Fóssil de parente do T. rex é leiloado por US$ 47,3 milhões nos EUA

Um T. rex juvenil ou uma espécie diferente já adulta?
A pergunta de Linda Ivany resume o debate que cerca o Nanotyrannus há décadas.
Mark

Por que esse leilão chama tanta atenção?

Mimi

Pelo preço: US$ 47,3 milhões, bem acima da estimativa inicial da Sotheby's, de US$ 6 a 9 milhões.

Mark

E ficou abaixo do T. rex de junho, certo?

Mimi

Sim, aquele foi vendido por US$ 50,1 milhões, também na Sotheby's.

Luke

Vale notar que o comprador não foi revelado. Sabemos o preço, não quem o pagou nem o destino do fóssil.

Mark

De onde veio Jodi?

Mimi

De terras de Jodi Pierson, em Montana, em 2019, na Formação Hell Creek. A escavação apareceu no "Dino Hunters", em 2020.

Mark

E o debate científico?

Mimi

Se o Nanotyrannus é espécie própria ou T. rex jovem. Um estudo na Nature, no ano passado, sustentou que é espécie distinta, a Nanotyrannus lancensis.

Luke

Esse estudo se baseou nos dinossauros duelistas, não em Jodi. O texto diz que pareceu resolver a questão, o que não é o mesmo que consenso. Quanto a Jodi, a reportagem não diz como foi classificado.

Mark

Então o preço depende da resposta?

Luke

A reportagem não estabelece essa relação. Não há dado sobre o que motivou os lances.

  • Um esqueleto de Nanotyrannus foi arrematado por US$ 47,3 milhões, muito acima da estimativa inicial de US$ 6 a 9 milhões.
  • O preço ficou abaixo do T. rex vendido em junho por US$ 50,1 milhões, mas superou outros leilões de dinossauros maiores.
  • O comprador segue anônimo, e o leilão reacende a tensão entre colecionadores privados e a pesquisa científica.
  • A disputa sobre se o Nanotyrannus é espécie distinta ou T. rex juvenil continua sem solução definitiva, apesar de um estudo da Nature do ano passado sugerir que é uma espécie própria.

Num campo de Montana, uma proprietária rural encontrou há poucos anos os restos de um primo menor do Tyrannosaurus rex, e agora, num leilão nos Estados Unidos, esse esqueleto alcançou US$ 47,3 milhões. O preço revela como a paleontologia, que antes se movia por curiosidade e museus, passou a conviver com um mercado capaz de dar valor financeiro a ossos antigos. Ao mesmo tempo, a pergunta que deu origem à disputa continua intacta: aquele animal era um T. rex ainda jovem ou uma espécie própria, com sua história evolutiva separada? A venda encerra uma transação, mas deixa a dúvida científica exatamente onde estava.

Na última terça-feira (27), nos Estados Unidos, o esqueleto de um parente menor do Tyrannosaurus rex foi arrematado por US$ 47,3 milhões, cerca de R$ 252 milhões. É mais uma venda expressiva no mercado da paleontologia comercial, onde fósseis viram objetos de altíssimo valor.

O preço supera outros leilões de dinossauros maiores, mas fica abaixo do T. rex vendido em junho por US$ 50,1 milhões. A estimativa inicial era de apenas US$ 6 a 9 milhões. O comprador não foi revelado.

Apelidado de Jodi, em homenagem a Jodi Pierson, proprietária rural que o encontrou em 2019 em Montana, o fóssil veio da Formação Hell Creek, um depósito conhecido por sua riqueza de fósseis. O animal mede cerca de 2,9 metros de altura e 6 metros de comprimento.

A questão por trás do preço é antiga: o Nanotyrannus seria um T. rex adolescente ou uma espécie distinta? Desde a descoberta de um crânio em 1942, o debate se arrasta. Especialistas lembram que fósseis de grandes predadores são raros e difíceis de datar. Um estudo da Nature do ano passado, baseado nos "dinossauros em duelo", sugeriu que se trata de uma espécie própria, mas a discussão segue aberta.

Na última terça-feira (27), nos Estados Unidos, o esqueleto de um parente menor do Tyrannosaurus rex foi arrematado em leilão por US$ 47,3 milhões, o equivalente a R$ 252 milhões. É a venda mais recente e lucrativa de um fóssil vindo do campo da paleontologia comercial.

O valor ficou acima do pago em outros leilões recentes de dinossauros maiores. Ficou, porém, abaixo dos US$ 50,1 milhões (R$ 256,5 milhões à época) desembolsados em junho, na Sotheby's, por um espécime de T. rex. A estimativa inicial da Sotheby's para o Nanotyrannus era bem mais modesta: entre US$ 6 milhões e US$ 9 milhões (de R$ 32 milhões a R$ 48 milhões). A identidade do comprador não foi revelada.

O fóssil recebeu o apelido de Jodi, em homenagem a Jodi Pierson, proprietária rural que o encontrou em 2019 em suas terras, no estado americano de Montana. Ele vem da Formação Hell Creek, camada rochosa conhecida como um cemitério de fósseis. Jodi mede 2,9 metros de altura e 6 metros de comprimento.

O achado foi feito a quilômetros do local de outra descoberta importante, de 2006: dois dinossauros que pareciam ser um Triceratops e um Tyrannosaurus travados em uma luta até a morte. Um primo de Pierson, Clayton Phipps, é escavador comercial e também descobriu esses "dinossauros duelistas". A escavação de Jodi foi documentada em 2020 no programa "Dino Hunters", do Discovery Channel.

Por trás do preço há uma controvérsia que agita a paleontologia há quase meio século: os Nanotyrannus são apenas T. rex adolescentes ou uma espécie de tiranossauro inteiramente distinta? Em 1942, uma equipe do Museu de História Natural de Cleveland encontrou um crânio que, na época, se acreditava ser de um T. rex jovem. Em 1988, novos estudos levantaram a possibilidade de que pertencesse a um parente do T. rex, e começaram décadas de debate.

Distinguir duas espécies parecidas é difícil porque há poucos espécimes para comparar. Linda Ivany, professora de paleoecologia evolutiva da Universidade de Syracuse, explicou por email que grandes predadores de topo, como o T. rex, não eram abundantes em um ecossistema, e que animais de grande porte costumam deixar vestígios mais fragmentados. Também é difícil, acrescentou, saber a idade de um organismo fossilizado quando morreu. Daí o problema: seria um T. rex juvenil ou uma espécie diferente já adulta?

Um estudo publicado no ano passado na revista Nature pareceu encerrar a questão, com base nos "dinossauros em duelo", hoje expostos em um museu da Carolina do Norte. Os pesquisadores reuniram evidências, a partir do tiranossauro do par, de que ele pertencia a uma espécie distinta, batizada de Nanotyrannus lancensis. Isso significava que a teoria do T. rex adolescente fora refutada.

Com o leilão, o mercado de ossos de dinossauros ganha mais um recorde de peso, e a discussão sobre o lugar do Nanotyrannus na árvore dos tiranossauros segue no centro do debate.

Grandes predadores de topo, como o T. rex, não eram abundantes em um ecossistema, e animais de grande porte também costumam deixar vestígios mais fragmentados.
— Linda Ivany, professora da Universidade de Syracuse
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Folha de S.Paulo ↗
Nous contacter FAQ