Fim da escala 6x1 pode elevar tarifa técnica e pressionar subsídios do transporte em Curitiba

A diferença de cerca de R$ 2 é coberta pela prefeitura
Em Curitiba, a tarifa social é de R$ 6, mas a tarifa técnica é de cerca de R$ 8 por passageiro.
Mark

Por que o fim da escala 6x1 mexe tanto com a passagem de ônibus?

Mimi

Porque metade do custo de operar o transporte coletivo é pessoal. Como os ônibus rodam todos os dias, reduzir a jornada para 40 horas exigiria mais motoristas. A NTU estima 15% a mais nos gastos com motoristas.

Mark

E em Curitiba, quem pagaria isso?

Mimi

Primeiro as concessionárias, depois o custo seria repassado à Urbs. Hoje o passageiro paga R$ 6, a tarifa técnica é cerca de R$ 8, e a prefeitura cobre a diferença com subsídio.

Luke

Vale separar o que é projeção do que é fato. Os 8% e os 15% são estimativas da NTU, uma entidade do setor de empresas. Não são resultado de uma regra já em vigor.

Mark

A Urbs apresentou alguma saída?

Mimi

Projeta receita com publicidade em ônibus, terminais e estações-tubo na nova concessão. Também fala em esforço conjunto de Município, Estado e União.

Luke

Mas a reportagem não traz quanto essa publicidade renderia. Então não dá para saber se cobre o aumento de custo.

Mark

E a frota? Pode diminuir?

Mimi

Analistas alertam para esse risco nos horários de menor movimento. O professor Garrone Reck estima de 3% a 5% a mais em horas pagas num modelo 5x2. A Urbs garante que o funcionamento não será afetado.

Luke

Aí há duas versões: o alerta de analistas e a garantia da Urbs. Nenhuma está comprovada, porque a mudança ainda depende de decisão legislativa.

  • Uma projeção da NTU aponta que o fim da escala 6x1 pode encarecer as passagens de ônibus em até 8% no país.
  • Com gastos de pessoal respondendo por cerca de metade dos custos, qualquer mudança na jornada atinge o coração do financiamento do sistema.
  • Em Curitiba, a tarifa técnica de R$ 8 já exige subsídio da prefeitura para que o passageiro pague R$ 6.
  • Analistas alertam que as empresas podem cortar frota nos horários de menor movimento para conter custos com novas contratações.
  • A Urbs aposta em receitas com publicidade na nova concessão para aliviar a pressão sobre o orçamento público.

Em Curitiba, quem paga R$ 6 por uma viagem de ônibus carrega, sem perceber, uma conta que vai além do bilhete: o trajeto custa cerca de R$ 8, e a prefeitura cobre a diferença com dinheiro público. É nesse equilíbrio frágil que o debate sobre o fim da escala 6x1 começa a ganhar peso, porque a jornada de trabalho de quem dirige os ônibus é, afinal, parte central do preço que a cidade paga para se mover. A discussão ainda aguarda decisões legislativas, mas já revela uma tensão antiga entre direitos trabalhistas e a sustentabilidade de um serviço que não pode parar.

Em Curitiba, quem embarca num ônibus paga R$ 6. Esse valor, a tarifa social, não cobre o custo real do trajeto: a tarifa técnica repassada às empresas operadoras gira em torno de R$ 8, e a diferença é bancada pela prefeitura. É sobre esse equilíbrio que o debate sobre o fim da escala 6x1 começa a pesar.

Um levantamento da NTU projeta que o fim da escala pode elevar em até 8% o preço das passagens no país. O motivo está na estrutura de custos: despesas com pessoal representam cerca de 50% da operação. Reduzir a jornada para 40 horas exigiria novas contratações, com acréscimo de 15% nos gastos com motoristas. Em Curitiba, são pouco mais de 2,5 mil motoristas, e esse custo passaria primeiro pela folha das concessionárias e depois para a Urbs.

A Urbs afirma que a pressão sobre a tarifa técnica deve aumentar e que será necessário um esforço conjunto entre Município, Estado e União. Como alternativa, o órgão projeta receitas com publicidade nos ônibus, terminais e estações-tubo, dentro da nova concessão ainda em elaboração.

Há também o risco de corte de frota. O professor Garrone Reck, da UFPR, lembra que a demanda se concentra de segunda a sexta. Num modelo 5x2, estima que as horas remuneradas de mão de obra subiriam entre 3% e 5%. A Urbs garante que o serviço não será afetado. Já o presidente do Curitibus, Angelo Gulin, defende que a melhora nas condições de trabalho é legítima, mas deve considerar a realidade operacional de um serviço essencial.

O desfecho depende de decisões legislativas ainda não tomadas. Até lá, a conta pode recair sobre a tarifa, os subsídios ou a oferta de ônibus.

Em Curitiba, quem embarca num ônibus paga R$ 6 pela passagem. Esse valor, chamado de tarifa social, não é o que o trajeto realmente custa: o custo real por passageiro, a tarifa técnica repassada às empresas operadoras, gira em torno de R$ 8. A diferença de cerca de R$ 2 é coberta pela prefeitura, com dinheiro público. É sobre esse equilíbrio que o debate sobre o fim da escala 6x1 começa a pesar.

Um levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) projeta que o eventual fim da escala 6x1 pode elevar em até 8% o valor das passagens de ônibus no país. O cálculo parte de um dado estrutural: as despesas com pessoal representam aproximadamente 50% da planilha de custos de operação do transporte coletivo. Qualquer mudança na jornada, portanto, atinge diretamente o modelo de financiamento de todo o sistema.

O transporte público funciona sem pausa, inclusive em fins de semana e feriados. Por isso, segundo a estimativa da NTU, reduzir a jornada para 40 horas semanais exigiria novas contratações, com acréscimo de 15% nos gastos relacionados especificamente aos motoristas.

Em Curitiba, o sistema tem pouco mais de 2,5 mil motoristas em atividade. No modelo atual, o custo de contratar mais gente cairia primeiro na folha de pagamento das concessionárias e, depois, seria repassado à Urbanização de Curitiba (Urbs), órgão que gerencia o sistema.

Procurada pela Tribuna do Paraná, a Urbs afirmou que o aumento de despesas com funcionários deve pressionar a tarifa técnica e ampliar a necessidade de aportes do poder público. Para manter o preço acessível ao passageiro, o órgão diz que será preciso um esforço conjunto entre Município, Estado e União. Como alternativa, a Urbs informou que projeta receitas adicionais no desenho da nova concessão do transporte coletivo, ainda em desenvolvimento, com exploração comercial de espaços publicitários nos ônibus, nos terminais e nas estações-tubo.

Outro ponto levantado é o risco de redução da frota. Para conter gastos com contratações, analistas alertam que as empresas poderiam diminuir o número de veículos nos horários de menor movimento. O professor Garrone Reck, do Departamento de Transportes da UFPR, observa que o pico de demanda ocorre de segunda a sexta, enquanto sábados e domingos têm movimento consideravelmente menor. Num modelo 5x2, ele estima que o total de horas de mão de obra remuneradas aumentaria entre 3% e 5%. Questionada, a Urbs garantiu que o fim da escala 6x1 não afetará o funcionamento dos ônibus na cidade.

O setor pede cautela. Angelo Gulin, presidente do Curitibus, entidade que representa exclusivamente as empresas operadoras do transporte coletivo de Curitiba, defende que a discussão seja conduzida com responsabilidade e diálogo. Para ele, a melhoria das condições de trabalho é um objetivo legítimo e importante, mas qualquer mudança dessa magnitude precisa considerar a realidade operacional de serviços essenciais como o transporte urbano.

O desfecho depende de decisões legislativas ainda não tomadas. Até lá, os números da NTU e as estimativas locais indicam onde a conta pode pesar: na tarifa, nos subsídios ou na oferta de ônibus.

A melhoria das condições de trabalho é um objetivo legítimo e importante para toda a sociedade.
— Angelo Gulin, presidente do Curitibus
O fim da escala 6x1 não afetará o funcionamento dos ônibus de Curitiba.
— Urbs, em resposta à Tribuna do Paraná (paráfrase)
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