. O crescimento foi tão expressivo que o Brasil saltou para a sétima posição no ranking dos principais fornecedores de Portugal, consolidando-se como o segundo maior fornecedor fora da União Europeia, atrás apenas da China.
O motor desse crescimento foi o petróleo. As importações de combustíveis minerais aumentaram 84,5%, impulsionadas especialmente pelos óleos brutos de petróleo e minerais betuminosos. Esses produtos representam 60,3% de tudo que Portugal importa do Brasil. O Instituto Nacional de Estatística observou que desde 2020 as taxas de variação nas importações originárias do Brasil têm sido significativamente mais altas do que a média geral das importações portuguesas. Parte dessa dinâmica reflete a decisão da Galp de aumentar sua produção petrolífera no país sul-americano.
Além do petróleo, a pauta de importações é diversificada. Produtos agrícolas ocupam a segunda posição, com peso de 19,5%. Seguem-se os metais comuns com 7,1%, madeira e cortiça com 4,6%, e veículos e outros materiais de transporte com 2%. Esta última categoria ganhou relevância após crescer pela importação de aeronaves, saltando da 11.ª posição em 2021.
O comércio não é unidirecional. As exportações portuguesas para o Brasil também cresceram no mesmo período, avançando 27,7% para 759 milhões de euros. Ainda assim, o desequilíbrio é evidente. O défice comercial de Portugal com o Brasil atingiu 3.261 milhões de euros, refletindo uma relação comercial onde as compras superam as vendas em proporção significativa.
Em outubro especificamente, o ritmo de crescimento começou a desacelerar. As exportações portuguesas cresceram 21,1% naquele mês, abaixo dos 25% registados em setembro. As importações também travaram, subindo 26,2% em outubro contra 30,4% em setembro. O défice da balança comercial portuguesa como um todo agravou-se, atingindo 2.830 milhões de euros em outubro. Quando se exclui combustíveis e lubrificantes, o défice totalizou 1.980 milhões. Para o trimestre inteiro, as exportações cresceram 25,5% enquanto as importações avançaram 34,7%, mantendo a tendência de importações crescendo mais rapidamente que as vendas ao exterior.
Notable Quotes
Desde 2020, têm-se registado taxas de variação homóloga nas importações originárias do Brasil mais significativas do que as observadas no total das importações— Instituto Nacional de Estatística