Flávio Bolsonaro deixa o Brasil pela Argentina e segue para os EUA após determinação do STF

Às 22h50, ele ainda estava na fronteira entre Brasil e Argentina
O registro migratório argentino desfez a versão de que o senador já estaria a caminho dos EUA.
Mark

Qual é o fato mais sólido nessa história até agora?

Mimi

A travessia na fronteira. A Migração argentina registrou Flávio, a esposa e as duas filhas na ponte entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira.

Mark

E isso desfez uma versão que circulava, não?

Mimi

Sim. Pessoas próximas à família disseram que ele já estava a caminho dos Estados Unidos. O registro mostra que, naquele horário, ainda estava na fronteira.

Luke

Vale separar o que é confirmado do que é rastreado. A passagem pela Argentina é oficial. O pouso em Guayaquil e o destino Miami vêm de imprensa e de plataformas de monitoramento de voos.

Mark

Então ele não chegou aos EUA?

Luke

Não há confirmação oficial consultada de que tenha desembarcado. Um plano de voo não prova a entrada dos passageiros.

Mark

E a fala de Trump? Significa asilo?

Mimi

Não. Ele disse que aprovaria a entrada, e o governo americano sinalizou vistos. Isso não é asilo.

Luke

E não se sabe se houve pedido de proteção internacional. A reportagem não traz nada oficial sobre isso.

Mark

Qual é o risco jurídico para o senador?

Mimi

O prazo para entregar os passaportes terminou sem cumprimento. A PF e o STF vão avaliar se a saída violou as cautelares.

Luke

Isso ainda é avaliação futura. Ninguém decidiu que houve descumprimento, e o senador nega irregularidades na investigação.

  • A família cruzou a fronteira às 22h50 de terça-feira, e a Argentina confirmou a passagem com registros oficiais.
  • Quarenta minutos depois, um voo particular partiu rumo ao Equador, com destino declarado a Miami.
  • A ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar os passaportes expirou sem cumprimento, e a Polícia Federal já trabalha para cancelá-los.
  • Trump disse que aprovaria a entrada do senador nos EUA, mas a chegada ainda não foi confirmada oficialmente.
  • Polícia Federal e STF vão analisar se houve descumprimento das medidas cautelares, e a próxima decisão depende dessa avaliação.

Numa noite de terça-feira, em meio ao silêncio que costuma seguir as derrotas eleitorais, o senador Flávio Bolsonaro atravessou a ponte que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, deixando para trás um país onde uma decisão do Supremo lhe pedia que entregasse os passaportes. A travessia, registrada pelas autoridades argentinas, dá forma a uma história que ainda não terminou: a de um político que perdeu uma disputa nacional e agora se vê diante de uma investigação sobre lavagem de dinheiro, que ele nega. O que vem a seguir depende menos das palavras de quem partiu do que da leitura que as instituições brasileiras farão dos fatos.

Às 22h50 de terça-feira (27), o senador Flávio Bolsonaro, a esposa Fernanda e as duas filhas atravessaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. A Direção Nacional de Migrações argentina confirmou a passagem na madrugada seguinte, informando que a família apresentou documentos válidos e que a travessia transcorreu sem incidentes.

Quarenta minutos depois, o grupo embarcou em um jato particular da Baires Fly com destino declarado a Guayaquil, no Equador. De lá, segundo plataformas de rastreamento aéreo, a aeronave seguiu para o Aeroporto Executivo de Opa-locka, perto de Miami. Essa rota, porém, ainda não foi confirmada oficialmente, e nenhuma autoridade americana confirmou o desembarque.

A saída coincide com uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a entrega dos passaportes do senador no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo também o advogado Willer Tomaz. Flávio nega irregularidades. O prazo terminou sem cumprimento, e a Polícia Federal iniciou o cancelamento dos documentos.

O episódio ocorre poucos dias após a derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Na segunda-feira, ele havia afirmado que não deixaria o país e que contestaria as medidas pelos meios legais. Horas depois, a família já estava fora do território brasileiro.

Do lado americano, Donald Trump afirmou que aprovaria a entrada do senador, e o governo dos EUA sinalizou a emissão de vistos. Essas declarações não equivalem a asilo político. Agora, cabe à Polícia Federal reunir registros migratórios e documentos da viagem para que o STF avalie se houve descumprimento das cautelares. A confirmação da chegada e eventuais explicações da defesa podem trazer novos desdobramentos.

Às 22h50 de terça-feira (27), um grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina. Entre os que cruzaram a fronteira estavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal. A passagem foi confirmada oficialmente pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, na madrugada desta quarta-feira (28).

Segundo o órgão argentino, a família apresentou documentos válidos para entrar no país e a travessia ocorreu sem incidentes. Cerca de 40 minutos depois, o grupo embarcou em uma aeronave particular da empresa Baires Fly, com destino declarado a Guayaquil, no Equador. O avião pousou na cidade equatoriana durante a madrugada e, depois, decolou rumo ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, na região de Miami. A previsão inicial era de chegada às 10h39, no horário de Brasília. Essa rota vem de veículos de imprensa e de plataformas de rastreamento aéreo; um plano de voo não substitui a confirmação de que os passageiros entraram em território americano, e até a conclusão da reportagem não havia confirmação oficial sobre o desembarque.

O registro argentino esclareceu uma contradição surgida na terça-feira. Pessoas próximas à família haviam dito à imprensa que o senador já estaria a caminho dos Estados Unidos, mas o horário da travessia mostra que, às 22h50, ele ainda estava na fronteira entre Brasil e Argentina.

A viagem ocorre sob uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs restrições ao deslocamento internacional do parlamentar. Na segunda-feira (26), a Polícia Federal intimou Flávio a entregar seus passaportes. A medida integra uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. O senador nega irregularidades. O prazo para a entrega terminou sem que a determinação fosse cumprida, e a Polícia Federal também tomou providências para cancelar os passaportes brasileiros do parlamentar.

O contexto político pesa sobre o episódio. Flávio foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25). Nos dias seguintes, passou a enfrentar questionamentos sobre seu paradeiro e sobre o cumprimento das ordens judiciais. Na segunda-feira, ele havia dito publicamente que não pretendia deixar o Brasil e que contestaria as medidas do STF pelos meios legais.

Do lado americano, o presidente Donald Trump comentou o caso na madrugada de quarta-feira. Questionado sobre a possibilidade de o senador entrar no país, disse que aprovaria sua entrada. O governo dos Estados Unidos também sinalizou a emissão de vistos para Flávio e seus familiares. Essas manifestações, porém, não equivalem a asilo político, e não havia confirmação oficial consultada sobre qualquer pedido de proteção internacional.

O passo seguinte cabe às autoridades brasileiras. A Polícia Federal poderá reunir registros migratórios, horários e documentos da viagem e encaminhá-los ao STF, que avaliará se as medidas cautelares foram descumpridas. Novas providências dependerão dessa análise e das circunstâncias comprovadas. A confirmação oficial da chegada aos Estados Unidos e uma eventual manifestação da defesa podem trazer novos esclarecimentos.

Trump disse que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos.
— Donald Trump, presidente dos EUA
O senador nega irregularidades.
— Flávio Bolsonaro, segundo a reportagem
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