Governo enviará PL da escala 6x1, diz Erika Hilton; deputada vai conversar com Motta

O governo manterá o envio do projeto
Erika Hilton confirma que Lula seguirá com proposta para acabar com escala 6x1, apesar de tensão com Motta.

No Brasil, a disputa em torno do fim da escala 6x1 revela menos um debate sobre direitos trabalhistas e mais uma negociação sobre quem conduz a história. Após reunião com o ministro Guilherme Boulos, a deputada Erika Hilton reafirmou que o governo Lula enviará projeto de lei ao Congresso — mesmo diante de sinais contraditórios vindos da presidência da Câmara. O que está em jogo não é apenas o ritmo de trabalho de milhões de brasileiros, mas a geometria do poder entre Executivo, Legislativo e as vozes que primeiro acenderam o debate.

  • A declaração de Hugo Motta de que o governo não enviaria a proposta em urgência criou um vácuo de incerteza que Hilton tenta preencher com sua própria narrativa.
  • Duas PECs já tramitam na Câmara sobre o mesmo tema, e a disputa por protagonismo ameaça fragmentar o avanço da pauta.
  • Hilton planeja confrontar diretamente Motta na quarta-feira para alinhar calendários e evitar que o projeto se perca em manobras regimentais.
  • O Palácio do Planalto articula reuniões ao longo da semana para definir o momento exato do envio da proposta, com votação prevista para o fim de maio.
  • O que era uma promessa de campanha de Lula agora enfrenta o teste real da política institucional — e o relógio já está correndo.

Erika Hilton saiu de uma reunião com o ministro Guilherme Boulos na noite de terça-feira com uma mensagem que ela quis deixar clara: o governo Lula vai enviar um projeto de lei para acabar com a escala 6x1. A afirmação ganha peso porque, dias antes, o presidente da Câmara, Hugo Motta, havia sinalizado que o Palácio do Planalto não prosseguiria com o envio em regime de urgência — criando dúvidas sobre o real compromisso do governo com a pauta.

Hilton, autora original da proposta, disse que buscará Motta na quarta-feira para entender o calendário de votação. "O governo manterá o envio do projeto", afirmou. "Há uma previsão de votação no fim de maio, mas preciso alinhar o timing com o presidente da Câmara."

O cenário é mais intrincado do que aparenta. Além do projeto governamental, duas Propostas de Emenda à Constituição já tramitam na Câmara sobre o mesmo tema. Em março, Motta encaminhou uma delas à CCJ e designou o deputado Paulo Azi como relator. A disputa, portanto, não é apenas sobre o conteúdo da reforma, mas sobre quem terá o crédito político por conduzi-la.

O governo prevê um prazo de 45 dias para aprovação nas duas casas legislativas. Reuniões ao longo da semana devem definir quando exatamente a proposta será encaminhada. A conversa entre Hilton e Motta será o próximo passo decisivo para saber se o projeto avança ou encontra novos obstáculos no caminho.

A deputada Erika Hilton saiu de uma reunião com o ministro Guilherme Boulos na noite de terça-feira com uma mensagem clara: o governo Lula vai mesmo enviar um projeto de lei ao Congresso para acabar com a escala 6x1. A afirmação chega em momento de tensão, dias depois que Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, havia declarado que o Palácio do Planalto não prosseguiria com o envio da proposta em regime de urgência.

Hilton, que é a autora original da ideia de eliminar a jornada de trabalho 6x1, conversou com a coluna sobre seus próximos passos. Ela planeja procurar Motta na quarta-feira para alinhar calendários e entender melhor como a votação será conduzida. "O governo manterá o envio do projeto", afirmou. "Não estive com o presidente, mas falei com líderes que me informaram sobre a previsão de votação no fim de maio. Mas há uma questão de timing. Amanhã vou procurar o presidente para alinhar e entender a questão do calendário."

O fim da escala 6x1 é uma das promessas centrais da campanha de reeleição de Lula. O governo pretende enviar seu próprio projeto com prazo de 45 dias para aprovação tanto na Câmara quanto no Senado. Fontes do Palácio do Planalto indicam que reuniões ocorrerão ao longo da semana para definir quando exatamente a proposta será encaminhada ao Congresso.

Mas a situação é mais complexa do que parece. Existem duas Propostas de Emenda à Constituição já em tramitação na Câmara que também tratam do tema, e há disputa clara sobre quem terá protagonismo na questão. O texto que acendeu o debate foi apresentado por Hilton em 2024. No início de março, Motta encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça e designou o deputado Paulo Azi como relator.

O que está em jogo agora é menos a substância da proposta e mais a política do calendário. Motta sinalizou resistência ao regime de urgência, o que poderia atrasar a votação. Hilton, por sua vez, busca garantir que o governo mantenha seu compromisso e que a discussão avance conforme prometido. A conversa entre ela e o presidente da Câmara na quarta-feira será decisiva para definir se o projeto segue em frente ou se enfrenta novos obstáculos.

O governo manterá o envio do projeto. Não estive com o presidente, mas falei com líderes que me informaram sobre a previsão de votação no fim de maio. Mas há uma questão de timing.
— Erika Hilton, deputada federal (PSOL-SP)
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Motta teria dito que o governo não enviaria mais a proposta em regime de urgência?

Model

Porque há disputa de poder sobre o tema. Se o governo envia com urgência, controla o ritmo. Se fica nas PECs já em tramitação, a Câmara tem mais controle sobre o calendário.

Inventor

E Hilton acredita que conseguirá convencer Motta a aceitar o projeto do governo?

Model

Ela está tentando. Conversou com ministro, vai conversar com Motta. O que ela quer é garantir que a votação aconteça, independentemente de quem leva o crédito.

Inventor

Qual é o prazo que o governo está propondo?

Model

45 dias para aprovação em ambas as casas. Mas Motta pode não aceitar isso. Por isso o timing é tão importante nessa conversa.

Inventor

Isso significa que a escala 6x1 pode não acabar tão cedo?

Model

Pode não. Depende de Motta aceitar o calendário do governo. Se ele não aceitar, a votação fica para depois de maio, ou fica nas mãos das PECs, que têm ritmo próprio.

Inventor

Qual é o interesse político de Lula em aprovar isso agora?

Model

É promessa de campanha. Ele precisa mostrar que cumpre o que promete. Mas Motta tem seus próprios interesses políticos, e nem sempre eles alinham com os do governo.

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