Galo mais leve busca vencer Emelec nas oitavas da Libertadores com confiança renovada

O atleta fica mais leve e confiante, mais solto
Psicólogo explica como vitórias consecutivas transformam o estado mental dos jogadores.

Três vitórias consecutivas dissiparam crise do Atlético e recuperaram confiança da equipe para decisão contra Emelec nesta terça-feira no Equador. Cientificamente, sequências vitoriosas aumentam autoestima, autoeficácia e reduzem estresse, ansiedade e medo de errar nos atletas, melhorando desempenho em campo.

  • Três vitórias consecutivas: 2 a 0 sobre Flamengo (Brasileirão), 2 a 1 contra Flamengo (Copa do Brasil), 3 a 2 sobre Fortaleza
  • Partida contra Emelec em 28 de junho, no estádio George Capwell, em Guayaquil, jogo de ida das oitavas da Libertadores
  • Ademir marcou em ambas as partidas contra o Flamengo após sofrer críticas e ataques nas redes sociais
  • Hulk em tratamento por edema no pé direito, participação incerta no Equador

Após sequência de vitórias, Atlético enfrenta Emelec com moral elevada nas oitavas da Libertadores. Psicólogo explica como sucessos recentes aumentam autoconfiança e reduzem ansiedade da equipe.

A nebulosidade que pairava sobre Belo Horizonte começou a se dissipar na última semana de junho. O Atlético havia passado por um período árido — quatro jogos sem vitória — mas três triunfos consecutivos mudaram o clima. Primeiro veio o 2 a 0 sobre o Flamengo no Brasileirão, depois o 2 a 1 contra o mesmo adversário pelas oitavas da Copa do Brasil, e por fim a virada de 3 a 2 diante do Fortaleza. Quando o técnico Antonio Turco Mohamed garantiu os três pontos sobre o Fortaleza aos 51 minutos do segundo tempo, ele sabia que algo havia mudado internamente. "Foram resultados muito importantes para que a equipe recuperasse a confiança, a energia positiva", disse o treinador, reconhecendo que aqueles sucessos precisavam servir como ponto de partida para as competições que viriam.

A recuperação chegava em momento crítico. Nesta terça-feira, 28 de junho, o Galo enfrentaria o Emelec no estádio George Capwell, em Guayaquil, no Equador, em jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. Não era apenas mais um confronto — era o primeiro passo de uma decisão que poderia definir a temporada. E a sequência de vitórias, segundo especialistas em psicologia do esporte, era exatamente o que o time precisava para chegar ao duelo com as melhores condições mentais.

Varley Costa, professor da UFMG e doutor em Psicologia do Esporte Aplicada ao Futebol, explicou o fenômeno científico por trás daqueles três triunfos. Vitórias em sequência aumentam a autoconfiança, a autoestima e a autoeficácia dos atletas. Simultaneamente, reduzem os níveis de estresse, ansiedade e medo de errar. "O atleta fica mais leve e confiante em campo para jogar, mais solto. Ele passa a desempenhar um melhor futebol e coloca todo o seu lado criativo para fora em prol da equipe", explicou o professor. Mas o impacto não se limitava ao desempenho individual. Os bons resultados melhoravam o clima interno do clube, as relações entre atletas, comissão técnica e diretoria. O ambiente de trabalho se tornava menos tenso, e a confiança entre as pessoas aumentava.

Fora dos muros do CT, a mudança também era visível. A torcida, que havia cobrado duramente alguns jogadores, começava a viver uma nova lua de mel com o clube. O clima de paz permitia que os torcedores apoiassem a equipe com renovado entusiasmo. Até setores da imprensa, que frequentemente criticavam a performance do time, pareciam mais dispostos a reconhecer os avanços. "Quando todos 'jogam juntos', o caminho se torna um pouco menos árduo", reforçou Varley, apontando como esse clima positivo contagiava a equipe na busca pela classificação.

O caso de Ademir exemplificava perfeitamente essa transformação. O atacante havia sido alvo de críticas severas e, pior, de ataques pessoais nas redes sociais que atingiram até sua esposa. Nos dois jogos contra o Flamengo, porém, Ademir foi decisivo, marcando em ambas as partidas. "Levei muita pancada nos últimos dias, muitas críticas, muitas palavras que não condizem com quem eu sou", desabafou o jogador, que havia chegado ao Atlético no início do ano após boas temporadas pelo América. "Sou um cara trabalhador, quem me conhece sabe disso. Algumas pessoas mandaram mensagens para minha esposa, humilhando-me, pedindo para eu sair do Atlético. Elas têm de entender que ninguém chega aqui à toa."

Varley observou que Ademir era um exemplo perfeito de como a confiança recuperada potencializa o desempenho. Os dois gols contra o Flamengo geraram maior autoconfiança e autoestima, fazendo-o se sentir importante para o grupo e aumentando sua motivação interna. "Ele destravou seus medos e a ansiedade de ainda não ter marcado gol. Nesse tipo de situação, os atletas tendem a crescer ainda mais de produção ao longo da temporada", explicou o professor. Conhecido em Minas Gerais e com comportamento profissional dentro e fora de campo, Ademir tinha todas as condições para recuperar sua melhor forma. "Se a torcida o abraçar, esse processo fica ainda mais facilitado", apontou Varley.

Para Turco Mohamed, Ademir representava um "novo" jogador para o confronto no Equador — especialmente importante considerando que Hulk, o craque do Galo, estava em tratamento por edema no pé direito e sua participação era incerta. Na vitória sobre o Fortaleza no sábado anterior, o camisa 7 não havia entrado em campo. Com Ademir em alta e a confiança renovada, o Atlético se preparava para enfrentar o Emelec com moral elevada e a sensação de que o pior havia ficado para trás.

Foram resultados muito importantes para que a equipe recuperasse a confiança, a energia positiva e isso precisa ser um ponto de partida para as grandes competições que teremos daqui para frente
— Antonio Turco Mohamed, técnico do Atlético
Levei muita pancada nos últimos dias, muitas críticas, muitas palavras que não condizem com quem eu sou. Sou um cara trabalhador, quem me conhece sabe disso
— Ademir, atacante do Atlético
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que exatamente três vitórias seguidas mudam tanto o psicológico de um time?

Model

Não é só sobre ganhar. É sobre o que ganhar faz com o medo. Quando você marca gols, quando você vence, aquele pavor de errar, aquela ansiedade que te paralisa — ela diminui. O atleta fica mais leve, mais criativo. É como se abrisse uma porta que estava trancada.

Inventor

E isso afeta também quem está fora do campo? A torcida, a imprensa?

Model

Completamente. Quando o time ganha, a torcida para de cobrar tão duramente. A imprensa muda o tom. O clube inteiro respira diferente. Não é manipulação — é que o sucesso cria um ambiente onde as pessoas confiam mais umas nas outras.

Inventor

Você mencionou Ademir especificamente. O que o torna um caso tão importante?

Model

Ele foi humilhado publicamente, atacado nas redes sociais, cobrado sem piedade. Mas quando marcou dois gols contra o Flamengo, tudo mudou. Não apenas para ele — para o time todo. Mostrou que era possível reverter aquela situação.

Inventor

Reverter como? Ele simplesmente jogou melhor?

Model

Não é tão simples. Ele se sentiu importante novamente. A confiança do técnico, dos companheiros, aqueles gols — tudo junto destravou seus medos. Agora ele tem motivação interna, não apenas externa. É diferente.

Inventor

E se a torcida não o abraçar? Se continuar cobrando?

Model

Aí o processo fica mais lento. A psicologia do esporte mostra que quando todos — torcida, imprensa, comissão técnica — jogam junto, o atleta cresce mais rápido. Se há conflito, ele precisa lutar contra dois inimigos ao mesmo tempo.

Inventor

Então o Atlético chega ao Equador em melhor estado mental do que estava uma semana atrás?

Model

Muito melhor. Mas é frágil. Psicologicamente, uma derrota agora pode desmoronar tudo que foi construído. Por isso essa partida contra o Emelec é tão importante — não é só sobre a Libertadores, é sobre manter vivo esse clima que finalmente voltou.

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