Flávio Bolsonaro lança campanha presidencial em Copacabana, repetindo estratégia do pai

Tudo começou no Rio e faz sentido que continue aqui
A estratégia de Flávio é invocar a herança política do pai, começando a campanha no reduto eleitoral da família.
Mark

Por que Copacabana? Por que não começar em outro lugar?

Mimi

Porque Copacabana é onde o bolsonarismo nasceu como movimento de rua. É onde Bolsonaro reuniu dezenas de milhares de pessoas em 2022. Começar ali é dizer: eu venho dessa terra, eu sou continuidade.

Mark

Mas o palanque dele no Rio está fraco. Aliados presos, coligações desfeitas. Como isso muda a equação?

Mimi

Muda porque torna o ato mais sobre símbolo do que sobre força real. Flávio precisa mostrar que consegue mobilizar, que a base ainda responde. Se poucos aparecerem, fica evidente que algo mudou.

Mark

Ele está repetindo o trajeto do pai propositalmente?

Mimi

Sim. Juiz de Fora, a motociata, os mesmos lugares. É uma estratégia de legitimidade herdada. Mas também é arriscada — toda comparação pode expor diferenças.

Mark

O que ele vai dizer no palco?

Mimi

Segundo pessoas próximas, um discurso moderado. Ataques a Lula, promessas contra crime, críticas ao INSS. Nada muito diferente do que a direita bolsonarista já diz há anos.

Mark

E se a mobilização for pequena?

Mimi

Então a narrativa muda. Deixa de ser continuidade e passa a ser declínio. O bolsonarismo ainda move multidões ou já é coisa do passado?

  • Flávio Bolsonaro convoca apoiadores a formar um 'mar de verde e amarelo' em Copacabana, evocando o ato de 2022 que reuniu 64 mil pessoas no mesmo local.
  • O palanque fluminense chega ao evento enfraquecido: o ex-governador Cláudio Castro desistiu de concorrer após operações federais, o ex-prefeito Márcio Canella foi preso com fuzil, e o União Brasil rompeu a coligação com o PL no estado.
  • Aliados próximos ao senador admitem, reservadamente, que o evento foi organizado às pressas — o primeiro grande ato estava originalmente previsto para o dia 22.
  • A campanha seguirá para Juiz de Fora e Belo Horizonte, replicando o trajeto do ex-presidente em 2018 e buscando consolidar bases tradicionais do bolsonarismo em Minas Gerais.
  • O verdadeiro teste não é logístico, mas político: Flávio conseguirá mobilizar a mesma energia que tornava seu pai insubstituível, ou a força do movimento depende de um nome que não é o seu?

No domingo, o senador Flávio Bolsonaro ocupa a praia de Copacabana para lançar sua candidatura presidencial, repetindo o gesto simbólico que seu pai realizou em 2022 naquele mesmo litoral. O Rio de Janeiro, berço do bolsonarismo e reduto eleitoral da família, é escolhido como ponto de partida de uma campanha que busca transferir legitimidade dinástica para uma nova geração. Por trás do simbolismo, porém, há fraturas: aliados presos, coligações desfeitas e a pergunta que toda herança política carrega — o que pertence ao herdeiro e o que pertence apenas ao pai?

No domingo, Flávio Bolsonaro vai ocupar a praia de Copacabana com um ato de lançamento de sua candidatura presidencial — o mesmo gesto que seu pai realizou em setembro de 2022, quando reuniu cerca de 64 mil pessoas no posto 6 da orla. Aliados reconhecem que as comparações com Jair Bolsonaro serão inevitáveis, mas insistem que Flávio está começando sua própria jornada, e que faz sentido iniciá-la em casa, no reduto eleitoral da família.

Durante uma transmissão ao vivo na quinta-feira, o senador pediu aos apoiadores que vestissem 'a camisa do Bolsonaro' e formassem um mar de verde e amarelo na orla. O evento reunirá o núcleo duro da campanha — Valdemar Costa Neto, Rogério Marinho e o candidato a vice Alfredo Gaspar — e o discurso esperado é moderado, com ataques ao governo Lula centrados no escândalo do INSS e no endividamento da população.

Mas há uma realidade incômoda por trás da escolha simbólica. O palanque fluminense está enfraquecido: o ex-governador Cláudio Castro desistiu de concorrer ao Senado após ser alvo de duas operações federais em 15 dias; o ex-prefeito Márcio Canella foi preso em flagrante com um fuzil e também abandonou a chapa; e o União Brasil saiu da coligação com o PL no estado. Candidatos no Rio afirmam, reservadamente, que o ato foi organizado de última hora.

Depois de Copacabana, a campanha seguirá para Juiz de Fora — onde Bolsonaro pai levou uma facada em 2018 — e depois para Belo Horizonte, repetindo o mesmo trajeto simbólico. A estratégia é clara: traçar uma continuidade, ocupar os mesmos espaços, invocar os mesmos gestos. 'Tudo começou no Rio de Janeiro e faz sentido que o bolsonarismo continue aqui', diz Bruno Bonetti, presidente do PL na cidade. É uma aposta na herança política — mas também um teste sobre o quanto dessa herança Flávio consegue, de fato, carregar.

No domingo, o senador Flávio Bolsonaro vai fazer o que seu pai fez antes dele: ocupar a praia de Copacabana com um ato de campanha presidencial. É um gesto carregado de simbolismo — o Rio de Janeiro é o reduto eleitoral da família, o lugar onde o bolsonarismo nasceu e cresceu. Aliados reconhecem que as comparações com Jair Bolsonaro serão inevitáveis, mas insistem que Flávio está apenas começando sua própria jornada presidencial, e que faz sentido começar em casa.

Em setembro de 2022, Jair Bolsonaro reuniu cerca de 64 mil pessoas no mesmo local, segundo dados do Monitor do Debate Político da USP. Aquele ato, realizado na altura do posto 6 de Copacabana, foi marcado por críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao então presidente Lula, meses antes da derrota eleitoral. Agora, Flávio quer replicar aquela mobilização. Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais na quinta-feira, pediu aos apoiadores que ocupassem as ruas, vestissem "a camisa do Bolsonaro" e formassem um mar de verde e amarelo na orla. "É onde o presidente Bolsonaro organizou talvez a maior manifestação que Copacabana já viu", disse, evocando aquele momento.

O ato de domingo será o primeiro grande teste de mobilização da campanha de Flávio. Ele estará cercado pelo núcleo duro: Valdemar Costa Neto, presidente do PL; Rogério Marinho, coordenador político; e Alfredo Gaspar, seu candidato a vice. Pessoas próximas ao senador esperam um discurso moderado, focado em ataques ao governo Lula — especialmente sobre o escândalo do INSS e o endividamento da população — e em promessas de linha dura contra a criminalidade.

Mas há uma realidade incômoda por trás da escolha simbólica. O palanque de Flávio no Rio está enfraquecido. Nos últimos meses, uma sequência de operações policiais atingiu aliados importantes. O ex-governador Cláudio Castro desistiu de concorrer ao Senado após ser alvo de duas operações da Polícia Federal em 15 dias, uma delas relacionada ao escândalo do Banco Master. Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso em flagrante com um fuzil durante uma operação contra lavagem de dinheiro em postos de gasolina e também abandonou a chapa. O União Brasil, que era aliado, saiu da coligação com o PL no estado. Candidatos no Rio afirmam, reservadamente, que o ato em Copacabana foi organizado de última hora — o primeiro grande evento estava marcado para o dia 22.

Copacabana virou o principal palco do bolsonarismo nos últimos anos. Em março de 2025, um ato a favor da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro reuniu 30 mil pessoas segundo o Datafolha, embora a Polícia Militar tenha estimado 400 mil. A praia se tornou um símbolo, um lugar onde a base bolsonarista se reúne e se reafirma.

Flávio também vai repetir o trajeto do pai nos próximos passos da campanha. Depois de Copacabana, seguirá para Juiz de Fora, em Minas Gerais — o mesmo lugar onde Bolsonaro levou uma facada durante a campanha de 2018. Lá, participará de uma motociata ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira. De Juiz de Fora, irá para Belo Horizonte para o lançamento da candidatura de Flávio Roscoe ao governo estadual, após uma tentativa frustrada de composição com o senador Cleitinho.

O que Flávio está fazendo é claro: traçar uma continuidade com o pai, ocupar os mesmos espaços, invocar os mesmos símbolos, repetir os mesmos gestos. "Tudo começou no Rio de Janeiro e faz sentido que o bolsonarismo, nessa eleição sob a liderança do Flávio, continue aqui", diz Bruno Bonetti, presidente do PL na cidade. É uma estratégia de herança política, de legitimidade transferida. Mas também é um teste: conseguirá Flávio mobilizar a mesma energia que seu pai conseguia, ou o bolsonarismo já é coisa do passado?

Tudo começou no Rio de Janeiro e faz sentido que o bolsonarismo, nessa eleição sob a liderança do Flávio, continue aqui. É como se ele dissesse: eu vim dessa terra.
— Bruno Bonetti, presidente do PL no Rio de Janeiro
É onde o presidente Bolsonaro organizou talvez a maior manifestação que Copacabana já viu. Quero agradecer a cada um de vocês que foi naquela época. E, agora, mais uma vez, vamos lá, chegou a hora de a gente ocupar as ruas de novo.
— Flávio Bolsonaro, em transmissão ao vivo
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