Filha de Djamila Ribeiro é aprovada em Matemática na USP após reprovação na Fuvest

Primeira da nossa linhagem a poder escolher
Djamila Ribeiro reflete sobre o significado da aprovação de sua filha para a história de sua família.
Mark

Por que a mãe decidiu compartilhar publicamente essa aprovação? Parecia ser apenas um resultado de vestibular.

Mimi

Porque para Djamila não era apenas isso. Era a primeira vez em gerações que uma mulher de sua família tinha a liberdade de escolher uma carreira enquanto jovem. As avós e bisavós trabalharam em serviços domésticos. Essa aprovação representava uma mudança concreta de possibilidades.

Mark

E a escolha pela Matemática? Parecia surpreender as pessoas.

Mimi

Sim. Djamila é filósofa e escritora. Muitos esperavam que Thulane seguisse o mesmo caminho intelectual. Mas ela escolheu as exatas. Quando questionada, Thulane lembrava que Filosofia e Matemática sempre andaram juntas na história do pensamento.

Mark

Isso significa que ela estava consciente de estar fazendo uma escolha diferente?

Mimi

Parecia estar. Não era uma rebeldia, mas uma construção deliberada de seu próprio caminho. Ela sabia que estava se diferenciando da mãe, e tinha argumentos para isso.

Mark

A reprovação na Fuvest em 2024 poderia ter encerrado tudo.

Mimi

Poderia. Mas Thulane voltou aos estudos. Depois conseguiu um bom desempenho no Enem. A aprovação aos vinte anos ganha outro peso quando você sabe que houve uma tentativa anterior que não funcionou.

Mark

O que vem agora?

Mimi

Agora é diferente. Não se trata mais de passar em um processo seletivo. É cursar Matemática em uma das universidades mais rigorosas do país. É manter-se ali, aprender, crescer. Essa é a próxima etapa.

  • Thulane Ribeiro foi reprovada na Fuvest em 2024
  • Aprovada aos 20 anos no curso de Matemática da USP através do Enem
  • Avós e bisavós de Thulane trabalharam em serviços domésticos

Thulane foi reprovada na Fuvest em 2024, mas retomou estudos e conquistou vaga em Matemática na USP através do Enem. Djamila Ribeiro relaciona aprovação à trajetória familiar: avós e bisavós trabalharam em serviços domésticos, sonhando com oportunidades para descendentes.

Thulane Ribeiro, filha da escritora Djamila Ribeiro, foi aprovada no curso de Matemática da USP aos 20 anos, após reprovação anterior na Fuvest. A mãe celebra como primeira geração da família com liberdade de escolha educacional.

Thulane Ribeiro tinha vinte anos quando recebeu a notícia de sua aprovação no curso de Matemática da Universidade de São Paulo. Para muitos, seria apenas mais um resultado de vestibular. Para sua mãe, a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, era algo maior: a primeira mulher de sua linhagem com a liberdade de escolher seu próprio caminho educacional enquanto ainda jovem.

O percurso até lá não foi linear. Em 2024, Thulane prestou a Fuvest e não conseguiu aprovação. Poderia ter desistido. Em vez disso, voltou aos livros. Dedicou-se aos estudos e, na tentativa seguinte, obteve desempenho suficiente no Enem para conquistar a vaga que buscava. A aprovação, quando veio, carregava o peso dessa recusa anterior — não era o resultado de uma trajetória sem tropeços, mas de alguém que havia enfrentado um não e decidiu tentar novamente.

Djamila celebrou a notícia publicamente nas redes sociais, e a repercussão que se seguiu revelou por que a mãe via naquele resultado muito mais do que a entrada de uma filha em uma universidade de prestígio. Ao falar sobre a aprovação, a escritora conectou o momento presente à história de sua família. Avós e bisavós de Thulane passaram a vida trabalhando em serviços domésticos. Essas mulheres, segundo Djamila, sonhavam com um destino diferente para suas descendentes — um destino que incluísse escolhas, oportunidades, autonomia. "Thulane é a primeira da nossa linhagem a poder escolher", escreveu a mãe.

A escolha de Thulane pela Matemática adicionou outra camada à história. Filha de uma professora de Filosofia, ela poderia ter seguido o caminho intelectual materno. Em vez disso, optou pelas ciências exatas — uma decisão que, segundo relatos de Djamila, despertava estranhamento em pessoas que conheciam a trajetória da escritora. Quando questionada sobre essa diferença, Thulane respondia lembrando a relação histórica profunda entre Filosofia e Matemática entre os pensadores da Antiguidade. A resposta revelava não apenas conhecimento, mas também uma jovem consciente de que estava construindo seu próprio caminho acadêmico, não replicando o da mãe.

Em outras ocasiões, Djamila havia descrito a filha como alguém que gosta de tênis, séries coreanas, comida japonesa e gatos — uma jovem que ela caracteriza como "mística" e "sonhadora". Agora, a Matemática se integrava a esse retrato, não como contradição, mas como expansão. A aprovação na USP marcava o fim de uma etapa — a preparação para os processos seletivos — e o início de outra bem diferente: a formação universitária em uma das áreas mais tradicionais das ciências exatas. O desafio deixava de ser entrar na universidade e passava a ser permanecer nela, aprender, crescer dentro de um curso rigoroso e exigente. Para Thulane, e para a história de sua família, essa era apenas a porta de entrada.

Thulane é a primeira da nossa linhagem a poder escolher
— Djamila Ribeiro, mãe de Thulane
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