Numa sala de diplomatas representando quase 50 países, o senador Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que as urnas eletrônicas brasileiras teriam origem venezuelana — alegação que o Tribunal Superior Eleitoral já havia desmentido formalmente em nota oficial. O episódio revela como narrativas refutadas podem persistir nos circuitos do poder, especialmente quando dirigidas a audiências internacionais que raramente têm acesso às respostas institucionais. Ao repetir a estratégia que custou ao pai a inelegibilidade por oito anos, Flávio Bolsonaro coloca em circulação, mais uma vez, a dúvida como instr
Flávio Bolsonaro repete acusações sobre urnas que TSE já desmentiu
Um desmentido oficial não viaja tão longe quanto uma suspeita
Por que Flávio Bolsonaro escolheu repetir essas acusações sobre a Smartmatic justamente em uma reunião com diplomatas?
Porque diplomatas têm peso. Eles levam mensagens para seus governos, para mídia internacional. É uma forma de amplificar a narrativa além das fronteiras brasileiras, mesmo que a narrativa já tenha sido desmentida aqui.
Mas o TSE já havia esclarecido isso publicamente. Por que a acusação continua circulando?
Porque um desmentido oficial não viaja tão longe quanto uma suspeita. A suspeita é mais fácil de repetir, mais fácil de lembrar. E há um padrão aqui — o pai fez algo parecido, foi condenado, e agora o filho faz de novo.
Flávio disse que não estava questionando o sistema. Então o que ele estava fazendo?
Estava questionando, mas de forma indireta. Pedir mais observadores eleitorais é uma forma de dizer: eu não confio, vocês também não deveriam confiar. É questionar sem parecer que está questionando.
E quanto ao fato de que as urnas funcionam há 20 anos sem fraude confirmada?
Isso não aparece na narrativa que ele contou aos diplomatas. A narrativa dele é sobre vulnerabilidades potenciais, sobre empresas estrangeiras, sobre relatórios da CIA. Não é sobre o que realmente funcionou.
Qual é o risco real dessa repetição?
Que a desconfiança se torne internacional. Que outros países comecem a questionar a legitimidade das eleições brasileiras. E que, como aconteceu com o pai, isso tenha consequências legais.
O Pulso
- Flávio Bolsonaro apresentou a diplomatas de quase 50 países a alegação de que as urnas brasileiras seriam fornecidas pela empresa venezuelana Smartmatic — afirmação já desmentida pelo TSE em nota oficial.
- O senador citou um relatório da CIA como evidência de fraudes eleitorais na Venezuela em 2012, tentando conectar esse histórico ao sistema eleitoral brasileiro sem provas diretas.
- O TSE reafirmou que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou softwares ao Brasil, tendo atuado apenas no treinamento de profissionais, e que o sistema eletrônico opera há mais de 20 anos sem qualquer fraude confirmada.
- Flávio disse não questionar o sistema, mas pediu mais observadores internacionais — um movimento que, na prática, alimenta a desconfiança que suas próprias afirmações ajudam a construir.
- O episódio replica quase exatamente a estratégia de Jair Bolsonaro em 2018, que resultou em condenação por abuso de poder político e inelegibilidade até 2030 — punição que o filho chamou de injusta durante o próprio evento.
Numa sala de diplomatas representando quase 50 países, o senador Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que as urnas eletrônicas brasileiras teriam origem venezuelana — alegação que o Tribunal Superior Eleitoral já havia desmentido formalmente em nota oficial. O episódio revela como narrativas refutadas podem persistir nos circuitos do poder, especialmente quando dirigidas a audiências internacionais que raramente têm acesso às respostas institucionais. Ao repetir a estratégia que custou ao pai a inelegibilidade por oito anos, Flávio Bolsonaro coloca em circulação, mais uma vez, a dúvida como instrumento político.
Num evento fechado chamado 'Debatendo o Brasil', o senador Flávio Bolsonaro reuniu representantes de quase 50 países e organizações internacionais para apresentar uma acusação já formalmente desmentida: a de que as urnas eletrônicas brasileiras seriam fornecidas pela empresa venezuelana Smartmatic. Ele citou um relatório da CIA sobre fraudes eleitorais na Venezuela em 2012 como sustentação da tese, sugerindo uma conexão com o sistema eleitoral brasileiro.
O TSE, porém, havia esclarecido o assunto publicamente. Em nota publicada em 2020 e atualizada em julho de 2026, o tribunal registrou que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou softwares ao Brasil — a empresa atuou apenas no treinamento de profissionais de suporte técnico. O projeto da urna eletrônica brasileira é concebido e gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral. A Smartmatic chegou a participar de uma licitação para fabricar urnas em 2020, mas perdeu para a empresa Positivo.
Ao longo de sua fala, Flávio afirmou não estar questionando o sistema de votação, mas pediu que os países enviassem mais observadores eleitorais. O TSE reiterou que o sistema opera com comunicação criptografada, sem acesso a redes públicas, e que em mais de 20 anos de funcionamento não houve qualquer caso confirmado de fraude ou adulteração.
O episódio ecoa diretamente a estratégia de seu pai. Em 2018, Jair Bolsonaro organizou uma apresentação para embaixadores no Palácio da Alvorada, usando a estrutura do governo, onde repetiu suspeitas sobre as urnas baseadas em um inquérito da Polícia Federal sobre uma invasão hacker ao TSE — acesso que o tribunal informou ter sido bloqueado sem interferência em resultados. Pela apresentação, Bolsonaro foi condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-se inelegível por oito anos. Flávio mencionou essa condenação durante o evento, descrevendo-a como uma punição injusta a quem apenas expressava preocupações legítimas sobre transparência eleitoral.
Flávio Bolsonaro levou para uma sala cheia de diplomatas uma acusação que o Tribunal Superior Eleitoral já havia desmentido formalmente: a de que as urnas eletrônicas brasileiras seriam fornecidas pela empresa venezuelana Smartmatic. O senador falava para representantes de quase 50 países e organizações internacionais em um evento fechado chamado "Debatendo o Brasil", organizado pela Novo Selo Comunicação em parceria com The Brazilian Report. Ele disse aos presentes que as máquinas usadas nas eleições brasileiras teriam a mesma origem das urnas venezuelanas e citou um relatório da CIA como prova de que a Smartmatic estaria envolvida em fraudes eleitorais na Venezuela em 2012.
O TSE, porém, já havia esclarecido isso publicamente. Em uma nota publicada em 2020 e atualizada em 8 de julho de 2026, o tribunal deixou registrado que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ou softwares para o Brasil. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que ofereceram suporte técnico e operacional. O projeto inteiro da urna eletrônica brasileira, segundo o TSE, foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país. A Smartmatic participou de uma licitação para fabricar urnas em 2020, mas perdeu para a empresa Positivo.
Flávio disse aos diplomatas que não estava questionando o sistema de votação brasileiro, mas pediu que os países enviassem mais observadores eleitorais para as próximas eleições. Ele argumentou que isso ajudaria a garantir maior segurança e transparência. O TSE, em sua nota, reafirmou que o sistema eletrônico de votação usa meios próprios e criptografados de comunicação, sem contato com redes públicas como a internet. Em mais de 20 anos de funcionamento, o sistema foi testado repetidamente e comprovadamente não apresentou qualquer manipulação, fraude na contagem de votos ou quebra do sigilo.
O episódio ecoa uma estratégia que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, havia usado anos antes. Em 2018, Bolsonaro organizou uma apresentação para embaixadores no Palácio da Alvorada usando a estrutura do governo, onde repetiu suspeitas sobre as eleições e a segurança das urnas. Ele baseou sua apresentação em um inquérito aberto pela Polícia Federal sobre a invasão de um hacker ao sistema do TSE — acesso que o tribunal informou ter sido bloqueado e que não interferiu em nenhum resultado. Bolsonaro também argumentou, sem provas, que o voto impresso seria mais seguro que as urnas eletrônicas, que funcionam desde 1996 sem qualquer caso confirmado de fraude ou adulteração.
Pela apresentação aos embaixadores em 2018, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão o tornou inelegível por oito anos, até 2030. Flávio mencionou essa condenação durante sua fala aos diplomatas, caracterizando-a como uma punição injusta contra alguém que apenas manifestava preocupações legítimas sobre transparência e segurança eleitoral. A TV Brasil, emissora estatal, transmitiu o evento de 2018, mas o acesso da imprensa foi restrito às equipes que concordaram previamente em veicular a apresentação ao vivo e na íntegra.
Citações Notáveis
São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil— Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições— Flávio Bolsonaro