Aos 32 anos, João Campos carrega sobre os ombros tanto uma herança familiar de décadas quanto o peso de uma vitória recente esmagadora — 78,1% dos votos na reeleição para a prefeitura do Recife. Agora, como presidente nacional do PSB, ele se apresenta ao estado de Pernambuco com uma coligação de sete partidos e a sombra protetora de Lula como trunfo central, enquanto a governadora Raquel Lyra, adversária que busca a reeleição, opta por uma neutralidade calculada diante do tabuleiro presidencial. A entrevista ao Frente a Frente marca o momento em que a disputa de 2026 começa a ganhar contornos
Frente a Frente entrevista João Campos, candidato ao governo de PE
Quando você governa a capital com 78% de aprovação, você prova que consegue entregar
Por que um ex-prefeito de Recife acredita que consegue governar todo o estado, especialmente contra uma governadora que já está no cargo?
Porque Recife é o coração político de Pernambuco. Quando você governa a capital com 78% de aprovação, você prova que consegue entregar. Mas você está certo — o estado é maior. Por isso a coligação é tão importante. Não é só João Campos, é sete partidos.
E Lula? Por que ele é tão central na sua estratégia?
Porque Pernambuco é historicamente uma base forte da esquerda. Lula tem legitimidade aqui que nenhum outro presidenciável tem. Se ele vem, ele traz voto. É matemática política.
Raquel Lyra não apoiou nem Caiado, seu próprio colega de partido. O que você lê nessa neutralidade?
Que ela está fraca. Se estivesse confiante, apoiaria seu partido. A neutralidade é uma defesa, não uma força.
Você é muito jovem para governador. Isso é vantagem ou risco?
Aos 32 anos, você tem energia e visão de futuro. Mas você também precisa provar que tem experiência. Prefeito de Recife por oito anos resolve isso.
E se Lula não conseguir vir no primeiro turno?
Então vamos para o segundo turno com a campanha que temos. Mas acredito que ele vem.
Il Polso
- Campos entra na corrida ao governo estadual com uma das maiores margens eleitorais já vistas no Recife, transformando sua reeleição como prefeito em plataforma de lançamento para um cargo maior.
- A coligação de sete partidos — do PT ao MDB, passando por Republicanos e PV — revela a amplitude da aliança construída, mas também a complexidade de manter forças de espectros distintos coesas até outubro de 2026.
- Raquel Lyra responde com silêncio estratégico: ao não apoiar nem mesmo Ronaldo Caiado, seu correligionário do PSD na disputa presidencial, ela sinaliza que pretende disputar o estado em terreno próprio, sem se amarrar a palanques nacionais.
- O candidato aposta que a presença física de Lula já no primeiro turno pode ser o fator decisivo, tornando a eleição estadual um reflexo direto da polarização nacional.
- A entrevista ao Frente a Frente, transmitida pelo UOL e coberta pela Folha, funciona como o primeiro grande palco onde Campos precisa ir além dos slogans e mostrar substância para um eleitorado que ainda está formando opinião.
Aos 32 anos, João Campos carrega sobre os ombros tanto uma herança familiar de décadas quanto o peso de uma vitória recente esmagadora — 78,1% dos votos na reeleição para a prefeitura do Recife. Agora, como presidente nacional do PSB, ele se apresenta ao estado de Pernambuco com uma coligação de sete partidos e a sombra protetora de Lula como trunfo central, enquanto a governadora Raquel Lyra, adversária que busca a reeleição, opta por uma neutralidade calculada diante do tabuleiro presidencial. A entrevista ao Frente a Frente marca o momento em que a disputa de 2026 começa a ganhar contornos reais para os pernambucanos.
João Campos senta-se à mesa do Frente a Frente nesta segunda-feira para apresentar sua candidatura ao governo de Pernambuco. Com 32 anos e uma trajetória que une engenharia civil pela UFPE a uma linhagem política de peso — filho de Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes —, ele não é um estreante. Em 2018, elegeu-se o deputado federal mais votado de Pernambuco. Em 2020, tornou-se prefeito do Recife aos 27 anos. Em 2024, foi reeleito no primeiro turno com 78,1% dos votos, uma margem que consolidou sua posição como a principal força política da capital pernambucana.
Agora, como presidente nacional do PSB, Campos mira o Palácio do Campo das Princesas à frente de uma coligação de sete partidos: PSB, PT, PC do B, PDT, Republicanos, PV e MDB. Ao seu lado na chapa está Carlos Costa, do Republicanos. A aliança é ampla e reúne forças de espectros distintos, sinalizando que a disputa estadual caminha para uma polarização intensa.
Do outro lado está a governadora Raquel Lyra, do PSD, que busca a reeleição com uma estratégia de neutralidade: não declarou apoio a nenhum candidato presidencial, nem mesmo a Ronaldo Caiado, seu colega de partido. Esse distanciamento contrasta diretamente com o cálculo de Campos, que aposta na associação com o presidente Lula como peça central de sua campanha — e espera a presença do presidente já no primeiro turno. A entrevista desta segunda-feira chega no momento em que os eleitores pernambucanos começam a prestar atenção no que estará em jogo em 2026.
João Campos, aos 32 anos, senta-se à mesa do Frente a Frente nesta segunda-feira para falar sobre sua candidatura ao governo de Pernambuco. O programa, transmitido pelo YouTube do UOL e Canal UOL às 19 horas, com cobertura também na página inicial da Folha, reúne os jornalistas Fábio Zanini e Daniela Lima para uma conversa que promete ir além dos slogans de campanha — uma abordagem analítica sobre as eleições de 2026.
Campos não é um nome novo na política estadual. Filho de Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes, ele carrega uma herança política que atravessa décadas em Pernambuco. Formado em engenharia civil pela UFPE, começou sua carreira eleitoral em 2018, quando se elegeu deputado federal com 460 mil votos — o mais votado de seu estado naquele ano. Mas foi em 2020 que sua trajetória ganhou novo peso: aos 27 anos, venceu a eleição para prefeito do Recife. Quatro anos depois, em 2024, conquistou a reeleição no primeiro turno com 78,1% dos votos, uma margem que fala por si sobre sua força política na capital pernambucana.
Agora, como presidente nacional do PSB, Campos mira o Palácio do Campo das Princesas. Sua candidatura não é isolada — ele encabeça uma coligação que reúne sete partidos: PSB, PT, PC do B, PDT, Republicanos, PV e MDB. Carlos Costa, do Republicanos, é seu companheiro de chapa na vice-presidência. A aliança é ampla e inclui forças políticas de espectros distintos, um sinal de que a disputa estadual será polarizada.
Sua principal adversária é a governadora Raquel Lyra, do PSD, que busca sua reeleição. Lyra, porém, mantém uma postura de neutralidade em relação aos candidatos presidenciais — não declarou apoio nem mesmo a Ronaldo Caiado, seu colega de partido que disputa o Palácio do Planalto. Essa distância é notável e contrasta com a estratégia de Campos, que aposta fortemente na associação com o presidente Lula para vencer a disputa.
O cálculo de Campos é direto: espera que Lula compareça pessoalmente à campanha ainda no primeiro turno, trazendo sua força política para o estado. É uma aposta que reflete a importância que o candidato atribui ao apoio presidencial em uma disputa que promete ser acirrada. A entrevista desta segunda-feira, portanto, chega em um momento crucial, quando as campanhas começam a se definir e os eleitores pernambucanos começam a prestar atenção no que está em jogo.
Citazioni salienti
Campos aposta na associação com o presidente Lula para vencer a disputa e espera sua participação na campanha ainda no primeiro turno— Estratégia de campanha de João Campos