Em dezembro de 2025, a sonda Maven, da Nasa, deixou de responder no momento em que deveria reaparecer atrás de Marte, e com isso a já escassa vizinhança de satélites do planeta vermelho ficou ainda mais rala. Não se sabe ainda o que houve, mas a missão foi oficialmente encerrada em junho de 2026, e o relatório que deve explicar a falha é aguardado ainda neste ano. Trata-se de um lembrete de quão frágil é a presença humana em outro mundo: sete equipamentos, dos quais dois são da agência americana, sustentam hoje a ponte de dados e de ciência que nos liga à superfície marciana.
Frota da Nasa em órbita de Marte envelhece e perde satélite com a queda da Maven
Um terço da frota marciana da Nasa perdeu contato da noite para o dia
Por que perder um satélite importa tanto, se ainda sobram sete?
Porque os orbitadores não só estudam Marte, eles retransmitem os dados dos rovers até a Terra. A Nasa ficou com dois.
E sabemos por que a Maven falhou?
Não. A causa não foi divulgada. O relatório deve sair ainda neste ano.
O texto compara com 2006. Isso ajuda a explicar?
Só como contexto. Em 2006, o Mars Global Surveyor foi perdido provavelmente por comandos de software, e o advérbio importa: é provável, não confirmado. Para a Maven não há hipótese oficial.
E a Blue Origin resolve o problema?
Ela deve entregar um satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028, a data mais próxima para um lançamento.
Mas o anúncio não falou de instrumentos científicos. Um satélite de comunicação não substitui o que a Maven observava, como as tempestades de poeira.
Então a frota antiga carrega o peso até lá?
Sim. O Odyssey terá cerca de 30 anos e o Reconnaissance, 25, e este já perdeu o espectrômetro em 2023.
Vale lembrar que a duração futura deles é aposta, não previsão. O histórico da Nasa é de equipamentos que superam o planejado, mas nada garante isso.
Le Pouls
- A Maven silenciou de repente, num dos momentos mais rotineiros de sua operação, e ninguém ainda sabe a causa.
- Com apenas sete satélites ativos em Marte, a frota encolheu num ponto em que cada aparelho pesa muito para a ciência e para as comunicações.
- Os orbitadores mais antigos já passam dos 20 anos e enfrentam temperaturas extremas e radiação, e o espectrômetro do Reconnaissance já parou.
- A Nasa tenta reagir contratando a Blue Origin para um satélite de telecomunicações, mas a entrega só é possível até o fim de 2028, quando a janela de lançamento se abrir.
- Enquanto o relatório sobre a Maven não sai, a expectativa é de que a frota atual se mantenha operante até a chegada dos reforços.
Em dezembro de 2025, a sonda Maven, da Nasa, deixou de responder no momento em que deveria reaparecer atrás de Marte, e com isso a já escassa vizinhança de satélites do planeta vermelho ficou ainda mais rala. Não se sabe ainda o que houve, mas a missão foi oficialmente encerrada em junho de 2026, e o relatório que deve explicar a falha é aguardado ainda neste ano. Trata-se de um lembrete de quão frágil é a presença humana em outro mundo: sete equipamentos, dos quais dois são da agência americana, sustentam hoje a ponte de dados e de ciência que nos liga à superfície marciana.
Em dezembro de 2025, a sonda Maven, da Nasa, reapareceu por trás de Marte e não enviou o sinal de rádio que todos esperavam. Foi o fim de uma rotina que vinha desde 2014. A agência declarou a missão encerrada em junho de 2026, e a causa ainda não foi divulgada. Um relatório final deve sair neste ano.
O episódio revela o quanto somos poucos em torno de Marte. Cerca de 16 mil satélites circulam a Terra, mas em 2021 havia oito ativos na órbita marciana. Com a perda da Maven, restam sete, e dois deles são da Nasa. Os mais antigos já estão velhos: o 2001 Mars Odyssey completou 25 anos no espaço, o Mars Express tem 23 e o Mars Reconnaissance Orbiter, 20. Quanto mais tempo lá em cima, mais sofrem com as oscilações de temperatura e a radiação solar.
Não é um detalhe. Foi só a segunda vez neste século que a Nasa perdeu um orbitador em operações rotineiras, e a primeira foi o Mars Global Surveyor, em 2006. Os orbitadores também sustentam a ciência, com imagens quase simultâneas do solo e do alto, e servem de ponte para retransmitir dados de Perseverance e Curiosity até a Terra. A câmera HiRISE, do Reconnaissance, ajudou a garantir os pousos desses rovers.
Para reforçar a frota, a Nasa escolheu em setembro de 2026 a Blue Origin, de Jeff Bezos, para fornecer um satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028. Se o lançamento perder essa janela, a próxima chance será em 2030 ou 2031. Até lá, cientistas e engenheiros esperam que o relatório sobre a Maven ajude a manter a frota atual funcionando.
Em dezembro de 2025, a sonda Maven, da Nasa, reapareceu de trás de Marte e não enviou o sinal de rádio esperado. Foi o fim de uma rotina. A causa ainda não foi divulgada, e a agência declarou oficialmente encerrada a missão em junho de 2026. Um relatório final sobre o que aconteceu deve sair ainda neste ano.
O episódio mostra como a presença humana em volta de Marte é pequena. Cerca de 16 mil satélites artificiais circulam a Terra, cuidando de GPS, previsão do tempo e telefonia em locais remotos. O maior número de satélites ativos já registrado na órbita marciana é oito. Em 2021, eram três da Nasa, dois da Agência Espacial Europeia e um de cada uma destas instituições: a agência espacial indiana, a dos Emirados Árabes Unidos e a Administração Espacial Nacional da China. Com a perda da Maven, restam sete, dois deles da Nasa.
Os mais antigos já estão em idade avançada. O 2001 Mars Odyssey completou 25 anos no espaço, seguido pelo Mars Express, com 23, e pelo Mars Reconnaissance Orbiter, com 20. Quanto mais tempo um satélite fica lá, mais sofre com oscilações extremas de temperatura e com a radiação solar. A Maven, porém, parecia em boas condições. Chegou a Marte em 2014, como o orbitador mais novo da Nasa, título que dividiu por poucos dias com a sonda da agência indiana, que chegou logo depois.
Segundo a autora do texto, uma cientista planetária, foi apenas a segunda vez neste século que a Nasa perdeu contato com um orbitador durante operações que seriam rotineiras. A primeira foi em 2006, com o Mars Global Surveyor, perdido provavelmente por problemas em comandos de software enviados. A comunidade científica quer entender por que um terço da frota marciana da agência silenciou aparentemente da noite para o dia, encerrando quase duas décadas de missões que terminaram na data prevista, e não antes.
O impacto científico é concreto. Desde a chegada do Odyssey, a ciência marciana vive uma era de ouro, e a Nasa mantém algum rover operando na superfície desde 2004. Isso permite comparar imagens quase simultâneas do solo e da órbita e acompanhar mudanças sazonais, como o depósito de cerca de um quarto da atmosfera na forma de gelo, e feições em formato de aranha, provavelmente originadas de gêiseres de dióxido de carbono. Tempestades globais de poeira, que cobrem toda a superfície, ainda têm gatilho desconhecido e ocorrem a cada vários anos marcianos. Em 11 anos, a Maven observou só uma, em 2018.
Há também a função prática. Os orbitadores retransmitem à Terra os dados de rovers e módulos de pouso, como Perseverance e Curiosity. A câmera HiRISE, do Mars Reconnaissance Orbiter, é a de maior resolução já posta em órbita, e seus dados ajudaram engenheiros a garantir os pousos de Curiosity, Perseverance e do módulo InSight. A Nasa chegou a ajustar a Maven e o Reconnaissance para apoiar operações na superfície.
Para reforçar a frota, em setembro de 2026 a Nasa escolheu a Blue Origin, de Jeff Bezos, para fornecer um satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028. Essa é a data mais próxima possível para um novo lançamento, já que as janelas para Marte se repetem a cada cerca de dois anos, quando os planetas estão mais próximos e a viagem exige menos combustível. Se nada partir em 2028, a próxima chance será em 2030 ou 2031. O anúncio não detalhou instrumentos científicos a bordo.
Nessa época, o Odyssey terá cerca de 30 anos e o Reconnaissance, cerca de 25. Equipamentos da Nasa costumam superar a expectativa: os rovers Spirit e Opportunity, projetados para 90 dias, duraram mais de seis e mais de 14 anos. Mas orbitadores perdem capacidade aos poucos, e o espectrômetro do Reconnaissance parou em 2023, embora os demais instrumentos sigam ativos. Até o relatório sobre a Maven, cientistas e engenheiros esperam respostas que ajudem a manter a frota atual até a chegada dos reforços.
Citations marquantes
Até que a Nasa divulgue seu relatório sobre a Maven, cientistas e engenheiros ficarão à espera para entender o que aconteceu.— Cientista planetária, autora do texto