As 8 polêmicas mais estranhas da história da Nintendo

Crianças sofreram bolhas, queimaduras por fricção e danos nos nervos das mãos ao jogar Mario Party; centenas de pessoas tiveram televisores destruídos pelo Wii Remote.
A Nintendo nunca se conteve em suas convicções
Reflexão sobre por que a companhia japonesa acumula polêmicas tão estranhas ao longo de seus 137 anos de história.
Mark

Por que a Nintendo parece estar sempre envolvida em polêmicas tão estranhas? Outras empresas de games têm problemas, mas não assim.

Mimi

Acho que é porque a Nintendo nunca se conteve em suas convicções. Ela tem uma visão muito clara do que quer ser — puritana, familiar, controlada — e quando a realidade não se encaixa nessa visão, ela toma decisões que parecem vir de outro planeta.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos aqui. Algumas dessas "polêmicas" são realmente problemas de segurança legítimos. Mario Party causou lesões reais em crianças. O Wii Remote destruiu televisores de verdade. Isso não é excentricidade, é negligência de produto.

Mimi

Verdade. E esses casos resultaram em acordos caros — US$ 80 milhões em luvas para Mario Party, recall massivo do Wii Remote. A Nintendo teve que responder legalmente.

Mark

E quanto às coisas mais culturais, como Bowsette? Isso é realmente uma "polêmica" ou apenas a internet sendo a internet?

Luke

Bowsette é mais um fenômeno de fãs que a Nintendo não conseguiu controlar. Não há evidência de que tenha prejudicado ninguém ou violado nenhuma lei. É estranho que a companhia tenha se sentido obrigada a negar canonicamente, mas chamar isso de polêmica é esticar a definição.

Mimi

O padrão que vejo é que a Nintendo frequentemente quer impor sua visão de mundo — sem sangue, sem violência, sem sexualidade — e quando a realidade ou a criatividade dos fãs desafia isso, ela reage de forma defensiva.

Mark

Então as decisões mais bizarras, como o motel nos anos 1960 ou o arroz instantâneo, eram apenas tentativas de sobrevivência?

Mimi

Exatamente. Quando você está à beira da falência, você tenta qualquer coisa. A Nintendo estava desesperada. Depois que encontrou seu caminho nos videogames, essas aventuras pararam.

Luke

Mas vale notar que nem todas essas histórias têm a mesma importância. Comparar um motel de 60 anos atrás com lesões reais causadas a crianças é misturar categorias completamente diferentes.

  • Nintendo abriu motel em Kyoto nos anos 1960 para escapar da falência na venda de cartas
  • Mario Party causou bolhas, queimaduras por fricção e danos nos nervos das mãos de crianças; acordo custou US$ 80 milhões
  • Wii Remote defeituoso destruiu centenas de televisores; recall massivo com alças reforçadas
  • Cartuchos de Switch contêm benzoato de denatônio para gosto amargo e evitar ingestão infantil
  • Bowsette virou fenômeno de internet após anúncio de New Super Mario Bros U. Deluxe em 2019

Nintendo diversificou negócios nos anos 1960 com motel, táxis e arroz instantâneo para escapar da falência na produção de cartas. Polêmicas incluem sangue cinzento em Mortal Kombat, lesões em Mario Party, controles do Wii que destruíram TVs e acusações da PETA sobre abuso animal.

Artigo retrospectivo sobre as maiores excentricidades e polêmicas envolvendo a Nintendo ao longo de seus 137 anos, desde motel até controles defeituosos e decisões bizarras.

A Nintendo tem 137 anos de história, e nem todos eles foram marcados por sucesso tranquilo. A companhia japonesa acumulou ao longo das décadas uma série de episódios tão estranhos que desafiam a própria lógica de como uma empresa deveria se comportar — desde decisões comerciais absurdas até crises de segurança que prejudicaram consumidores de verdade.

Nos anos 1960, quando a Nintendo enfrentava dificuldades na venda de cartas de baralho e corria risco de falência, a solução encontrada foi diversificar de forma radical. A companhia abriu um motel em Kyoto, operou uma frota de táxis e vendeu arroz instantâneo. A incursão no ramo hoteleiro foi breve — a empresa compreendeu que aquele não era seu caminho — mas ilustra bem o tipo de improviso que caracterizava a época.

Já nos anos 1980, a Nintendo enfrentou a Universal Studios em tribunal. O estúdio acreditava que Donkey Kong era uma paródia não autorizada de King Kong e processou a fabricante. A Nintendo contratou o advogado John Kirby para sua defesa e descobriu um detalhe crucial: a Universal havia argumentado anos antes que o gorila estava em domínio público. Usando o mesmo argumento contra o estúdio, a Nintendo venceu. Como gesto de gratidão, batizou um de seus personagens mais famosos com o sobrenome do advogado.

Durante a guerra comercial com a SEGA, a Nintendo tomou uma decisão que se tornaria emblemática de sua postura puritana. Ao trazer Mortal Kombat para o Super Nintendo em 1993, a companhia exigiu que o sangue fosse alterado para cinza, justificando que era apenas suor. A SEGA não hesitou em liberar o sangue em sua versão para o Mega Drive, conquistando a reputação de console mais descolado. O resultado foi que Mortal Kombat vendeu muito mais na plataforma rival, e a Nintendo sofreu as consequências dessa decisão conservadora.

Mas nem todas as polêmicas da Nintendo envolvem apenas imagem. Mario Party, lançado em 1999 para o Nintendo 64, causou danos físicos reais. Os minigames eram intensos e exigiam movimentos rápidos do analógico. Crianças sofreram bolhas, queimaduras por fricção e, em alguns casos, danos aos nervos das mãos. Um procurador de Nova York entrou em ação, levando a Nintendo aos tribunais. O acordo resultante custou US$ 80 milhões à companhia, que precisou produzir e distribuir luvas para qualquer pessoa que as solicitasse.

O Nintendo Wii trouxe outro problema de segurança ainda mais visível. Quando jogadores usavam Wii Sports, a alça do controle se rompia e o periférico voava em direção às televisões. Centenas de pessoas tiveram suas telas destruídas. As ações judiciais acusaram a companhia de negligência, forçando um recall massivo. A Nintendo reenviu os controles com alças reforçadas e capas de silicone para evitar novos danos.

Em 2011, a organização de direitos dos animais PETA atacou a Nintendo após o lançamento de Super Mario 3D Land. A campanha acusava o jogo de mostrar um personagem que supostamente esfolava cães e guaxinins para vestir suas peles. A polêmica foi tão longe que alguém criou um jogo em flash chamado Mario Kills Tanooki, explícito e sangrento. A Nintendo respondeu com uma nota oficial lembrando que a transformação era lúdica e que a companhia não apoiava a caça de animais — uma defesa frágil considerando que Duck Hunt, lançado décadas antes, envolvia atirar em patos.

Os cartuchos do Switch apresentam um gosto deliberadamente amargo. A Nintendo adicionou benzoato de denatônio à composição para evitar que crianças pequenas e bebês colocassem as mídias na boca. A medida de segurança funcionou, mas de forma inesperada: virou um desafio online lamber os cartuchos para testar o sabor. A estratégia de proteção se tornou viral nas redes sociais, transformando um problema potencial em conhecimento público.

Por fim, a polêmica de Bowsette ilustra como a Nintendo não consegue controlar sua própria narrativa. Quando New Super Mario Bros U. Deluxe foi anunciado em 2019, a Super Crown — um item que transformava Toadette em uma versão similar à Princesa Peach — chamou atenção. A internet criou imediatamente Bowsette, imaginando o vilão usando o item e assumindo uma forma humana feminina. Milhares de artes de fãs surgiram, o termo chegou aos trending topics mundiais, e versões que a Nintendo nunca mencionaria circularam livremente. A companhia nunca canonizou a ideia e, no jogo, inseriu uma frase clara: "Desculpe Luigi, apenas Toadette pode usar este item!" — uma tentativa de encerrar a especulação que já havia escapado completamente de seu controle.

Desculpe Luigi, apenas Toadette pode usar este item!
— Nintendo, em New Super Mario Bros U. Deluxe, negando canonicamente Bowsette
A companhia emitiu nota oficial lembrando que a transformação era lúdica e não apoiava a caça de animais
— Nintendo, respondendo à campanha da PETA sobre Super Mario 3D Land
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