Em meio à dor coletiva provocada por terremotos que ceifaram centenas de vidas na Colômbia e na Venezuela, a deputada Sônia Guajajara escolheu um painel acadêmico para lançar uma pergunta sem resposta: haveria alguma ligação entre esses desastres naturais e a ascensão da direita nesses países? A observação, feita sem evidências científicas, revela menos sobre geologia e mais sobre o estado de ansiedade política que permeia o debate público contemporâneo — onde a busca por sentido diante do caos pode levar à tentação de conectar o incompatível.
Guajajara associa terremotos na Colômbia e Venezuela à ascensão da direita
Onde a extrema-direita ocupou, os terremotos aconteceram
Como uma deputada federal consegue conectar terremotos a mudanças políticas sem parecer estar forçando uma narrativa?
Ela mesma admitiu não saber a conexão. O que Guajajara estava fazendo era apontar uma coincidência temporal e geográfica que a incomodava — terremotos graves em países que recentemente elegeram governos de direita.
Mas terremotos são fenômenos geológicos. Não têm nada a ver com política.
Exato. E ela sabe disso. O que talvez a preocupe não seja a causa dos tremores, mas como os governos de direita responderam a eles — quem ajudaram, quem excluíram, que narrativas construíram.
A Colômbia aceitou ajuda apenas de aliados ideológicos. Isso é relevante?
Para Guajajara, sim. Ela estava em um painel sobre justiça climática e racismo ambiental. O ponto não era negar a geologia, mas questionar como crises ambientais são gerenciadas politicamente.
E por que ela não explicou isso melhor?
Talvez porque estava pensando em voz alta, ou porque sabia que qualquer tentativa de conectar os pontos soaria especulativa. Às vezes o silêncio é mais honesto que uma justificativa fraca.
A Venezuela teve mais mortos que a Colômbia, mas sob governo de esquerda interino.
Verdade. O que complica a narrativa que ela estava sugerindo. Talvez por isso ela tenha deixado a questão aberta em vez de fechá-la.
El Pulso
- Um terremoto de magnitude 7,4 devastou a Colômbia em 10 de agosto, matando 281 pessoas e deixando quase 4 mil feridas — uma tragédia que ainda contabiliza centenas de desaparecidos.
- Na Venezuela, dois terremotos em junho somaram mais de 6.125 mortos, tornando o cenário humanitário da região ainda mais crítico.
- A deputada Sônia Guajajara, durante evento na PUC-SP, sugeriu uma conexão entre esses desastres e a ascensão da direita nos países afetados, sem apresentar qualquer evidência que sustente a relação.
- A declaração gerou ruído imediato: feita ao lado de Marina Silva e de outra deputada, a fala mistura leitura política com fenômeno natural de forma que permanece, por ora, como especulação.
- A assessoria de Guajajara não respondeu ao pedido de esclarecimento do Poder360, deixando a afirmação sem qualquer fundamentação pública adicional.
Em meio à dor coletiva provocada por terremotos que ceifaram centenas de vidas na Colômbia e na Venezuela, a deputada Sônia Guajajara escolheu um painel acadêmico para lançar uma pergunta sem resposta: haveria alguma ligação entre esses desastres naturais e a ascensão da direita nesses países? A observação, feita sem evidências científicas, revela menos sobre geologia e mais sobre o estado de ansiedade política que permeia o debate público contemporâneo — onde a busca por sentido diante do caos pode levar à tentação de conectar o incompatível.
Na terça-feira 11 de agosto, durante um painel sobre racismo ambiental e justiça climática na PUC-SP, a deputada federal Sônia Guajajara fez uma observação que gerou mais perguntas do que respostas. A ex-ministra dos Povos Indígenas, candidata à reeleição pelo Psol-SP, sugeriu haver alguma conexão entre os terremotos recentes na Colômbia e na Venezuela e a ascensão de governos de direita nesses países — admitindo, ela mesma, não saber exatamente qual seria essa relação. Ao lado de Marina Silva e da deputada estadual Ediane Maria, Guajajara descreveu um padrão que a inquietava: onde a extrema-direita havia chegado ao poder, os terremotos haviam ocorrido. Nenhum argumento científico foi apresentado.
O pano de fundo dos desastres é inegavelmente grave. Em 10 de agosto, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia, deixando 281 mortos, 3.971 feridos e 379 desaparecidos. O governo colombiano, liderado pelo presidente Abelardo de la Espriella, mobilizou forças militares e aceitou ajuda apenas de aliados ideológicos — Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador. Na Venezuela, dois terremotos em junho somaram mais de 6.125 mortos, segundo dados de agosto, em um país que vive sob governo interino de Delcy Rodríguez após a deposição de Nicolás Maduro.
O Poder360 buscou esclarecimentos com a assessoria da deputada, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem. A declaração permanece suspensa entre a observação política e o fenômeno natural — uma combinação que, sem sustentação, não ultrapassa o limiar da especulação.
Na terça-feira 11 de agosto, durante um painel sobre racismo ambiental e justiça climática na PUC-SP, a deputada federal Sônia Guajajara levantou uma questão que deixou em aberto mais perguntas do que respostas. A ex-ministra dos Povos Indígenas do governo Lula, candidata à reeleição pelo Psol-SP, sugeriu uma conexão entre os terremotos que assolaram recentemente a Colômbia e a Venezuela e a ascensão de governos de direita nesses países — embora reconhecesse, em suas próprias palavras, não saber exatamente qual seria essa relação.
Guajajara estava ao lado da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e da deputada estadual Ediane Maria quando fez a observação. Ela descreveu um padrão que a preocupava: "onde esses países foram ocupados por uma extrema-direita radical, aconteceram esses terremotos". A deputada não ofereceu argumentos científicos ou evidências que sustentassem essa conexão, apenas sinalizou que o fenômeno merecia atenção e cuidado, para que o Brasil não seguisse o mesmo caminho.
O contexto dos desastres é grave. Na segunda-feira 10 de agosto, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia. O balanço mais recente aponta 281 mortos, 3.971 feridos, 379 desaparecidos e 348 resgatados, segundo a Unidade Nacional para a Gestão de Risco de Desastres colombiana. O presidente Abelardo de la Espriella, do partido Defensores da Pátria, mobilizou forças militares e equipes de emergência. Apesar da oferta de ajuda internacional, o governo colombiano aceitou socorristas apenas de aliados ideológicos: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador.
Na Venezuela, a situação foi ainda mais devastadora. Em junho, dois terremotos atingiram o norte do país, deixando um saldo de mais de 6.125 mortos segundo dados de agosto. O país está sob governo interino de Delcy Rodríguez desde a deposição de Nicolás Maduro. Curiosamente, a líder recebeu elogios do presidente americano Donald Trump pelos "grandes progressos" alcançados sob sua gestão.
O Poder360 procurou a assessoria de Guajajara para que ela esclarecesse suas declarações, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. A deputada deixou em suspenso uma questão que mistura observação política com fenômenos naturais — uma combinação que, sem fundamentação, permanece como especulação.
Citas Notables
Eu não sei o que tem a ver uma coisa com a outra. Mas está seguindo aí uma linha que a gente realmente precisa se atentar e cuidar— Sônia Guajajara, deputada federal (Psol-SP)