No coração de Brasília, o governo do Distrito Federal e o Fundo Garantidor de Créditos travam um impasse sobre quem deve prestar contas a quem — enquanto o Banco de Brasília carrega o peso de fraudes bilionárias herdadas de operações com o Banco Master. A disputa, mediada pelo ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal, revela uma tensão mais profunda: a fronteira entre a responsabilidade do Estado e a prudência das instituições financeiras quando o dinheiro público está em jogo. O desfecho dessa negociação determinará não apenas o futuro do BRB, mas também a capacidade do DF de honrar comp
GDF contesta exigência do FGC por dados do BRB em negociação de R$ 6,6 bi
A operação é entre o FGC e o governo, não com o banco
Por que o FGC insiste em ver os balanços do BRB se a operação é entre o fundo e o governo?
Porque o FGC precisa saber se R$ 6,6 bilhões são realmente suficientes. Se o banco está mais quebrado do que parece, o dinheiro pode não resolver nada.
Mas o secretário tem razão quando diz que o governo tem capacidade de pagar?
Tem razão em parte. O governo é o dono do banco e pode endividar-se. Mas isso não responde se o banco vai sobreviver com esse dinheiro ou se vai precisar de mais.
E esse plano B de negociar só com o FGC, tirando os bancos da jogada?
É uma forma de simplificar. Em vez de os bancos bloquearem repasses federais em caso de calote, seria o próprio FGC fazendo isso. Menos intermediários, mesma garantia.
Qual é o risco real aqui?
Que R$ 6,6 bilhões não sejam suficientes e o DF fique endividado sem ter salvado o banco. Ou que a União não aceite ter seus repasses bloqueados.
E se nada disso funcionar?
O BRB continua frágil, e o DF fica com um banco quebrado nas mãos sem conseguir capitalizá-lo.
O Pulso
- O BRB acumula um rombo estimado em R$ 6,6 bilhões após transações fraudulentas com o Banco Master que totalizaram R$ 30 bilhões entre 2024 e 2025.
- O FGC recusa-se a avançar sem os balanços auditados do banco, enquanto o governo do DF insiste que a operação envolve o Estado, não a instituição financeira — e que são suas próprias finanças que deveriam ser analisadas.
- A prisão do ex-presidente do BRB em abril de 2026 e a operação Compliance Zero da Polícia Federal expuseram a fragilidade da governança que permitiu negócios sem lastro real.
- Com a negociação travada no STF, o DF estuda eliminar o consórcio de bancos comerciais e negociar diretamente com o FGC, simplificando a estrutura de garantias.
- Sem resposta formal do FGC até terça-feira, o banco permanece vulnerável e o governo prepara argumentos para tentar destravar uma operação sem precedentes na história do crédito local.
No coração de Brasília, o governo do Distrito Federal e o Fundo Garantidor de Créditos travam um impasse sobre quem deve prestar contas a quem — enquanto o Banco de Brasília carrega o peso de fraudes bilionárias herdadas de operações com o Banco Master. A disputa, mediada pelo ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal, revela uma tensão mais profunda: a fronteira entre a responsabilidade do Estado e a prudência das instituições financeiras quando o dinheiro público está em jogo. O desfecho dessa negociação determinará não apenas o futuro do BRB, mas também a capacidade do DF de honrar compromissos com seus próprios cidadãos.
O Distrito Federal vive um dos momentos mais delicados de sua história financeira. O secretário de Economia Valdivino de Oliveira entrou em rota de colisão com o Fundo Garantidor de Créditos após o órgão exigir balanços auditados do Banco de Brasília — referentes a 2025 e ao primeiro semestre de 2026 — como condição para avaliar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. A negociação tramita sob mediação do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.
O secretário contesta a lógica do FGC: para ele, a operação é entre o fundo e o governo do DF, não entre o fundo e o banco. Seriam, portanto, as finanças do Estado que deveriam ser escrutinadas — e o governo, segundo Oliveira, tem capacidade comprovada de pagamento e endividamento. O plano é usar o empréstimo para comprar ações do BRB, capitalizando-o e cobrindo o rombo deixado pelas fraudes.
A origem da crise remonta a operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões. A Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero em novembro de 2025, e em abril de 2026 o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso, acusado de permitir negócios sem lastro e sem governança adequada. O banco estima que R$ 8,8 bilhões em créditos comprados do Master são títulos inexistentes ou irrecuperáveis. Com R$ 2,2 bilhões potencialmente recuperáveis por outras vias, o rombo líquido chega exatamente aos R$ 6,6 bilhões do empréstimo pretendido.
Diante do impasse, o DF avalia um plano alternativo: apresentar ao STF uma proposta que exclua o consórcio de bancos comerciais e negocie diretamente com o FGC. No modelo atual, os bancos forneceriam garantias ao fundo e poderiam bloquear repasses federais ao DF em caso de inadimplência. Na alternativa proposta, seria o próprio FGC a solicitar esse bloqueio à União, eliminando os intermediários. Sem resposta formal do fundo até o fim de terça-feira, o BRB permanece à espera de uma solução que o STF acompanha de perto.
O Distrito Federal enfrenta um impasse em uma das maiores operações de crédito já tentadas pelo governo local. Valdivino de Oliveira, secretário de Economia do DF, saiu em defesa da gestão estadual após o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) solicitar documentos financeiros detalhados do Banco de Brasília para avaliar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. A negociação, que vem sendo conduzida sob mediação do ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal, trava justamente no ponto em que as partes discordam sobre quem deve fornecer quais informações.
O FGC argumentou em documento enviado ao STF que não consegue avaliar se o valor solicitado é suficiente para estabilizar o BRB sem conhecer os balanços auditados da instituição referentes a 2025 e ao primeiro semestre de 2026. Essa exigência, porém, foi contestada pelo secretário. Oliveira sustenta que a operação é fundamentalmente entre o FGC e o governo do Distrito Federal, não entre o fundo e o banco. Nessa lógica, seriam os números do DF que importariam para a análise, não os do BRB. O governo, segundo ele, possui capacidade comprovada de pagamento e endividamento. O plano é tomar o empréstimo e usá-lo para comprar ações do banco, capitalizando-o e resolvendo assim seu principal problema: a falta de recursos próprios para cobrir prejuízos acumulados.
A crise que levou a essa situação tem origem em operações desastrosas realizadas entre 2024 e 2025 com o Banco Master, transações que somaram R$ 30 bilhões. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, apontando um esquema de fraudes financeiras em larga escala. Meses depois, em abril de 2026, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso. Segundo a investigação, ele teria permitido negócios sem lastro adequado e sem respeitar práticas básicas de governança. O banco estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos comprados do Master são títulos inexistentes, fraudados ou praticamente irrecuperáveis. O governo acredita poder recuperar R$ 2,2 bilhões através de outras medidas, deixando um rombo de R$ 6,6 bilhões que precisaria ser coberto pelo empréstimo.
Com a negociação travada, o DF estuda um plano alternativo. Oliveira confirmou que o governo considera apresentar ao STF uma segunda proposta: negociar diretamente apenas com o FGC, deixando de fora o consórcio de grandes bancos que atualmente ofereceria garantias à operação. No modelo em discussão desde maio, o dinheiro viria do saldo do FGC, mas os bancos forneceriam uma garantia ao fundo. Em caso de calote do governo, esses bancos poderiam bloquear repasses federais destinados ao Distrito Federal para cobrir a dívida. Na alternativa que o DF propõe, seria o próprio FGC que solicitaria à União o bloqueio desses repasses, eliminando os intermediários.
O secretário afirmou ainda que, até a tarde de terça-feira, o governo não havia recebido uma resposta formal do FGC sobre a questão. A situação permanece em aberto, com o Supremo Tribunal Federal acompanhando as negociações e o DF preparando argumentos para tentar destravar uma operação que, se não avançar, deixará o BRB ainda mais vulnerável às consequências das fraudes que o abalaram.
Citações Notáveis
A operação é entre o FGC e o governo do DF. Os números que precisamos apresentar são os números do DF. O BRB é apenas a finalidade para a qual vamos aplicar o dinheiro.— Valdivino de Oliveira, secretário de Economia do DF
O governo tem capacidade de pagamento e endividamento. Vai pegar o empréstimo, comprar ações e capitalizar o banco, resolvendo o principal problema que é a falta de capitalização.— Valdivino de Oliveira