Em uma região do sistema solar onde a humanidade já mantém olhos e ouvidos atentos há décadas, a Nasa viu sua vigilância encolher quando perdeu contato com a sonda Maven em dezembro de 2025. Trata-se de mais do que a perda de uma máquina: é a fragilidade de uma teia de vigias que, em Marte, sustenta a memória de estações, tempestades e superfícies, além de servir de ponte para rovers que sem eles ficariam mudos. A causa ainda aguarda revelação, mas o gesto da agência, de esperar a chegada de novos satélites até o fim da década, revela a paciência necessária para manter a presença humana num mu
Frota envelhecida e perda da Maven deixam Nasa com desafios para explorar Marte
Um terço da frota marciana da Nasa perdeu contato aparentemente da noite para o dia
Por que perder uma só sonda importa tanto, se ainda restam sete ativas em Marte?
Porque a Nasa ficou com dois orbitadores, um terço a menos. E eles não só fazem ciência: retransmitem dados dos rovers à Terra.
A Maven parecia saudável?
Segundo a autora, sim. Reapareceu de trás do planeta e simplesmente não enviou sinal de rádio.
Mas a causa é desconhecida. Tudo o que se diz sobre o que houve é hipótese, não fato.
Certo. A Nasa só declarou o fim da missão em junho de 2026 e promete um relatório este ano.
E a Blue Origin resolve?
Ainda não. É um contrato para entregar um satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028, e nada indica ciência a bordo.
Se a janela de 2028 for perdida, a próxima só viria em 2030 ou 2031.
Então a aposta é na longevidade dos veteranos?
Em parte. Os rovers duraram muito além do previsto, mas é um histórico, não garantia. O espectrômetro do Reconnaissance já parou em 2023.
E o Odyssey terá cerca de 30 anos em 2028.
El Pulso
- A Nasa perdeu contato com a Maven em dezembro de 2025, e a frota marciana ativa encolheu de oito para sete satélites.
- Sem a Maven, a agência fica com apenas dois orbitadores, um cenário que expõe a vulnerabilidade da exploração científica em Marte.
- Os orbitadores restantes envelhecem: o Mars Odyssey tem 25 anos e o Reconnaissance já teve um instrumento desligado em 2023.
- A Blue Origin foi escolhida para entregar um satélite de telecomunicações até o fim de 2028, na próxima janela de lançamento viável.
- O relatório sobre a causa da perda deve sair ainda este ano, e até lá engenheiros tentam sustentar a frota atual.
Em uma região do sistema solar onde a humanidade já mantém olhos e ouvidos atentos há décadas, a Nasa viu sua vigilância encolher quando perdeu contato com a sonda Maven em dezembro de 2025. Trata-se de mais do que a perda de uma máquina: é a fragilidade de uma teia de vigias que, em Marte, sustenta a memória de estações, tempestades e superfícies, além de servir de ponte para rovers que sem eles ficariam mudos. A causa ainda aguarda revelação, mas o gesto da agência, de esperar a chegada de novos satélites até o fim da década, revela a paciência necessária para manter a presença humana num mundo tão distante.
Há cerca de 16 mil satélites girando ao redor da Terra, e em Marte, um dos planetas mais observados do Sistema Solar, o número de satélites ativos chegou a oito. Em dezembro de 2025, esse quadro encolheu: a Nasa perdeu contato com a sonda Maven, que havia chegado ao planeta em 2014. Segundo a cientista planetária Margaret Landis, ela parecia em boas condições até deixar de transmitir depois de reaparecer de trás de Marte, uma passagem de rotina.
A causa ainda não foi divulgada, e a agência declarou o fim da missão em junho de 2026. Foi apenas a segunda vez no século XXI que a Nasa perdeu um orbitador em operação normal. O prejuízo científico é concreto: a Maven ajudava a comparar imagens da superfície e da órbita, acompanhar estações marcianas e observar tempestades globais de poeira, que surgem só a cada vários anos.
Há também o lado prático. Os orbitadores retransmitem à Terra os dados de rovers como Perseverance e Curiosity, e a frota que sobrou é antiga. O Mars Odyssey tem 25 anos, o Mars Express 23 e o Reconnaissance 20. Em setembro de 2026, a Nasa escolheu a Blue Origin para fornecer um satélite de telecomunicações até o fim de 2028, a janela mais próxima de lançamento.
Até lá, cientistas e engenheiros seguem tentando entender o que aconteceu e manter em funcionamento os equipamentos que ainda sustentam a exploração de Marte.
Há cerca de 16.000 satélites artificiais em órbita da Terra, cuidando de tudo, do GPS à previsão do tempo e à telefonia em locais remotos. Em Marte, um dos planetas mais explorados do Sistema Solar, o maior número de satélites ativos já registrado é oito. Desde 2021, eram três da Nasa, dois da Agência Espacial Europeia, e um de cada uma destas instituições: a agência espacial indiana, a dos Emirados Árabes Unidos e a Administração Espacial Nacional da China.
Em dezembro de 2025, esse quadro encolheu. A Nasa perdeu contato com a sonda Maven, e o total de satélites ativos caiu para sete; os da agência americana, para dois. A Maven havia chegado a Marte em 2014, e por poucos dias foi a mais nova da família internacional de orbitadores, até a chegada da sonda indiana. Segundo a cientista planetária Margaret Landis, autora da análise, ela parecia em boas condições. Deixou de enviar sinal de rádio depois de reaparecer de trás do planeta, o que é uma operação de rotina.
A causa ainda não foi divulgada. A Nasa declarou oficialmente o fim da missão em junho de 2026, e um relatório final deve sair ainda este ano. Foi só a segunda vez no século XXI que a agência perdeu contato com um orbitador em operações normais. A primeira foi em 2006, com o Mars Global Surveyor, perdido provavelmente por problemas em comandos de software enviados. A perda da Maven interrompe quase duas décadas de missões que terminaram na data prevista, e não antes.
O prejuízo científico é concreto. A Nasa mantém algum rover operando em Marte desde 2004, o que permitiu, na maior parte deste século, comparar imagens quase simultâneas da superfície e da órbita. Isso ajuda a acompanhar as estações marcianas, em que cerca de um quarto da atmosfera se deposita como gelo sazonal, e feições como as formações araneiformes, que provavelmente nascem de gêiseres de dióxido de carbono. Também há as tempestades globais de poeira, cujo gatilho é desconhecido e que ocorrem apenas a cada vários anos marcianos. Em 11 anos, a Maven observou uma só, em 2018.
Há ainda o lado prático. Os orbitadores têm missões científicas próprias, mas seus potentes rádios retransmitem à Terra os dados de rovers e módulos de pouso, como Perseverance e Curiosity. A câmera HiRISE, a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter e a de maior resolução já posta em órbita de Marte, ajudou engenheiros a garantir a chegada dos rovers Curiosity e Perseverance e do módulo InSight. No passado, a Nasa ajustou o Reconnaissance e a Maven para apoiar pousos e operações de superfície.
A frota restante é velha. O Mars Odyssey tem 25 anos no espaço, o Mars Express, 23, e o Reconnaissance, 20. Em setembro de 2026, a Nasa escolheu a Blue Origin, de Jeff Bezos, para fornecer um satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028, a data mais próxima em que um novo orbitador poderia partir. As janelas de lançamento se repetem a cada cerca de dois anos, quando Terra e Marte estão mais próximos e a viagem exige menos combustível. Perdida a de 2028, as próximas seriam em 2030 ou 2031. O anúncio não detalhou instrumentos científicos a bordo.
Nessa época, o Odyssey terá cerca de 30 anos e o Reconnaissance, cerca de 25. Equipamentos da Nasa costumam superar as expectativas: os rovers Spirit e Opportunity, projetados para 90 dias, duraram mais de seis e mais de 14 anos. Mas orbitadores perdem capacidade aos poucos, e o espectrômetro do Reconnaissance parou em 2023, embora os demais instrumentos sigam ativos. Até o relatório sobre a Maven, cientistas e engenheiros esperam entender o que houve e como manter a frota atual até a chegada de reforços.
Citas Notables
A comunidade de exploração marciana aguarda ansiosamente para entender por que um terço da frota da Nasa perdeu contato aparentemente da noite para o dia.— Margaret Landis, professora da Arizona State University