Dirigir com cuidado custa menos que encher o tanque
A partir de fevereiro de 2025, milhões de motoristas brasileiros enfrentarão um aumento silencioso, mas inevitável: o ICMS sobre combustíveis foi reajustado pelos estados, elevando o preço da gasolina e do etanol em R$ 0,10 por litro e o do diesel em R$ 0,06. A decisão, tomada meses antes pelo Confaz em outubro de 2024, é fruto de um sistema tributário fixo instaurado em 2022 que simplificou o cálculo do imposto, mas reduziu a flexibilidade de ajustes. No fundo, este episódio revela uma tensão antiga entre a necessidade de financiar o Estado e o peso que esse financiamento impõe ao cidadão comum que depende do carro para viver.
- A partir de 1º de fevereiro, o litro de gasolina e etanol sobe R$ 0,10 e o diesel R$ 0,06 — um reajuste que não vem das refinarias, mas das alíquotas estaduais de ICMS.
- A decisão foi tomada em outubro de 2024 pelo Confaz e segue as regras da Lei Complementar nº 192/2022, que fixou o imposto por litro em todo o país, retirando a flexibilidade dos reajustes trimestrais anteriores.
- O impacto varia por estado: em Alagoas, onde a gasolina já chegava a R$ 6,29 em alguns postos de Maceió, o aumento agrava uma pressão financeira que muitos motoristas já sentiam no bolso.
- Diante do cenário, especialistas apontam saídas práticas — direção mais suave, pneus calibrados, trocas de marcha no momento certo e uso racional do ar-condicionado — como formas de reduzir o consumo sem abrir mão do carro.
- O mercado de veículos híbridos e elétricos responde ao momento: as vendas cresceram 89% no Brasil em 2024, com mais de 177 mil unidades, e em Maceió o carro mais vendido em dezembro foi um modelo híbrido.
No primeiro dia de fevereiro de 2025, os brasileiros que abastecem seus carros encontrarão preços mais altos nas bombas — não por decisão da Petrobras, mas por um reajuste nas alíquotas de ICMS aprovado pelo Confaz em outubro do ano passado. A gasolina e o etanol sobem R$ 0,10 por litro; o diesel, R$ 0,06. A variação exata depende de cada estado, mas nenhum motorista escapa do impacto.
Essa mudança é consequência direta da Lei Complementar nº 192/2022, que substituiu o antigo sistema de recálculo trimestral por uma alíquota fixa por litro em todo o país. A simplificação trouxe previsibilidade, mas também reduziu a capacidade de ajuste fino diante das oscilações do mercado. Em Alagoas, onde a gasolina já era vendida a até R$ 6,29 em alguns postos de Maceió, o reajuste aperta ainda mais o orçamento de quem depende do carro.
Para quem não pode trocar de veículo, a resposta está nos hábitos ao volante. Evitar acelerações bruscas, manter os pneus calibrados, fazer as trocas de marcha no momento certo e usar o ar-condicionado com moderação são práticas que, somadas, podem reduzir significativamente o consumo. Revisões em dia e um porta-malas sem peso desnecessário também contribuem.
Mas há quem esteja olhando além da bomba de combustível. Em 2024, as vendas de veículos híbridos e elétricos cresceram 89% no Brasil, superando 177 mil unidades. Em Maceió, o modelo mais vendido em dezembro foi um híbrido — um sinal de que, diante de combustíveis cada vez mais caros, parte dos consumidores já está votando com o bolso por uma transição energética.
No próximo sábado, 1º de fevereiro, os motoristas brasileiros vão sentir o impacto direto de uma decisão tomada meses atrás nos gabinetes da administração pública. A gasolina e o etanol ficarão R$ 0,10 mais caros por litro. O diesel sobe R$ 0,06. Não é a Petrobras desta vez — ou pelo menos não só ela. A culpa recai sobre o ICMS, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias que alimenta os cofres de cada estado.
Esta mudança vem de uma decisão do Confaz, o Conselho Nacional de Política Fazendária, tomada em outubro do ano passado. Os estados atualizaram as alíquotas de ICMS sobre combustíveis, conforme permitido pela Lei Complementar nº 192/2022, que desde 2022 estabeleceu um sistema diferente do anterior. Antes, cada estado recalculava o imposto a cada três meses, baseado no preço médio dos trimestres anteriores. Agora a alíquota é fixa por litro em todo o país, o que simplifica o cálculo mas deixa menos margem para ajustes frequentes. A variação de preço, porém, será diferente em cada estado — em Alagoas, por exemplo, a gasolina custava em média R$ 6,13 por litro em janeiro, embora muitos postos em Maceió já cobrassem R$ 6,29.
Para quem não consegue escapar do aumento, a saída é economizar. A primeira estratégia é simples: dirigir com mais cuidado. Acelerações bruscas no semáforo ou após uma lombada forçam o motor a injetar mais combustível. Cada movimento agressivo do pé no acelerador custa litros. Os pneus também merecem atenção — um pneu mais baixo que os outros força o carro a trabalhar mais, aumentando o consumo. Quanto maior o contato do pneu com o asfalto, mais força o motor precisa fazer para se deslocar.
Para quem dirige carro manual, as trocas de marcha precisam acontecer no tempo certo. Ficar em marchas reduzidas com velocidades altas é um desperdício de combustível. O ar-condicionado, aquele aliado indispensável no Nordeste, também consome. Desligá-lo em períodos menos quentes faz diferença — mas cuidado: na estrada, manter os vidros completamente abertos aumenta a resistência aerodinâmica e piora o consumo. Manter o carro em dia com as revisões, conforme o manual do fabricante, garante melhor desempenho. Evitar carregar peso desnecessário no porta-malas, não encher o tanque completamente e escolher combustível de qualidade são outras práticas que ajudam.
Para quem está disposto a mudar de veículo, há uma alternativa em crescimento. Os carros híbridos e elétricos tiveram um salto em 2024: as vendas aumentaram 89% no Brasil, com mais de 177 mil unidades comercializadas. Em Alagoas, o crescimento também foi expressivo — tanto que o carro mais vendido em dezembro em Maceió foi um modelo híbrido. Essa mudança de hábito de consumo reflete uma busca por alternativas diante de um cenário onde os combustíveis fósseis continuam encarecendo.
Notable Quotes
A culpa nem é só da Petrobras, mas sim do aumento no ICMS arrecadado pelos estados— Reportagem
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o ICMS mudou agora? Isso era previsível?
A mudança foi decidida em outubro, mas só entra em vigor agora. O sistema anterior permitia que cada estado recalculasse o imposto a cada três meses. Agora é fixo por litro — mais previsível para o governo, mas menos flexível para absorver oscilações de preço.
Então a Petrobras não é a vilã desta vez?
Não inteiramente. O aumento vem principalmente do ICMS. A Petrobras segue seu próprio ritmo, mas desta vez quem puxa o preço para cima é o estado.
Em Alagoas, o preço já estava acima da média em janeiro. Isso vai piorar?
Sim. Se a média estadual era R$ 6,13 e muitos postos já cobravam R$ 6,29, o aumento de R$ 0,10 vai levar esses postos para R$ 6,39 ou mais.
As dicas de economia funcionam mesmo?
Funcionam, mas exigem disciplina. Dirigir com cuidado, manter os pneus calibrados, trocar marchas no tempo certo — são pequenas coisas que somam. Ninguém vai economizar 50%, mas 10% a 15% é realista.
E os híbridos e elétricos? São a solução?
Para quem pode trocar de carro, sim. Cresceram 89% em vendas no ano passado. Mas é uma solução para quem tem recursos. A maioria dos motoristas vai continuar economizando combustível da forma tradicional.