IBGE venderá mapa com Brasil no centro após 'grande sucesso' de lançamento

O Brasil no centro do mundo, não mais à esquerda
O mapa-múndi do IBGE reposiciona o Brasil na projeção cartográfica, gerando debate sobre representação geográfica e identidade nacional.
Mark

Por que um mapa despertou tanta reação? Não é apenas uma forma diferente de ver o mundo?

Mimi

É, tecnicamente. Mas mapas nunca foram neutros. Durante séculos, as projeções convencionais colocavam a Europa ou o Hemisfério Norte no centro, e isso refletia poder geopolítico. Quando o Brasil aparece no centro, algumas pessoas veem uma correção histórica; outras veem uma provocação desnecessária.

Luke

Mas o IBGE não inventou isso, certo? Outros países já fizeram o mesmo?

Mimi

Exatamente. A Austrália, a Nova Zelândia, a África do Sul — todos já produziram mapas com suas regiões centralizadas. O ex-presidente Olinto deixa isso claro.

Mark

Então por que gerou tanta polêmica aqui?

Mimi

Talvez porque o Brasil está em um momento de debate sobre identidade e lugar no mundo. E o IBGE amplificou isso ao apresentar o mapa como um grande lançamento, com fotos para o presidente e ministros.

Luke

Mas isso é especulação. O que sabemos é que o instituto recebeu muitos pedidos e decidiu vender. O resto é interpretação.

Mark

O preço de R$ 10 é simbólico ou comercial?

Mimi

Provavelmente ambos. É acessível, mas também torna o mapa um produto, não apenas um documento.

Luke

E não sabemos quantos foram vendidos ou quantos serão. Isso é importante para avaliar se o "grande sucesso" é real ou retórica.

Mark

Olinto tem razão em chamar de ruído excessivo?

Mimi

Ele tem um ponto. A cartografia é técnica. Mas a política de como apresentamos a nós mesmos também importa.

  • O lançamento do mapa durante evento do G20 no Rio de Janeiro gerou uma avalanche de pedidos que o IBGE não esperava, forçando a decisão rápida de comercializá-lo.
  • Nas redes sociais, o mesmo produto foi chamado simultaneamente de 'lacração geográfica' e 'ícone decolonial', revelando como um objeto cartográfico pode funcionar como campo de batalha cultural.
  • O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, alimentou o debate ao publicar fotos do mapa ao lado de Lula, ministros e senadores, declarando que o instituto 'mostra o Brasil no centro do mundo'.
  • O ex-presidente da instituição, Roberto Olinto, alertou que outros países já fizeram o mesmo sem alarde, e que o verdadeiro problema foi a forma de divulgação, que amplificou a polarização desnecessariamente.
  • A partir de terça-feira, o mapa em formato A3 passa a estar disponível na loja virtual do IBGE por R$ 10, transformando a controvérsia em produto acessível ao público.

Desde os primeiros mapas, a escolha de onde colocar o centro do mundo nunca foi neutra — ela revela quem narra a história. Ao posicionar o Brasil no meio da projeção cartográfica e comercializar esse olhar por R$ 10, o IBGE transformou um instrumento técnico em espelho de identidade nacional, provocando o tipo de debate que só surge quando uma nação começa a se perguntar como deseja ser vista. O gesto é antigo em outros países; o eco, aqui, é novo.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística anunciou na segunda-feira que colocará à venda um mapa-múndi com o Brasil posicionado no centro da projeção cartográfica. A decisão foi tomada após o lançamento do produto, na semana anterior, durante evento na Casa G20, no Rio de Janeiro, gerar uma demanda inesperadamente alta por consultas e pedidos.

A partir de terça-feira, o mapa estará disponível na loja virtual do IBGE no formato A3 — 42 por 29,7 centímetros — pelo preço de R$ 10, mais frete. A projeção destaca os países membros do G20 e aqueles com representação diplomática brasileira, além de trazer dados básicos sobre o Brasil.

O lançamento dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto alguns classificaram a iniciativa como 'lacração geográfica', outros a saudaram como um 'ícone decolonial'. A simples mudança de perspectiva — tirar o Brasil da margem esquerda e colocá-lo ao centro — foi suficiente para acender debates sobre cartografia, geopolítica e identidade nacional.

O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, abraçou a repercussão, publicando fotos da apresentação do mapa ao presidente Lula, ministros e senadores, e afirmando que 'os mapas representam a própria face de uma nação'. Já Roberto Olinto, ex-presidente da instituição, adotou tom mais cauteloso: observou que outros países já produziram projeções similares sem gerar tanta controvérsia, e criticou a forma de divulgação do IBGE por ter amplificado a polarização. 'É um ruído excessivo, mas tem problema dos dois lados', avaliou.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística anunciou nesta segunda-feira que comercializará um mapa-múndi que posiciona o Brasil no centro da projeção cartográfica. A decisão veio após o que o IBGE chamou de "grande sucesso" no lançamento do produto, ocorrido na semana anterior durante um evento na Casa G20, no Rio de Janeiro, em conjunto com a 9ª edição do Atlas Geográfico Escolar.

O instituto recebeu tantas consultas e pedidos sobre disponibilidade que decidiu colocar o mapa à venda em sua loja virtual. A partir de terça-feira (16 de abril), o produto estará disponível no formato A3, medindo 42 centímetros por 29,7 centímetros, pelo preço de R$ 10, mais o custo de frete. O mapa já havia aparecido na vitrine da loja virtual na tarde de segunda-feira.

A projeção cartográfica marca os países membros do G20 e aqueles que possuem representação diplomática brasileira, além de incluir informações básicas sobre o Brasil, como população e área territorial. O lançamento despertou reações polarizadas nas redes sociais. Alguns usuários chamaram a iniciativa de "lacração geográfica", enquanto outros a descreveram como um "ícone decolonial". A mudança de perspectiva — colocar o Brasil no centro em vez de à esquerda, como é convencional — surpreendeu muitos internautas e gerou discussões sobre cartografia, geopolítica e patriotismo.

Marcio Pochmann, presidente do IBGE, compartilhou o lançamento em seu perfil no X, publicando fotos da apresentação do mapa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e senadores. Em sua postagem, Pochmann afirmou que "o novo IBGE mostra o Brasil no centro do mundo" e que os mapas "representam a própria face de uma nação". O presidente também defendeu que o instituto disseminasse seus documentos de forma mais ampla, expandindo as formas de comunicação.

Não todos compartilham o entusiasmo. Roberto Olinto, ex-presidente do IBGE, criticou o que chamou de "ruído excessivo" nos debates gerados pelo lançamento. Em entrevista concedida no sábado anterior, Olinto observou que outros países já produziram projeções cartográficas similares, destacando seus territórios ao centro, sem gerar a mesma controvérsia. Segundo ele, o IBGE segue padrões cartográficos que são tecnicamente válidos, mas a discussão que se seguiu foi desproporcional. Olinto também criticou a forma como o instituto divulgou o trabalho, sugerindo que a abordagem contribuiu para amplificar a polarização. "É um ruído excessivo, mas acho que tem problema dos dois lados. Tem de tomar muito cuidado na divulgação para não gerar isso", avaliou o ex-presidente.

O novo IBGE mostra o Brasil no centro do mundo, e os mapas representam a própria face de uma nação
— Marcio Pochmann, presidente do IBGE
É um ruído excessivo, mas acho que tem problema dos dois lados. Tem de tomar muito cuidado na divulgação para não gerar isso
— Roberto Olinto, ex-presidente do IBGE
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