Frota da Nasa em órbita de Marte envelhece e perde satélite com a queda da Maven

Um terço da frota marciana da Nasa perdeu contato da noite para o dia
A Maven silenciou em dezembro de 2025 e deixou a Nasa com apenas dois orbitadores ativos em Marte.
Mark

Por que perder um satélite importa tanto, se ainda sobram sete?

Mimi

Porque os orbitadores não só estudam Marte, eles retransmitem os dados dos rovers até a Terra. A Nasa ficou com dois.

Luke

E sabemos por que a Maven falhou?

Mimi

Não. A causa não foi divulgada. O relatório deve sair ainda neste ano.

Mark

O texto compara com 2006. Isso ajuda a explicar?

Luke

Só como contexto. Em 2006, o Mars Global Surveyor foi perdido provavelmente por comandos de software, e o advérbio importa: é provável, não confirmado. Para a Maven não há hipótese oficial.

Mark

E a Blue Origin resolve o problema?

Mimi

Ela deve entregar um satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028, a data mais próxima para um lançamento.

Luke

Mas o anúncio não falou de instrumentos científicos. Um satélite de comunicação não substitui o que a Maven observava, como as tempestades de poeira.

Mark

Então a frota antiga carrega o peso até lá?

Mimi

Sim. O Odyssey terá cerca de 30 anos e o Reconnaissance, 25, e este já perdeu o espectrômetro em 2023.

Luke

Vale lembrar que a duração futura deles é aposta, não previsão. O histórico da Nasa é de equipamentos que superam o planejado, mas nada garante isso.

  • A Maven silenciou de repente, num dos momentos mais rotineiros de sua operação, e ninguém ainda sabe a causa.
  • Com apenas sete satélites ativos em Marte, a frota encolheu num ponto em que cada aparelho pesa muito para a ciência e para as comunicações.
  • Os orbitadores mais antigos já passam dos 20 anos e enfrentam temperaturas extremas e radiação, e o espectrômetro do Reconnaissance já parou.
  • A Nasa tenta reagir contratando a Blue Origin para um satélite de telecomunicações, mas a entrega só é possível até o fim de 2028, quando a janela de lançamento se abrir.
  • Enquanto o relatório sobre a Maven não sai, a expectativa é de que a frota atual se mantenha operante até a chegada dos reforços.

Em dezembro de 2025, a sonda Maven, da Nasa, deixou de responder no momento em que deveria reaparecer atrás de Marte, e com isso a já escassa vizinhança de satélites do planeta vermelho ficou ainda mais rala. Não se sabe ainda o que houve, mas a missão foi oficialmente encerrada em junho de 2026, e o relatório que deve explicar a falha é aguardado ainda neste ano. Trata-se de um lembrete de quão frágil é a presença humana em outro mundo: sete equipamentos, dos quais dois são da agência americana, sustentam hoje a ponte de dados e de ciência que nos liga à superfície marciana.

Em dezembro de 2025, a sonda Maven, da Nasa, reapareceu por trás de Marte e não enviou o sinal de rádio que todos esperavam. Foi o fim de uma rotina que vinha desde 2014. A agência declarou a missão encerrada em junho de 2026, e a causa ainda não foi divulgada. Um relatório final deve sair neste ano.

O episódio revela o quanto somos poucos em torno de Marte. Cerca de 16 mil satélites circulam a Terra, mas em 2021 havia oito ativos na órbita marciana. Com a perda da Maven, restam sete, e dois deles são da Nasa. Os mais antigos já estão velhos: o 2001 Mars Odyssey completou 25 anos no espaço, o Mars Express tem 23 e o Mars Reconnaissance Orbiter, 20. Quanto mais tempo lá em cima, mais sofrem com as oscilações de temperatura e a radiação solar.

Não é um detalhe. Foi só a segunda vez neste século que a Nasa perdeu um orbitador em operações rotineiras, e a primeira foi o Mars Global Surveyor, em 2006. Os orbitadores também sustentam a ciência, com imagens quase simultâneas do solo e do alto, e servem de ponte para retransmitir dados de Perseverance e Curiosity até a Terra. A câmera HiRISE, do Reconnaissance, ajudou a garantir os pousos desses rovers.

Para reforçar a frota, a Nasa escolheu em setembro de 2026 a Blue Origin, de Jeff Bezos, para fornecer um satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028. Se o lançamento perder essa janela, a próxima chance será em 2030 ou 2031. Até lá, cientistas e engenheiros esperam que o relatório sobre a Maven ajude a manter a frota atual funcionando.

Em dezembro de 2025, a sonda Maven, da Nasa, reapareceu de trás de Marte e não enviou o sinal de rádio esperado. Foi o fim de uma rotina. A causa ainda não foi divulgada, e a agência declarou oficialmente encerrada a missão em junho de 2026. Um relatório final sobre o que aconteceu deve sair ainda neste ano.

O episódio mostra como a presença humana em volta de Marte é pequena. Cerca de 16 mil satélites artificiais circulam a Terra, cuidando de GPS, previsão do tempo e telefonia em locais remotos. O maior número de satélites ativos já registrado na órbita marciana é oito. Em 2021, eram três da Nasa, dois da Agência Espacial Europeia e um de cada uma destas instituições: a agência espacial indiana, a dos Emirados Árabes Unidos e a Administração Espacial Nacional da China. Com a perda da Maven, restam sete, dois deles da Nasa.

Os mais antigos já estão em idade avançada. O 2001 Mars Odyssey completou 25 anos no espaço, seguido pelo Mars Express, com 23, e pelo Mars Reconnaissance Orbiter, com 20. Quanto mais tempo um satélite fica lá, mais sofre com oscilações extremas de temperatura e com a radiação solar. A Maven, porém, parecia em boas condições. Chegou a Marte em 2014, como o orbitador mais novo da Nasa, título que dividiu por poucos dias com a sonda da agência indiana, que chegou logo depois.

Segundo a autora do texto, uma cientista planetária, foi apenas a segunda vez neste século que a Nasa perdeu contato com um orbitador durante operações que seriam rotineiras. A primeira foi em 2006, com o Mars Global Surveyor, perdido provavelmente por problemas em comandos de software enviados. A comunidade científica quer entender por que um terço da frota marciana da agência silenciou aparentemente da noite para o dia, encerrando quase duas décadas de missões que terminaram na data prevista, e não antes.

O impacto científico é concreto. Desde a chegada do Odyssey, a ciência marciana vive uma era de ouro, e a Nasa mantém algum rover operando na superfície desde 2004. Isso permite comparar imagens quase simultâneas do solo e da órbita e acompanhar mudanças sazonais, como o depósito de cerca de um quarto da atmosfera na forma de gelo, e feições em formato de aranha, provavelmente originadas de gêiseres de dióxido de carbono. Tempestades globais de poeira, que cobrem toda a superfície, ainda têm gatilho desconhecido e ocorrem a cada vários anos marcianos. Em 11 anos, a Maven observou só uma, em 2018.

Há também a função prática. Os orbitadores retransmitem à Terra os dados de rovers e módulos de pouso, como Perseverance e Curiosity. A câmera HiRISE, do Mars Reconnaissance Orbiter, é a de maior resolução já posta em órbita, e seus dados ajudaram engenheiros a garantir os pousos de Curiosity, Perseverance e do módulo InSight. A Nasa chegou a ajustar a Maven e o Reconnaissance para apoiar operações na superfície.

Para reforçar a frota, em setembro de 2026 a Nasa escolheu a Blue Origin, de Jeff Bezos, para fornecer um satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028. Essa é a data mais próxima possível para um novo lançamento, já que as janelas para Marte se repetem a cada cerca de dois anos, quando os planetas estão mais próximos e a viagem exige menos combustível. Se nada partir em 2028, a próxima chance será em 2030 ou 2031. O anúncio não detalhou instrumentos científicos a bordo.

Nessa época, o Odyssey terá cerca de 30 anos e o Reconnaissance, cerca de 25. Equipamentos da Nasa costumam superar a expectativa: os rovers Spirit e Opportunity, projetados para 90 dias, duraram mais de seis e mais de 14 anos. Mas orbitadores perdem capacidade aos poucos, e o espectrômetro do Reconnaissance parou em 2023, embora os demais instrumentos sigam ativos. Até o relatório sobre a Maven, cientistas e engenheiros esperam respostas que ajudem a manter a frota atual até a chegada dos reforços.

Até que a Nasa divulgue seu relatório sobre a Maven, cientistas e engenheiros ficarão à espera para entender o que aconteceu.
— Cientista planetária, autora do texto
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