Importações do Brasil quase duplicam e país salta para sétimo fornecedor de Portugal

Brasil salta para sétimo fornecedor, segundo maior fora da UE
Portugal quase duplicou importações do Brasil em dez meses, impulsionado principalmente por petróleo.
Mark

Por que o Brasil subiu tão rapidamente na lista de fornecedores de Portugal? Parece uma mudança brusca.

Mimi

A resposta é principalmente petróleo. As importações de combustíveis cresceram 84,5%, e a Galp aumentou sua produção lá. Quando uma empresa portuguesa expande operações no exterior, isso muda toda a dinâmica comercial.

Luke

Mas precisamos ser claros: esse crescimento de 90,5% é real em volume ou está inflacionado pelos preços do petróleo? O INE menciona que os preços subiram 14,2% nas importações em outubro.

Mimi

É uma boa pergunta. O crescimento é nominal, então sim, inclui o efeito dos preços. Mas mesmo ajustando para isso, o volume de petróleo importado cresceu significativamente.

Mark

E as exportações portuguesas? Portugal também está ganhando com essa relação?

Mimi

Cresceram 27,7%, o que é positivo. Mas o défice comercial de 3.261 milhões mostra que Portugal está comprando muito mais do que vendendo.

Luke

Exatamente. Portugal importa 4.020 milhões e exporta 759 milhões. É uma relação bastante desequilibrada, mesmo que ambos os lados cresçam.

Mark

Isso é sustentável? O défice pode continuar crescendo assim?

Mimi

Depende da estratégia da Galp e da demanda por petróleo. Se a produção lá estabilizar, o crescimento das importações também vai desacelerar.

Luke

E já vemos sinais disso em outubro, quando o ritmo começou a abrandar. As exportações caíram de 25% para 21,1%, as importações de 30,4% para 26,2%.

Mark

Então o pico pode ter sido em setembro?

Mimi

É possível. Mas é cedo para dizer se é uma desaceleração permanente ou apenas uma flutuação mensal.

  • As importações portuguesas do Brasil dispararam 90,5% entre janeiro e outubro de 2022, atingindo 4.020 milhões de euros — um salto que poucos analistas antecipavam com esta magnitude.
  • O petróleo é o grande protagonista desta história: os combustíveis minerais representam 60,3% de tudo o que Portugal compra ao Brasil, refletindo a aposta estratégica da Galp em aumentar a sua produção no país sul-americano.
  • O desequilíbrio é difícil de ignorar — o défice comercial português com o Brasil atingiu 3.261 milhões de euros, numa relação onde as compras superam as vendas em proporção esmagadora.
  • Em outubro, os sinais de desaceleração começaram a surgir: tanto as exportações como as importações cresceram a ritmos inferiores aos meses anteriores, sugerindo que o pico desta expansão pode estar a ser ultrapassado.

Em 2022, Portugal e Brasil aprofundaram os laços que os unem através do Atlântico, mas de forma assimétrica: as compras portuguesas ao país sul-americano quase duplicaram, impulsionadas sobretudo pelo petróleo extraído pela Galp, enquanto as exportações lusas cresceram a um ritmo bem mais modesto. O Brasil ascendeu assim ao sétimo lugar entre os fornecedores de Portugal, tornando-se o segundo maior parceiro externo à União Europeia — um reposicionamento que revela tanto a dependência energética europeia como a crescente projeção económica brasileira.

Entre janeiro e outubro de 2022, Portugal quase duplicou as suas compras ao Brasil. As importações cresceram 90,5% face ao mesmo período do ano anterior, alcançando 4.020 milhões de euros — um desempenho tão expressivo que colocou o Brasil na sétima posição entre os principais fornecedores de Portugal, tornando-o o segundo maior parceiro externo à União Europeia, atrás apenas da China.

O petróleo foi o motor desta transformação. As importações de combustíveis minerais subiram 84,5%, impulsionadas pelos óleos brutos e minerais betuminosos, que representam 60,3% de tudo o que Portugal importa do Brasil. O Instituto Nacional de Estatística já havia notado que, desde 2020, as taxas de crescimento das importações provenientes do Brasil superam consistentemente a média geral — dinâmica que reflete, em parte, a decisão da Galp de reforçar a sua produção petrolífera no país sul-americano.

A pauta importadora é, ainda assim, diversificada. Os produtos agrícolas ocupam a segunda posição com 19,5% do total, seguidos pelos metais comuns, madeira e cortiça, e veículos e materiais de transporte — categoria que ganhou peso com a importação de aeronaves.

As exportações portuguesas para o Brasil também cresceram, avançando 27,7% para 759 milhões de euros. Mas o desequilíbrio é evidente: o défice comercial atingiu 3.261 milhões de euros. Em outubro, o ritmo começou a abrandar dos dois lados — as exportações cresceram 21,1% e as importações 26,2%, abaixo dos valores registados em setembro —, mantendo, porém, a tendência de as compras ao exterior crescerem mais depressa do que as vendas.

Entre janeiro e outubro de 2022, Portugal quase duplicou suas compras ao Brasil. As importações cresceram 90,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 4.020 milhões de euros. O crescimento foi tão expressivo que o Brasil saltou para a sétima posição no ranking dos principais fornecedores de Portugal, consolidando-se como o segundo maior fornecedor fora da União Europeia, atrás apenas da China.

O motor desse crescimento foi o petróleo. As importações de combustíveis minerais aumentaram 84,5%, impulsionadas especialmente pelos óleos brutos de petróleo e minerais betuminosos. Esses produtos representam 60,3% de tudo que Portugal importa do Brasil. O Instituto Nacional de Estatística observou que desde 2020 as taxas de variação nas importações originárias do Brasil têm sido significativamente mais altas do que a média geral das importações portuguesas. Parte dessa dinâmica reflete a decisão da Galp de aumentar sua produção petrolífera no país sul-americano.

Além do petróleo, a pauta de importações é diversificada. Produtos agrícolas ocupam a segunda posição, com peso de 19,5%. Seguem-se os metais comuns com 7,1%, madeira e cortiça com 4,6%, e veículos e outros materiais de transporte com 2%. Esta última categoria ganhou relevância após crescer pela importação de aeronaves, saltando da 11.ª posição em 2021.

O comércio não é unidirecional. As exportações portuguesas para o Brasil também cresceram no mesmo período, avançando 27,7% para 759 milhões de euros. Ainda assim, o desequilíbrio é evidente. O défice comercial de Portugal com o Brasil atingiu 3.261 milhões de euros, refletindo uma relação comercial onde as compras superam as vendas em proporção significativa.

Em outubro especificamente, o ritmo de crescimento começou a desacelerar. As exportações portuguesas cresceram 21,1% naquele mês, abaixo dos 25% registados em setembro. As importações também travaram, subindo 26,2% em outubro contra 30,4% em setembro. O défice da balança comercial portuguesa como um todo agravou-se, atingindo 2.830 milhões de euros em outubro. Quando se exclui combustíveis e lubrificantes, o défice totalizou 1.980 milhões. Para o trimestre inteiro, as exportações cresceram 25,5% enquanto as importações avançaram 34,7%, mantendo a tendência de importações crescendo mais rapidamente que as vendas ao exterior.

Desde 2020, têm-se registado taxas de variação homóloga nas importações originárias do Brasil mais significativas do que as observadas no total das importações
— Instituto Nacional de Estatística
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