O etanol só compensa quando a economia de preço supera a perda de autonomia
Quando dois combustíveis sobem em ritmos diferentes, a aritmética do cotidiano se reorganiza silenciosamente. Em março de 2023, a gasolina avançou quase 9% enquanto o etanol subia menos de 4%, deslocando o equilíbrio econômico em sete estados brasileiros — do Acre a São Paulo — e lembrando aos motoristas que a escolha no posto é, antes de tudo, uma questão de cálculo e contexto. A vantagem, porém, é filha do momento: preços de combustível são criaturas voláteis, moldadas por câmbio, política e produção.
- A gasolina saltou 8,89% em março, atingindo R$ 5,88 o litro — um choque atribuído ao fim da isenção fiscal anunciado pelo governo federal em fevereiro.
- O etanol subiu apenas 3,76%, chegando a R$ 4,60, e essa diferença de ritmo abriu uma janela de vantagem econômica que não existia antes.
- Acre, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo se juntaram a Amazonas e Mato Grosso na lista de estados onde abastecer com álcool passou a custar menos por quilômetro rodado.
- A comparação real não é de preço por litro, mas de custo por quilômetro: o etanol consome cerca de 30% mais, então precisa ser proporcionalmente mais barato para compensar.
- Nos outros 20 estados e no Distrito Federal, a gasolina ainda era a escolha mais racional — e em Amapá e Roraima, com etanol acima de R$ 5,50, a diferença era gritante.
- A vantagem do etanol é frágil e datada: qualquer realinhamento de preços pode fechar essa janela tão rapidamente quanto ela se abriu.
A gasolina subiu demais em março de 2023. Com um avanço de 8,89% na primeira quinzena do mês — chegando a R$ 5,88 o litro —, enquanto o etanol subia apenas 3,76% e fechava a R$ 4,60, a matemática dos combustíveis se reorganizou. Segundo levantamento quinzenal da Ticket Log, especializada em gestão de frotas, o álcool passou a ser a opção mais econômica em sete estados: Acre, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, somando-se a Amazonas e Mato Grosso, onde já era vantajoso. Douglas Pina, diretor-geral de Mobilidade da Edenred Brasil, aponta o anúncio do fim da isenção fiscal sobre combustíveis, feito em 27 de fevereiro, como gatilho da alta da gasolina.
A decisão de qual combustível usar, porém, vai além do preço por litro. A Ticket Log calcula o custo por quilômetro rodado, considerando que um carro percorre 11,5 km com um litro de gasolina, mas apenas 8,5 km com etanol — uma queda de eficiência de cerca de 30%. Em São Paulo, o etanol a R$ 3,89 resultava em R$ 0,458 por quilômetro, contra R$ 0,476 da gasolina a R$ 5,47. Em Mato Grosso, a vantagem era ainda mais clara: R$ 0,450 contra R$ 0,507 por quilômetro.
Nos demais 20 estados e no Distrito Federal, a gasolina permanecia mais econômica. No Amapá e em Roraima, com etanol acima de R$ 5,50 o litro, a diferença era expressiva. O levantamento captura um momento específico — e passageiro. Preços de combustível oscilam com câmbio, produção e política, e a vantagem do etanol em sete estados pode se desfazer tão rapidamente quanto surgiu.
A gasolina subiu demais em março. Quando os preços de um combustível disparam enquanto o outro sobe menos, a matemática muda — e desta vez, mudou a favor do etanol em sete estados brasileiros. Segundo levantamento quinzenal da Ticket Log, empresa especializada em gestão de frotas, o álcool combustível tornou-se a opção mais econômica no Acre, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, juntando-se ao Amazonas e Mato Grosso, onde já era vantajoso.
Os números explicam por quê. Na primeira quinzena de março, a gasolina comum fechou a média de R$ 5,88 o litro — um salto de 8,89% em relação a fevereiro. O etanol, por sua vez, subiu apenas 3,76%, chegando a R$ 4,60. A diferença de ritmo entre os aumentos criou uma janela onde abastecer com álcool passou a fazer mais sentido economicamente. Douglas Pina, diretor-geral de Mobilidade da Edenred Brasil, atribui essa tendência ao anúncio do governo federal, feito em 27 de fevereiro, de encerrar a isenção de impostos sobre combustíveis.
Mas a decisão de qual combustível usar não é tão simples quanto comparar preços por litro. A Ticket Log utiliza um índice próprio que leva em conta não apenas o valor do combustível, mas também o consumo médio de cada um. O cálculo assume que um veículo roda 11,5 quilômetros com um litro de gasolina, enquanto com etanol a autonomia cai para 8,5 quilômetros — uma redução de aproximadamente 30%. Isso significa que o etanol precisa ser significativamente mais barato para compensar essa perda de eficiência.
Em São Paulo, por exemplo, o etanol custava R$ 3,89 por litro contra R$ 5,47 da gasolina comum. Quando se converte isso para custo por quilômetro rodado — a métrica que realmente importa para quem dirige — o etanol sai a R$ 0,458 por quilômetro, enquanto a gasolina fica em R$ 0,476. A diferença é pequena, mas existe. Em Mato Grosso, a vantagem é ainda maior: etanol a R$ 3,82 por litro resulta em R$ 0,450 por quilômetro, contra R$ 0,507 da gasolina a R$ 5,83.
Nos demais 20 estados e no Distrito Federal, a gasolina permanecia mais econômica. No Amapá e em Roraima, estados onde o etanol é particularmente caro — R$ 5,50 e R$ 5,54 o litro, respectivamente — a gasolina oferecia economia clara. Mesmo em regiões onde o etanol é produzido ou próximas aos polos produtores, como no Nordeste, a gasolina ainda era a escolha mais racional do ponto de vista do custo por quilômetro.
O levantamento reflete um momento específico: a primeira quinzena de março de 2023. Os preços dos combustíveis flutuam constantemente, influenciados por variações cambiais, custos de produção e políticas governamentais. A vantagem do etanol em sete estados pode ser temporária — uma janela aberta pela combinação de alta acentuada da gasolina e aumento mais moderado do álcool. Motoristas que dirigem em estados onde o etanol agora é mais vantajoso precisam estar atentos: essa condição pode mudar rapidamente se os preços se realinharem.
Notable Quotes
Os valores tiveram forte tendência de alta após anúncio do governo federal de acabar com a isenção de impostos dos combustíveis— Douglas Pina, diretor-geral de Mobilidade da Edenred Brasil
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o etanol ficou mais vantajoso agora, se ele sempre consome mais combustível?
Porque a gasolina subiu muito mais rápido. O etanol subiu 3,76% enquanto a gasolina disparou 8,89%. Quando a diferença de preço fica grande o suficiente, ela supera a desvantagem do consumo maior.
Então em qualquer estado onde o etanol é mais barato, vale a pena usar?
Não. Você precisa considerar o consumo. Um litro de gasolina roda 11,5 quilômetros, enquanto um litro de etanol roda apenas 8,5. O etanol só compensa quando a economia de preço é maior que essa perda de autonomia.
Como vocês calculam isso?
Dividimos o preço do litro pelo consumo médio. Assim chegamos ao custo real por quilômetro rodado. É a única forma honesta de comparar.
E por que alguns estados têm etanol muito mais caro que outros?
Logística e distância das refinarias. Estados como Roraima e Amapá, no extremo norte, têm custos de transporte muito altos. Já em São Paulo e Goiás, próximos aos polos produtores, o etanol é mais acessível.
Essa vantagem do etanol vai durar?
Provavelmente não. Os preços mudam constantemente. Se a gasolina estabilizar e o etanol continuar subindo, a equação muda novamente. Esse levantamento é um retrato de um momento específico.