Em uma sexta-feira marcada pela tensão entre otimismo local e cautela global, o Ibovespa encontrou fôlego nas gigantes Vale e Petrobras, fechando em alta mesmo diante de dados inflacionários americanos que reacenderam dúvidas sobre o ritmo dos cortes de juros pelo Federal Reserve. O mercado brasileiro, ainda em patamar considerado descontado após semanas de recuo, sinalizou uma possível exaustão do movimento de baixa — um momento em que o pessimismo acumulado começa, paradoxalmente, a criar espaço para a esperança. A sessão revelou, uma vez mais, que os mercados navegam entre narrativas: a do
Ibovespa sobe 0,72% com Vale e Petrobras apesar de inflação elevada nos EUA
Há espaço para compra quando o mercado cai bem
Como o Ibovespa conseguiu subir 0,72% quando os dados de inflação nos EUA eram mais fortes que o esperado?
O mercado brasileiro meio que ignorou esse ruído. Analistas apontam que houve uma exaustão do movimento de baixa das últimas semanas — as ações caíram bastante, então havia espaço para compra. Vale e Petrobras puxaram o índice para cima.
Mas isso não é contraditório? Se a inflação americana está mais forte, os juros devem subir mais, o que prejudica mercados emergentes como o Brasil.
Verdade, e o S&P 500 caiu 0,48% por isso. Mas o Ibovespa tem suas próprias dinâmicas. Vale subiu 3,31% por questões internas de governança, Petrobras renovou máximas com preços de petróleo em alta.
E a Braskem? Por que disparou 10,32%?
Especulação sobre venda de controle. A Novonor quer vender sua participação, e há dois processos de due diligence em andamento — um da Adnoc, outro da Petrobras. Devem terminar em duas ou três semanas.
Mas isso é confirmado ou é só rumor de jornal?
São reportagens de mídia, incluindo reunião entre CEOs. Não é oficial, mas o mercado está precificando a possibilidade.
E quanto aos juros americanos? O que muda agora?
As apostas de corte do Fed foram adiadas. Era esperado em março, agora apontam maio ou junho. Isso deixa a perspectiva menos positiva que era no final de 2023.
Então o mercado brasileiro está apostando que essa exaustão de queda é real, mesmo com juros americanos mais altos por mais tempo?
Basicamente. Analistas veem espaço para compra porque o Ibovespa caiu quase 5% no ano, enquanto o S&P 500 subiu 5,5%. Há descolamento.
Isso é sustentável?
Depende. Gino Olivares, da Azimut, diz que os mercados estão convergindo para uma visão mais realista — ainda não há vitória sobre a inflação. Se os dados continuarem fortes, pode haver mais pressão.
El Pulso
- O Ibovespa subiu 0,72% e fechou aos 128.725,88 pontos, impulsionado por Vale (+3,31%) e Petrobras (+0,92%), que renovou máximas históricas em meio a preços do petróleo em alta.
- A Braskem disparou 10,32% com especulações sobre a venda da participação da Novonor na petroquímica, enquanto due diligences paralelas da Adnoc e da Petrobras avançam para uma possível conclusão em semanas.
- Dados de inflação mais fortes que o esperado nos EUA empurraram o rendimento do Treasury de 10 anos a 4,2851%, derrubando o S&P 500 em 0,48% e adiando apostas de corte de juros pelo Fed para maio ou junho.
- Analistas apontam exaustão do movimento de baixa e oportunidade de compra, mas alertam que o mercado precificou um cenário otimista demais no fim de 2023 — e agora converge para uma visão mais realista sobre a inflação americana.
- No radar corporativo, o futuro do CEO da Vale divide o conselho de administração após sinalização do governo, enquanto Cogna avança com o lançamento do 'Fies Social' e Santander Brasil sobe com upgrade do Bank of America.
Em uma sexta-feira marcada pela tensão entre otimismo local e cautela global, o Ibovespa encontrou fôlego nas gigantes Vale e Petrobras, fechando em alta mesmo diante de dados inflacionários americanos que reacenderam dúvidas sobre o ritmo dos cortes de juros pelo Federal Reserve. O mercado brasileiro, ainda em patamar considerado descontado após semanas de recuo, sinalizou uma possível exaustão do movimento de baixa — um momento em que o pessimismo acumulado começa, paradoxalmente, a criar espaço para a esperança. A sessão revelou, uma vez mais, que os mercados navegam entre narrativas: a do mundo que deveria ser e a do mundo que os dados insistem em mostrar.
A bolsa brasileira encerrou a semana em alta nesta sexta-feira, 16 de fevereiro, com o Ibovespa subindo 0,72% para 128.725,88 pontos. O destaque ficou com Vale, que avançou 3,31% em meio a rumores sobre o futuro do CEO Eduardo Bartolomeo — com membros do conselho divididos após o governo demonstrar insatisfação com os rumos da mineradora. A Petrobras ganhou 0,92%, renovando máximas históricas com apoio dos preços do petróleo no exterior. A Braskem foi a grande surpresa do pregão, disparando 10,32% com notícias sobre o avanço das due diligences conduzidas pela Adnoc e pela Petrobras para a compra da participação da Novonor na petroquímica.
O desempenho positivo ocorreu a contrapelo do cenário externo: dados de inflação mais fortes que o esperado nos Estados Unidos elevaram o rendimento do Treasury de 10 anos a 4,2851% e derrubaram o S&P 500 em 0,48%. As apostas de corte de juros pelo Federal Reserve, que no fim de 2023 apontavam para março, agora se deslocaram para maio ou junho. Analistas como Luis Novaes, da Terra Investimentos, enxergam na queda acumulada de quase 5% do Ibovespa no ano um patamar descontado que abre espaço para compras.
Gino Olivares, da Azimut Brasil Wealth Management, resume o momento: os mercados se apressaram a precificar um cenário ideal — desinflação, crescimento e cortes agressivos de juros — e agora ajustam as expectativas para uma realidade mais cautelosa, na qual a vitória sobre a inflação ainda não pode ser declarada. Entre outros destaques, a Cogna subiu 2,11% após o lançamento do 'Fies Social' pelo governo federal, enquanto TIM e Telefônica Brasil recuaram. O Santander Brasil fechou em alta de 2,04% após o Bank of America elevar sua recomendação para neutra e o preço-alvo para 32 reais.
A bolsa brasileira fechou em alta nesta sexta-feira, 16 de fevereiro, com o Ibovespa subindo 0,72% e encerrando o pregão aos 128.725,88 pontos. O movimento foi impulsionado principalmente pelas ações da Vale, que avançou 3,31%, e da Petrobras, que ganhou 0,92% e renovou máximas históricas. A sessão também foi marcada pelo salto de 10,32% das ações da Braskem, em meio a especulações sobre uma mudança no controle da petroquímica. O volume financeiro movimentado chegou a 23,3 bilhões de reais, em um pregão ainda influenciado pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.
O desempenho positivo do índice de referência do mercado acionário brasileiro ocorreu apesar de dados de inflação mais fortes que o esperado nos Estados Unidos terem sustentado a alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. O Treasury de 10 anos marcava 4,2851% no final da tarde, ante 4,24% no dia anterior, chegando a 4,33% na máxima. Enquanto isso, o S&P 500 caiu 0,48%, refletindo a pressão inflacionária no mercado americano. A semana foi mais curta em razão do Carnaval, e o Ibovespa acumulou ganho de 0,55% no período.
Analistas atribuem a recuperação do índice a uma exaustão do movimento de baixa das últimas semanas. Luis Novaes, da Terra Investimentos, observou que as cotações caíram significativamente e a bolsa ainda se encontra em um patamar descontado, criando oportunidades de compra. Ele ressalvou, porém, que a perspectiva de juros nos Estados Unidos não é tão positiva quanto era esperado no final de 2023, quando havia apostas de que o Federal Reserve poderia começar a cortar em março. Agora, após os novos dados inflacionários, as expectativas apontam para maio ou junho como possível início dos cortes.
Até a véspera, o Ibovespa acumulava um declínio de quase 5% no ano, enquanto o S&P 500 somava uma alta de 5,5%. Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, argumenta que os mercados se apressaram a precificar um cenário extremamente favorável, com desinflação, crescimento e um ciclo agressivo de cortes de juros. Segundo ele, o Federal Reserve manteve uma postura mais cautelosa, mas seus erros de comunicação dificultaram a transmissão dessa mensagem. Agora, os mercados parecem estar convergindo para uma visão mais realista, na qual ainda não é possível declarar vitória sobre a inflação.
Entre os destaques do dia, a Vale subiu 3,31% para 67,68 reais, com o mercado acompanhando noticiário sobre uma reunião do conselho de administração envolvendo questões de controle da companhia. Fontes ouvidas pela Reuters informaram que membros do colegiado estão divididos sobre renovar ou não o mandato do CEO Eduardo Bartolomeo, após o governo ter demonstrado insatisfação com os rumos da mineradora e sinais de que buscaria influenciar na escolha de um novo executivo. Também no radar estão a retomada do mercado chinês na semana seguinte, após feriado de vários dias, e a divulgação dos resultados da Vale.
A Petrobras avançou 0,92% para 42,69 reais, renovando máximas históricas, encontrando apoio nos preços do petróleo no exterior, onde o barril fechou com elevação de 0,74%. A Braskem disparou 10,32% para 19,25 reais em meio a fluxo de notícias relacionadas a uma esperada venda da participação da Novonor, antiga Odebrecht, na petroquímica. Reportagens indicaram que o CEO da Petrobras se reuniu com o CEO da Adnoc, com a Braskem sendo um dos temas abordados. Segundo o Valor Econômico, os processos de due diligence em paralelo na Braskem, um conduzido pela Adnoc e outro pela Petrobras, avançaram e devem ser concluídos em duas ou três semanas, podendo levar o processo de venda para uma nova fase.
No setor de educação, a Cogna avançou 2,11% para 2,42 reais, após o governo federal lançar o "Fies Social", programa que busca garantir condições especiais de acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil para estudantes com renda familiar per capita de até meio salário-mínimo. Analistas do Citi veem esse movimento como sugestivo de que novas mudanças podem estar nas cartas no curto prazo para as ações de ensino superior. No setor de telecomunicações, a TIM cedeu 3,81% para 17,40 reais, no segundo pregão seguido de ajustes negativos, enquanto a Telefônica Brasil perdeu 2,54% para 52,66 reais. Entre os bancos, o Santander Brasil se destacou positivamente, fechando em alta de 2,04%, apoiado por relatório de analistas do Bank of America elevando a recomendação para "neutra" e o preço-alvo de 29 para 32 reais.
Citas Notables
Essa alta pode ser em razão de uma exaustão do movimento de baixa dessas últimas semanas— Luis Novaes, analista da Terra Investimentos
Os mercados se apressaram a precificar um cenário extremamente favorável, mas agora parecem estar convergindo a uma visão mais realista, na qual ainda não é possível declarar vitória sobre a inflação— Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management