Ibovespa cai 0,88% com pressão externa, setor financeiro e Petrobras

Ações de setores ligados ao cenário global sofrem como um todo
Analista explica por que Petrobras e bancos foram os maiores pesos negativos do dia.
Mark

Por que o mercado brasileiro caiu se a inflação veio melhor que o esperado?

Mimi

Porque o Brasil não está isolado. Os mercados americanos caíram por medo de recessão, e isso pesa mais que uma boa notícia local. Quando o exterior está assustado, ações ligadas a commodities e bancos sofrem aqui também.

Mark

E por que especificamente Petrobras e bancos?

Mimi

Petrobras porque o petróleo desabou — estoques nos EUA caíram mais que o previsto. Os bancos porque há dois problemas: o pânico bancário americano assusta investidores globais, e aqui em casa a inadimplência subiu. É pressão de dois lados.

Mark

Vale subiu mesmo com tudo isso caindo?

Mimi

Sim, porque o minério de ferro se recuperou um pouco em Cingapura. Vale é sensível a commodities, então quando há sinais de recuperação, ela reage. Mas foi uma recuperação modesta — o mercado ainda está cauteloso.

Mark

O que os investidores estão esperando agora?

Mimi

Dados dos EUA. Números de atividade econômica e inflação americana vão dizer se o Federal Reserve vai continuar subindo juros ou se vai parar. Isso vai definir o tom para os próximos movimentos aqui.

Mark

A inflação brasileira melhorando não é suficiente para animar o mercado?

Mimi

Não quando os núcleos ainda estão altos. A equipe do Itaú foi clara: há desinflação em curso, mas as pressões estruturais persistem. E de qualquer forma, quando o exterior está em pânico, notícias boas locais ficam em segundo plano.

  • Ibovespa caiu 0,88% para 102.312,10 pontos, terceira queda consecutiva
  • IPCA-15 subiu 0,57% em abril, abaixo dos 0,61% esperados
  • S&P 500 caiu 0,38% e Dow Jones recuou 0,68% nos EUA
  • Petrobras recuou 1,26% e setor financeiro foi principal peso negativo
  • Inadimplência no segmento de recursos livres subiu para 4,6% em março

Índice fechou em queda de 0,88% a 102.312,10 pontos, terceira queda consecutiva, com Petrobras e setor financeiro como maiores pesos negativos. Inflação IPCA-15 subiu 0,57% em abril, abaixo dos 0,61% esperados, mas núcleos de inflação seguem acima da meta, indicando desinflação parcial.

O Ibovespa caiu 0,88% nesta quarta-feira, pressionado por preocupações com economia global e setor bancário dos EUA, enquanto inflação brasileira IPCA-15 veio abaixo do esperado.

A bolsa brasileira fechou em queda nesta quarta-feira, refletindo um dia de cautela que começou lá fora e ecoou por aqui. O Ibovespa recuou 0,88%, encerrando em 102.312,10 pontos — a terceira queda seguida — com um volume financeiro de 18,6 bilhões de reais movimentado durante a sessão. O movimento foi puxado principalmente por dois vetores: a pressão externa vinda dos mercados americanos, onde temores de recessão econômica ganhavam força, e a fraqueza do setor financeiro doméstico, que sofria tanto com os ecos da crise bancária americana quanto com dados locais de inadimplência em alta.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu 0,38% e o Dow Jones recuou 0,68%, ambos pressionados por preocupações com a atividade econômica global. O First Republic Bank, que desabou novamente, mantinha viva a ansiedade com a saúde do sistema bancário norte-americano. A exceção foi o Nasdaq, que fechou em alta graças aos resultados positivos de empresas de tecnologia, particularmente a Microsoft. Segundo Adriano Yamamoto, head comercial da corretora do C6 Bank, os fatores externos dominaram a sessão: ações ligadas ao cenário global sofreram como um todo, com destaque para papéis de commodities — embora a Vale tenha conseguido alguma recuperação.

No Brasil, o índice de inflação IPCA-15 subiu 0,57% em abril, segundo dados do IBGE, uma desaceleração frente aos 0,69% registrados em março. O resultado veio abaixo dos 0,61% que analistas esperavam, sinalizando um movimento de desinflação. Porém, as medidas de núcleo da inflação continuavam rodando acima do compatível com a meta, o que levou a equipe do Itaú a observar que, embora o cenário de desinflação estivesse em curso, ainda havia pressões estruturais a monitorar. Os investidores agora observam com atenção os próximos dados de atividade econômica e inflação dos EUA, buscando pistas sobre o caminho que o Federal Reserve seguirá com a trajetória dos juros.

Petrobras e o setor financeiro foram os maiores pesos negativos do dia. A Petrobras recuou 1,26% para 26,75 reais, pressionada pela queda de 3,8% do petróleo Brent após dados mostrarem uma redução maior do que esperada nos estoques da commodity nos EUA. A PRIO ON caiu 3,32% e a 3R Petroleum perdeu 1,81%. No segmento bancário, o Itaú Unibanco cedeu 1,02% para 25,34 reais e o Bradesco perdeu 1,46% para 13,5 reais, afetados tanto pelos temores com o setor bancário americano quanto por dados do Banco Central mostrando que a inadimplência no segmento de recursos livres havia subido para 4,6% em março, ante 4,5% no mês anterior.

Entre os destaques de alta, a Vale avançou 0,39% para 70,27 reais, interrompendo uma sequência de quatro quedas consecutivas, conforme os contratos futuros de minério de ferro se recuperavam modestamente na bolsa de Cingapura — ainda que tivessem ampliado as perdas em Dalian, na China. A MRV ON ganhou 6,89% para 6,52 reais, com investidores atentos a uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, marcando apenas a segunda alta do papel em oito sessões.

A temporada de balanços corporativos também estava no radar. A GOL PN caiu 6,4% para 6 reais após divulgar lucro líquido de 619,5 milhões de reais no primeiro trimestre, uma queda de 76,2% em relação ao ano anterior, embora tenha apurado um Ebitda recorrente de 1,24 bilhão de reais, mais que o dobro do resultado de um ano antes. A AZUL PN cedeu 4,17%. A WEG ON recuou 1,06% para 40,11 reais apesar de reportar lucro líquido de 1,3 bilhão de reais no primeiro trimestre, alta de 38,4%, porque seu resultado operacional ficou abaixo das expectativas do mercado. A Embraer ON perdeu 0,81% para 19,66 reais após anunciar sete entregas de aviões comerciais e oito jatos executivos no trimestre, contra 14 entregas um ano antes, mantendo uma carteira de pedidos firmes em 17,4 bilhões de dólares. A XP caiu 1,48% para 13,31 dólares em Nova York depois de reportar captação líquida de 16,2 bilhões de reais no primeiro trimestre, uma queda de 65% na base anual.

Ações de setores mais ligados ao cenário global estão sofrendo como um todo
— Adriano Yamamoto, head comercial da corretora do C6 Bank
A leitura do IPCA-15 de abril corrobora o cenário de desinflação em curso, embora as medidas de núcleo ainda sigam rodando acima do compatível com o cumprimento da meta de inflação
— Equipe do Itaú
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