Gasolina sem etanol pode se tornar obrigatória nos postos brasileiros

O etanol absorve umidade e pode acelerar corrosão em tanques metálicos
Explicação técnica de por que veículos antigos enfrentam riscos com concentrações altas de etanol.
Mark

Por que agora? Por que essas propostas surgem justamente em 2026?

Mimi

O gatilho foi o aumento de E30 para E32 em agosto. Isso reacendeu uma preocupação que já existia, mas que ficou mais urgente quando o governo aumentou ainda mais a concentração de etanol.

Luke

Mas espera — o aumento é descrito como excepcional e temporário. Sabemos se é realmente temporário ou se é uma forma de dizer que pode virar permanente?

Mimi

Não está claro. O governo também estuda E35, o que sugere que a tendência é de aumento, não de volta atrás.

Mark

E os carros antigos — todo carro antigo vai ter problema com E32, ou é mais uma questão de risco?

Mimi

Depende. O risco existe, mas não é automático. Depende de como o carro foi projetado, se foi bem mantido, se o tanque é metálico ou plástico, quanto tempo fica parado.

Luke

Então não é que todo carro de 1990 vai quebrar amanhã com E32. É que alguns podem ter problemas, e não há como saber sem testar.

Mimi

Exatamente. Por isso o Ministério Público Federal se preocupou.

Mark

E se a gasolina E0 for mais cara, quem vai querer comprar?

Mimi

Quem tem um carro antigo que precisa, ou um gerador, ou um barco. Mas sim, o preço é um problema real.

Luke

As três propostas têm chances diferentes de passar? Uma é mais viável que as outras?

Mimi

A do Senado, que nasceu de cidadãos, tem 24 mil apoios. Mas nenhuma votou ainda. É cedo para dizer qual tem mais força.

Mark

E se nenhuma passar? Continua E32 para todo mundo?

Mimi

Por enquanto, sim. E o governo continua estudando E35.

  • Três projetos de lei tramitam no Congresso para garantir oferta de gasolina E0 ou E10
  • Aumento de E30 para E32 ocorreu em 1º de agosto de 2026, em caráter excepcional e temporário
  • Sugestão Legislativa do Senado recebeu cerca de 24 mil apoios de cidadãos
  • Gasolina E0 tende a ser mais cara que a comum devido a custos de separação de tanques e transporte específico
  • Brasil usa proporção de etanol na gasolina muito acima da praticada nos EUA e Europa

Três propostas legislativas buscam garantir oferta de gasolina com menor teor de etanol para veículos antigos, de coleção e equipamentos que não suportam a mistura E32. O aumento para E32 em agosto de 2026 reacendeu preocupações com corrosão e falhas em sistemas antigos, especialmente tanques metálicos, carburadores e mangueiras degradadas.

Três projetos de lei tramitam no Congresso para obrigar postos a vender gasolina E0 ou E10, alternativas à mistura E32 atual, visando atender veículos antigos e equipamentos incompatíveis com altos teores de etanol.

Três projetos de lei diferentes tramitam agora no Congresso Nacional com um objetivo comum: obrigar ou permitir que os postos de gasolina vendam combustível com menor concentração de etanol. A mudança responderia a uma preocupação crescente com veículos antigos, máquinas agrícolas, geradores, barcos e até automóveis de competição que não foram projetados para funcionar com a gasolina E32, a mistura atual que contém 32% de etanol anidro.

O cenário que provocou essa reação legislativa é recente. Em 1º de agosto de 2026, o governo aumentou obrigatoriamente a concentração de etanol na gasolina de E30 para E32, em caráter que se apresenta como excepcional e temporário. O Ministério Público Federal e proprietários de veículos antigos rapidamente levantaram preocupações técnicas legítimas: o etanol absorve umidade e pode acelerar corrosão em tanques metálicos, danificar carburadores, bombas e agulhas, e comprometer a integridade de mangueiras, juntas e vedações que já estão degradadas pelo tempo. O risco não é teórico — depende do projeto do veículo, de seu estado de conservação e do tempo que permanece parado.

As três propostas em discussão diferem em escopo e rigidez. O Projeto de Lei 4.783/2026, do deputado Fernando Máximo (PL-RO), é o mais direto: obrigaria todos os postos a oferecer gasolina E0, completamente livre de etanol anidro, focando especialmente em veículos de coleção e automóveis fabricados até 2003 que não sejam flex. Esse projeto aguarda despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta. No Senado Federal, a Sugestão Legislativa nº 30/2026 nasceu de uma ideia de cidadãos no portal e-Cidadania e recebeu cerca de 24 mil apoios. Ela propõe uma abordagem mais flexível: permitir que consumidores escolham entre E0, E10 (com 10% de etanol) ou E32, deixando a decisão nas mãos de quem abastece. Esse texto está em tramitação na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa. Uma terceira via, o Projeto de Lei Complementar 249/2026 do deputado Messias Donato (União-ES), descentraliza a decisão: cada estado e o Distrito Federal poderiam autorizar a venda de E0 e E10, mas os postos não seriam obrigados a aderir, criando liberdade para o revendedor sem garantir disponibilidade em todas as cidades.

Nenhuma das propostas visa eliminar a gasolina E32. A ideia é adicionar uma segunda ou até terceira opção nas bombas para atender aplicações específicas. O consumidor que abastece um veículo flex ou um carro moderno continuaria podendo escolher E32. A diferença seria ter combustível específico para quem enfrenta problemas reais de compatibilidade.

Mas há uma complicação econômica que ninguém ignora: gasolina E0 provavelmente será mais cara que a gasolina comum. O etanol serve hoje para reduzir a quantidade de gasolina A necessária em cada litro vendido. Se a E0 tivesse 100% de gasolina A, seu preço dependeria integralmente do petróleo, do refino, dos impostos e da logística. Além disso, os postos precisariam separar tanques e bombas, evitar contaminação cruzada e organizar transporte específico — uma cadeia menor e mais complexa que encareceria o produto final.

O Brasil está entre os países que mais utilizam etanol na gasolina. Nos Estados Unidos, a maior parte do combustível é E10, respondendo por mais de 95% do que é consumido em veículos a gasolina. Também existem E15 e E85, mas a autorização depende do modelo do carro. Na Argentina, a mistura obrigatória é de 12%, embora uma regra de 2026 permita que distribuidoras negociem voluntariamente misturas de até 15%. A proporção brasileira com E32 ficou muito acima da praticada internacionalmente.

Antes que qualquer mudança entre em vigor, as propostas precisam passar por votação, regulamentação e adaptação da rede de distribuição. O governo também avalia tecnicamente uma possível gasolina E35. Enquanto isso, proprietários de carros antigos, colecionadores e donos de equipamentos que ficam longos períodos parados continuam abastecendo com E32, confiando que seus sistemas resistam.

O etanol absorve umidade e pode favorecer corrosão e falhas em sistemas antigos, especialmente quando há materiais degradados ou armazenamento inadequado
— Preocupação levantada pelo Ministério Público Federal e proprietários de veículos antigos
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