Imigrante venezuelano baleado pelo ICE permanece com projétil no corpo

Imigrante venezuelano baleado no torso por agente federal, com projétil alojado próximo à medula espinhal, permanece detido sem atendimento médico adequado.
Estou meio mal, ainda estou com a bala aqui dentro
Garcés fala por telefone do centro de detenção sobre sua condição médica após ser baleado pelo ICE.
Mark

Por que esse caso importa agora, especificamente? Há algo que o torna diferente de outras detenções?

Mimi

Garcés entrou legalmente pelo programa CBP One e tinha autorização de trabalho válida. O DHS disse que ele entrou ilegalmente, mas a advogada tem documentação que contradiz isso. É um caso onde a narrativa oficial colide com os fatos.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos — a advogada é a fonte sobre o programa CBP One e a autorização de trabalho. O DHS tem uma versão diferente. Ambas as partes têm incentivos. O que é verificável é que ele foi baleado e que a bala ainda está lá.

Mark

E quanto ao disparo em si? O agente alegou que Garcés estava tentando fugir?

Mimi

Garcés diz que estava procurando um lugar seguro para estacionar. O agente aparentemente interpretou o retorno como fuga. Não há câmeras de segurança mencionadas, não há relatório oficial do ICE sobre o que o agente viu ou pensou.

Luke

Exatamente. Temos apenas a versão de Garcés sobre o que aconteceu no carro. O relatório do ICE não foi divulgado. Sabemos que ele foi baleado — isso é fato. O resto é ainda contestado.

Mark

A advogada fala em agentes "excessivamente armados" e "mal treinados". Isso é uma opinião dela ou há dados?

Mimi

É uma opinião dela, baseada neste incidente e em um padrão mais amplo de críticas ao ICE. Mas ela está pedindo uma investigação independente, o que sugere que não confia no processo interno.

Luke

E vale notar que o ICE não respondeu publicamente às acusações específicas sobre o disparo. Temos o comunicado do DHS sobre a condição de Garcés, mas nada sobre a justificativa tática do agente.

Mark

Então o que sabemos com certeza?

Mimi

Que Garcés foi baleado no torso, que a bala está próxima à medula espinhal, que ele foi levado para um centro de detenção, e que está sendo processado para deportação.

Luke

E que quase 51 mil pessoas foram detidas em agosto. O contexto importa — isso não é um incidente isolado, é parte de uma operação em larga escala.

  • Wilber Garcés, 28 anos, baleado no torso por agente do ICE em Austin, Texas, em 20 de setembro
  • Projétil permanece alojado no corpo, próximo à medula espinhal, não foi removido
  • Garcés entrou legalmente via programa CBP One em 2024 e tinha autorização de trabalho válida, segundo sua advogada
  • Quase 51 mil imigrantes em situação irregular foram detidos em agosto de 2026 sob operações do governo Trump
  • Detido em centro de detenção em Pearsall, a cerca de 200 km de Austin, aguardando expulsão

Garcés entrava legalmente nos EUA via programa CBP One e tinha autorização de trabalho, contradizendo alegações do DHS de entrada ilegal. O incidente ocorre sob intensificação de operações migratórias do governo Trump, com quase 51 mil detenções em agosto de 2026.

Wilber Garcés, imigrante venezuelano de 28 anos, foi baleado no torso por agente do ICE em Austin, Texas, durante operação migratória. Permanece detido com a bala alojada no corpo, próxima à medula espinhal, sem receber atendimento médico adequado.

Wilber Garcés estava fazendo uma entrega pelo aplicativo DoorDash pelas ruas de Austin, no Texas, quando tudo mudou. Era domingo, 20 de setembro. Um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) bateu em seu carro e disparou contra ele. Agora, aos 28 anos, o imigrante venezuelano está detido em um centro de detenção a cerca de 200 quilômetros de Austin, com um projétil alojado no torso — tão próximo da medula espinhal que os médicos não conseguiram removê-lo.

Segundo o relato de Garcés, tudo começou quando uma caminhonete tentou bater em seu veículo sem ligar as luzes. Depois, um carro preto bloqueou seu caminho. Um agente desceu e pediu seus documentos. Garcés pediu para estacionar em um local seguro em vez de abandonar o carro no meio da avenida, mas os agentes não permitiram. Quando fez um retorno procurando um lugar apropriado, o agente começou a persegui-lo, aparentemente acreditando que estava tentando fugir. O agente bateu no carro duas vezes e atirou. Garcés não tem certeza de quantos disparos foram feitos — ele só sabe que sentiu um.

No hospital, os médicos planejavam fazer exames para uma possível cirurgia. Mas depois um médico disse que não — havia pressa para dar alta a Garcés e levá-lo para o centro de detenção. Ele protestou: como deixariam a bala dentro de seu corpo se ainda doía? Garcés afirma que não recebeu atendimento médico adequado. Uma enfermeira lhe deu um analgésico apenas de madrugada, e depois foi levado para uma cela sem camas. A dor é constante. A bala fraturou sua clavícula.

O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, informou que Garcés estava em condição estável e sob custódia federal aguardando expulsão. A agência alegou que ele havia entrado ilegalmente no país durante o governo Biden. Mas sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, apresenta uma versão diferente: Garcés entrou legalmente nos Estados Unidos em 2024 através do programa CBP One. Estava no país sob liberdade condicional, solicitava asilo e tinha uma autorização de trabalho válida. A ordem de deportação foi emitida porque ele não compareceu a uma audiência de imigração — a notificação havia sido enviada para um endereço onde ele já não morava.

Lincoln-Goldfinch planeja apresentar um pedido de medida cautelar para obter a libertação de seu cliente e garantir que ele receba atendimento médico adequado. Ela foi direto ao ponto sobre o que viu: "Não há absolutamente nenhuma justificativa para terem atirado nele." E foi além: "Os agentes do ICE estão excessivamente armados, ganhando muito, mal treinados e violentos." Ela exigiu que o ICE interrompa as abordagens de trânsito.

O caso de Garcés chega em um momento de intensificação das operações migratórias sob o governo Trump. Segundo dados do DHS, quase 51 mil imigrantes em situação irregular foram detidos em agosto de 2026. O presidente chegou à Casa Branca com a promessa de expulsar milhões de imigrantes. Román Palomares, presidente da Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos, pediu uma investigação independente, alegando que o DHS havia "perdido a credibilidade dos americanos". O ICE tem sido alvo de protestos e críticas em diferentes partes do país por seus procedimentos durante operações migratórias, incluindo o uso de armas de fogo.

Na segunda-feira após o disparo, funcionários apagaram várias mensagens contra a polícia migratória que haviam sido escritas em pilares de concreto perto do local onde Garcés foi baleado. Enquanto isso, ele permanece detido, falando com a imprensa por telefone desde o centro de detenção, sua esposa Elizdar ao seu lado durante uma entrevista coletiva. "Estou meio mal, ainda estou com a bala aqui dentro", disse ele. O que acontece a seguir dependerá da ação judicial que sua advogada está preparando — e de quanto tempo Garcés terá de esperar por atendimento médico enquanto aguarda.

Não há absolutamente nenhuma justificativa para terem atirado nele. Os agentes do ICE estão excessivamente armados, ganhando muito, mal treinados e violentos.
— Kate Lincoln-Goldfinch, advogada de Garcés
Fiz um retorno e foi aí que ele começou a me perseguir, achando que eu estava tentando fugir, mas eu estava procurando um lugar seguro para deixar meu carro.
— Wilber Garcés, em relato sobre o incidente
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