Gasolina sem etanol pode se tornar obrigatória em postos brasileiros

O etanol absorve umidade e pode provocar corrosão em sistemas antigos
Razão pela qual proprietários de veículos antigos se preocupam com o aumento de etanol na gasolina.
Mark

Por que essa discussão sobre gasolina sem etanol está acontecendo agora, especificamente em 2026?

Mimi

O gatilho foi o aumento de 30% para 32% de etanol na gasolina em agosto deste ano. Proprietários de carros antigos e equipamentos começaram a se preocupar com corrosão e danos aos sistemas.

Luke

Mas é importante notar que esse aumento foi em caráter excepcional e temporário. Não sabemos ainda se vai virar permanente.

Mark

Qual é a diferença prática entre E0, E10 e E32?

Mimi

E0 é gasolina pura, sem etanol. E10 tem 10% de etanol. E32, a que usamos agora, tem 32%. Quanto maior a concentração de etanol, mais risco de corrosão em máquinas antigas.

Luke

Embora seja importante dizer que nem todo carro antigo vai ter problemas. Depende do estado de conservação e das condições de armazenamento.

Mark

Qual dos três projetos tem mais chance de virar lei?

Mimi

O projeto do deputado Fernando Máximo é o mais abrangente, tornando a E0 obrigatória. Mas o do Messias Donato é mais flexível, deixando a decisão para os estados.

Luke

Nenhum deles foi aprovado ainda. Todos ainda estão em tramitação. O do Senado recebeu 24 mil apoios de cidadãos, o que é significativo, mas apoio popular não garante aprovação.

Mark

A gasolina E0 seria mais barata ou mais cara?

Mimi

Provavelmente mais cara. Exigiria mais gasolina A na composição e infraestrutura separada nos postos — tanques, bombas e transporte diferentes.

Luke

Isso é uma estimativa baseada em custos de distribuição. O preço final dependerá de como a indústria se organizar e de decisões regulatórias que ainda não foram tomadas.

Mark

Quem seria beneficiado com essas mudanças?

Mimi

Proprietários de carros de coleção, veículos antigos, motos de baixa cilindrada, máquinas agrícolas e embarcações. Basicamente, equipamentos que não foram projetados para etanol em alta concentração.

Luke

Mas é uma minoria do mercado. A maioria dos carros em circulação no Brasil é flex e funciona bem com E32. Essa é uma solução para um segmento específico.

  • Três projetos diferentes tramitam no Congresso Nacional buscando criar alternativas à gasolina E32
  • Concentração de etanol na gasolina aumentou de 30% para 32% em 1º de agosto de 2026
  • Sugestão Legislativa 30/2026 no Senado recebeu cerca de 24 mil apoios de cidadãos
  • Gasolina E0 pode ser mais cara devido aos custos de infraestrutura nos postos

Três projetos diferentes buscam criar opções de gasolina com menor teor de etanol para veículos antigos, motos e equipamentos que podem sofrer corrosão. A gasolina E32 aumentou de 30% para 32% de etanol em agosto de 2026, gerando preocupações entre proprietários de veículos antigos e equipamentos.

Propostas em tramitação no Congresso Nacional discutem a oferta de gasolina E0 ou E10 como alternativa à atual E32, destinada a veículos antigos e equipamentos incompatíveis com altas concentrações de etanol.

Três projetos diferentes tramitam no Congresso Nacional com uma proposta que pode mudar a forma como os brasileiros abastecem seus carros. Todos eles buscam criar alternativas à gasolina E32, o combustível que circula atualmente nos postos do país com 32% de etanol anidro em sua composição. A discussão ganhou força depois que o governo aumentou essa concentração de 30% para 32% em 1º de agosto de 2026, em caráter excepcional e temporário, gerando preocupação entre proprietários de veículos antigos e equipamentos que podem sofrer com a mudança.

O projeto mais abrangente vem do deputado Fernando Máximo, do PL de Rondônia. Seu Projeto de Lei 4.783/2026 propõe tornar obrigatória a oferta de gasolina sem etanol anidro — a chamada E0 — em todos os postos brasileiros. A medida seria direcionada a automóveis de coleção, veículos fabricados até 2003 que não sejam flex, motos de baixa cilindrada, geradores, máquinas agrícolas, embarcações e carros de competição. A justificativa é simples: máquinas mais antigas possuem componentes como carburadores, tanques metálicos, mangueiras e juntas desenvolvidos para combustíveis com características diferentes das atuais. O etanol absorve umidade e pode provocar corrosão em sistemas que não foram projetados para lidar com ele. O projeto ainda está em tramitação na Câmara e não produz efeitos práticos nos postos neste momento.

No Senado, a discussão segue por outro caminho. A Sugestão Legislativa 30/2026 propõe apenas a possibilidade de comercializar gasolina E0 e E10 — esta última com 10% de etanol — em todo o país. A iniciativa surgiu de uma ideia apresentada por cidadãos no portal e-Cidadania e recebeu cerca de 24 mil apoios. O texto está em análise na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa e prevê que combustíveis com menor concentração de etanol sejam uma alternativa para veículos cujo fabricante recomende esse tipo de combustível. Uma terceira proposta, o Projeto de Lei Complementar 249/2026 do deputado Messias Donato, do União do Espírito Santo, vai ainda mais longe na flexibilidade: permite que estados e o Distrito Federal autorizem a venda de E0 e E10, mas não obriga os postos a oferecer esses combustíveis. Nesse cenário, a disponibilidade dependeria da adesão dos revendedores, o que poderia deixar essas opções indisponíveis em muitas cidades.

A razão pela qual essa discussão importa está nos detalhes técnicos do combustível. O etanol possui características diferentes da gasolina pura e absorve umidade com facilidade. Em determinadas condições, essa absorção pode contribuir para corrosão e problemas em sistemas antigos — tanques metálicos, carburadores, bombas, mangueiras, juntas e vedações são os componentes mais vulneráveis. Isso não significa que todo veículo antigo sofrerá danos com a E32. O desgaste ou falha depende das características específicas do veículo, do estado de conservação e das condições de armazenamento e utilização. Mas a preocupação é legítima, especialmente entre proprietários de carros de coleção e equipamentos que permanecem longos períodos sem uso.

Uma questão que paira sobre toda essa discussão é o preço. Apesar de ser chamada de "gasolina pura", a E0 não seria necessariamente mais barata. Como não teria etanol em sua composição, utilizaria uma quantidade maior de gasolina A, o tipo de gasolina base usada na mistura. Além disso, comercializar diferentes tipos de combustível exigiria infraestrutura específica nos postos: separação de tanques, bombas distintas, transporte e armazenamento diferenciado. Esses fatores podem aumentar significativamente os custos de distribuição e comercialização, o que provavelmente se refletiria no preço final ao consumidor.

O modelo não é novo no mundo. Nos Estados Unidos, a gasolina E10 é predominante, enquanto também existem opções como E15 e E85 para aplicações específicas e veículos compatíveis. A proporção de etanol na gasolina varia bastante entre os países, refletindo diferentes políticas energéticas e realidades agrícolas. No Brasil, a discussão agora é se o país seguirá um caminho de obrigatoriedade, flexibilidade ou descentralização na oferta dessas alternativas. Os três projetos em tramitação representam essas três visões diferentes sobre como o mercado de combustíveis deve se organizar nos próximos anos.

Veículos mais antigos podem ter componentes como carburadores, tanques metálicos, mangueiras e juntas desenvolvidos para combustíveis com características diferentes das atuais
— Justificativa do Projeto de Lei 4.783/2026
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