Hacker preso admite reuniões no Ministério da Defesa para discutir segurança de urnas eletrônicas em 2022. Ministro da Defesa confirmou encontro e ordenou afastamento temporário de servidores identificados pela PF.
Hacker da Vaza Jato esteve em reuniões no Ministério da Defesa antes de 2022
Preciso saber com quem ele esteve e o que conversou
Por que essas reuniões no Ministério da Defesa importam tanto? O que um hacker estaria discutindo sobre urnas eletrônicas com servidores do governo?
A questão é que Delgatti não é um ativista comum. Ele já havia invadido sistemas de autoridades, vazado informações sigilosas. Se ele estava no ministério discutindo segurança eleitoral pouco antes das eleições, há perguntas legítimas sobre o que foi conversado e se houve qualquer tentativa de comprometer a integridade das urnas.
Mas espera — o que sabemos de verdade aqui? O advogado sabe com quem Delgatti se reuniu, mas não disse nada. O ministro confirmou que ele esteve lá, mas não sabe com quem. A Polícia Federal não comenta. Então na verdade não sabemos o conteúdo de nenhuma conversa, nem quem estava envolvido.
Verdade. O que temos é a confirmação de que o encontro aconteceu e a discussão era sobre segurança de urnas. Mas você está certo — os detalhes específicos ainda estão sob investigação.
E quanto à deputada Zambelli? Ela apresentou Delgatti ao Bolsonaro e ao presidente do PL. Isso sugere alguma conexão política mais ampla?
Zambelli diz que apresentou o hacker porque ele queria oferecer serviços de auditoria ao partido, mas que o negócio não foi fechado. Ela pagou três mil reais por trabalho em site e redes sociais. Nada disso prova que houve um plano coordenado.
Mas o padrão é preocupante. Um hacker que já invadiu sistemas de autoridades, que estava discutindo urnas eletrônicas com o Ministério da Defesa, que foi apresentado a líderes políticos — tudo isso antes de uma eleição presidencial.
Então o que vem agora? Como a investigação avança?
O ministro pediu à PF que identifique os servidores. Se isso acontecer, eles serão afastados enquanto as conversas são apuradas. Mas a PF não está comentando, então não sabemos o cronograma ou se já têm essa informação.
E há também a questão maior: se houve qualquer tentativa real de comprometer as urnas, ou se isso era apenas uma discussão sobre segurança. Essas são perguntas que a investigação precisa responder.
Il Polso
- Walter Delgatti preso preventivamente desde 2 de agosto de 2023
- Reuniões no Ministério da Defesa ocorreram antes das eleições de 2022
- Ministro José Múcio Monteiro confirmou o encontro e pediu identificação dos servidores
- Delgatti admitiu invadir sistemas do CNJ e inserir documentos falsos em janeiro de 2023
- Terceira detenção preventiva do hacker desde julho de 2019
Hacker preso admite reuniões no Ministério da Defesa para discutir segurança de urnas eletrônicas em 2022. Ministro da Defesa confirmou encontro e ordenou afastamento temporário de servidores identificados pela PF.
Walter Delgatti, conhecido como Hacker da Vaza Jato, afirma ter se reunido com servidores do Ministério da Defesa antes das eleições de 2022. O ministro da Defesa confirmou o encontro e pediu à PF que identifique os servidores envolvidos.
Walter Delgatti, o hacker que ficou conhecido por vazar informações sigilosas extraídas de telefones de autoridades, diz ter se reunido com funcionários do Ministério da Defesa pouco antes das eleições presidenciais de 2022. A afirmação foi confirmada nesta quarta-feira (16 de agosto) pelo seu advogado, Ariovaldo Moreira, ao chegar à sede da Polícia Federal em Brasília para acompanhar o depoimento de seu cliente. Moreira sabia identificar com quem Delgatti esteve no ministério, mas recusou-se a divulgar nomes, datas ou outros detalhes do encontro.
Duas semanas antes, quando Delgatti foi preso preventivamente acusado de invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserir documentos falsos no banco de dados de mandados de prisão, Moreira havia revelado à GloboNews que o hacker esteve no Ministério da Defesa discutindo a segurança das urnas eletrônicas. Agora, o próprio ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confirmou publicamente que Delgatti visitou o ministério. Monteiro disse que solicitou à Polícia Federal que identificasse quais servidores estiveram em contato com o hacker, prometendo que assim que os nomes fossem revelados, essas pessoas seriam afastadas temporariamente de suas funções enquanto a natureza das conversas fosse investigada.
O ministro expressou frustração com a falta de informações precisas. Ele explicou que não podia confiar apenas nos registros de entrada e saída de visitantes do ministério, pois Delgatti poderia ter fornecido um nome falso na recepção sem realmente ter se encontrado com essa pessoa. Monteiro deixou claro que precisava dos nomes específicos para tomar as medidas apropriadas: afastar os servidores envolvidos e permitir que a Polícia Federal determinasse se as conversas haviam comprometido a segurança ou a integridade de sistemas críticos. A Polícia Federal, quando consultada, recusou-se a comentar sobre investigações em andamento.
Delgatti permanece preso em caráter preventivo desde 2 de agosto, detido sob autorização do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, no contexto da Operação 3FA. Em seu depoimento inicial, o hacker admitiu que em janeiro de 2023 invadiu os sistemas do Conselho Nacional de Justiça, inserindo documentos fraudulentos e alvarás de soltura falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão. Entre os documentos forjados estava um mandado de prisão contra o próprio ministro Moraes. Delgatti também confessou ter agido a pedido da deputada Carla Zambelli, com o objetivo de desacreditar o Poder Judiciário — acusação que Zambelli nega veementemente.
No mesmo dia da prisão de Delgatti, agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete de Zambelli. A deputada convocou a imprensa e admitiu ter pagado três mil reais ao hacker por melhorias em seu site e redes sociais. Ela também confirmou que apresentou Delgatti ao presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando que o hacker desejava oferecer seus serviços ao partido para uma possível auditoria nas urnas eletrônicas. Segundo Zambelli, o negócio nunca foi concretizado.
Esta é a terceira detenção preventiva de Delgatti desde julho de 2019. A primeira ocorreu no âmbito da Operação Spoofing, que investigava a invasão dos telefones celulares do então ministro da Justiça Sergio Moro e de outras autoridades. Libertado em setembro de 2020 sob medidas cautelares que incluíam tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros réus, Delgatti foi preso novamente em junho de 2023 por violar essas restrições. Após cerca de um mês de prisão, foi solto mais uma vez com novas obrigações. No início de agosto, diante de novas evidências de sua participação na invasão dos sistemas do Poder Judiciário, a Polícia Federal solicitou sua prisão novamente.
O apelido Hacker da Vaza Jato originou-se da divulgação de informações obtidas ilegalmente de telefones de autoridades, incluindo mensagens trocadas entre Moro e Deltan Dallagnol, então coordenador da força-tarefa Lava Jato. Quando essas informações vieram à tona, geraram a chamada Operação Vaza Jato, expondo os bastidores da Operação Lava Jato e alimentando críticas de que o Poder Judiciário havia vazado informações sigilosas de forma seletiva com objetivos políticos, violado o devido processo legal e abusado de prisões preventivas para forçar acordos de delação premiada. Agora, as reuniões de Delgatti no Ministério da Defesa antes das eleições de 2022 adicionam uma nova camada de complexidade a um caso que já envolvia questões profundas sobre segurança de sistemas críticos e possível interferência política.
Citazioni salienti
Eu quero os nomes das pessoas com quem o hacker esteve. Porque eu tomo as providências, afasto as pessoas com as quais ele esteve, as pessoas a quem ele orientou— Ministro da Defesa José Múcio Monteiro
O hacker queria oferecer os serviços dele ao PL, participando de uma eventual auditoria nas urnas eleitorais eletrônicas. Porém, o negócio não foi fechado— Deputada Carla Zambelli, sobre sua relação com Delgatti