Logo após a reeleição de Lula, o mercado financeiro brasileiro reagiu com nervosismo: o dólar disparou e os juros de longo prazo subiram, deixando no ar a dúvida sobre o rumo das contas públicas no novo mandato. O economista Felipe Salto, em análise publicada no UOL, lembra que o próprio presidente já enfrentou ceticismo semelhante e superou-o com resultados fiscais consistentes entre 2003 e 2010. Para ele, a credibilidade perdida pode voltar, mas somente quando gestos concretos substituírem as promessas. A história, nesse caso, oferece tanto um precedente quanto um desafio.
Felipe Salto avalia que Lula tem condições de estabilizar a dívida e abrir espaço para queda dos juros
Lula não precisa buscar referências externas: seus próprios governos servem de guia
Qual é o argumento central de Salto?
Que Lula já provou que consegue entregar superávits. Entre 2003 e 2006 a média foi de 2,4% do PIB, e entre 2007 e 2010, de 1,9%. Para Salto, isso é um ativo para o novo mandato.
E o que isso tem a ver com os juros?
Ele liga a estabilização da dívida à redução dos prêmios de risco. Com trajetória mais previsível, os investidores cobrariam menos para financiar o país, e os juros longos tenderiam a ceder.
Isso é uma tese, não um fato. A análise afirma que Lula tem condições, mas não mostra medidas do governo atual que provem isso.
Concordo. O próprio Salto diz que a percepção só muda com medidas concretas e sinais consistentes da equipe econômica.
E a reação do mercado após a eleição?
O dólar subiu quase 9% e os juros de dez anos, mais de 2,3 pontos percentuais. Parte disso foi revertida no pregão seguinte.
Vale notar que esses números vêm da análise dele. E a explicação, de que houve frustração de investidores somada a dúvidas fiscais, é interpretação, não algo medido.
Então o que fica em aberto?
Quase tudo sobre o futuro: quais medidas virão, quanto de ajuste será necessário e se os juros de fato cairão. Os superávits passados são dado; o resto é projeção.
Il Polso
- O dólar chegou a subir quase 9% e os juros de dez anos avançaram mais de 2,3 pontos logo após a vitória eleitoral, sinalizando pânico nos mercados.
- Parte da alta foi revertida no pregão seguinte, mas a desconfiança sobre as contas públicas permanece sem resposta clara.
- Salto aponta os superávits primários de 2,4% e 1,9% do PIB nos governos anteriores de Lula como prova de que a retomada fiscal é possível.
- A estabilização da dívida depende agora de medidas concretas e sinais consistentes da equipe econômica, e a volatilidade pode persistir até que eles apareçam.
Logo após a reeleição de Lula, o mercado financeiro brasileiro reagiu com nervosismo: o dólar disparou e os juros de longo prazo subiram, deixando no ar a dúvida sobre o rumo das contas públicas no novo mandato. O economista Felipe Salto, em análise publicada no UOL, lembra que o próprio presidente já enfrentou ceticismo semelhante e superou-o com resultados fiscais consistentes entre 2003 e 2010. Para ele, a credibilidade perdida pode voltar, mas somente quando gestos concretos substituírem as promessas. A história, nesse caso, oferece tanto um precedente quanto um desafio.
Na manhã seguinte à vitória de Lula no segundo turno, o mercado financeiro brasileiro reagiu com força. Segundo o economista Felipe Salto, o dólar chegou a subir quase 9%, e os juros de dez anos avançaram mais de 2,3 pontos percentuais. Parte do movimento foi revertida no pregão seguinte, mas o susto deixou uma pergunta: o que esperar das contas públicas no quarto mandato do presidente?
Salto responde a essa pergunta em análise publicada no UOL. Para ele, Lula reúne condições para estabilizar a dívida pública, recuperar a credibilidade fiscal e abrir espaço para a queda dos juros. Seu argumento se apoia nos dois primeiros governos do presidente, entre 2003 e 2010, quando o superávit primário médio foi de 2,4% do PIB entre 2003 e 2006 e de 1,9% entre 2007 e 2010. Naquele período, a dívida caiu em relação ao PIB, a dívida externa foi reduzida e as reservas internacionais cresceram.
Para o economista, aquela experiência mostra que responsabilidade fiscal e desenvolvimento social podem caminhar juntos. Ele também considera equivocada a expectativa de que o novo governo necessariamente adotará irresponsabilidade fiscal. Na sua leitura, parte da reação do mercado reflete frustração de investidores com o resultado eleitoral, mas há incertezas reais sobre a trajetória das contas, e a volatilidade pode persistir até que a política econômica fique mais clara.
O elo com os juros, segundo Salto, está nos prêmios de risco. Resultados primários positivos e uma dívida estabilizada tendem a reduzir o que os investidores exigem para financiar o país, aliviando as taxas de longo prazo. Ele reconhece que o caminho pode exigir ajustes no curto prazo, mas defende que o objetivo é preservar a capacidade do Estado de financiar políticas públicas de forma sustentável. A confiança, conclui, dependerá do que a equipe econômica fizer nos próximos meses.
Na manhã seguinte à vitória de Lula no segundo turno, o mercado financeiro brasileiro reagiu com força. Segundo os números reunidos pelo economista Felipe Salto, o dólar chegou a subir quase 9%, e os juros de mercado para o prazo de dez anos avançaram mais de 2,3 pontos percentuais. Parte desse movimento foi revertida no pregão seguinte, mas o susto deixou uma pergunta no ar: o que esperar das contas públicas no quarto mandato do presidente?
É a essa pergunta que Salto responde em análise publicada no UOL. Para ele, Lula reúne condições políticas e econômicas para estabilizar a dívida pública, recuperar a credibilidade fiscal e criar um ambiente favorável à queda dos juros. O argumento se apoia, sobretudo, no passado: os dois primeiros governos do presidente, entre 2003 e 2010.
Salto cita dados do Banco Central. O superávit primário médio foi de 2,4% do PIB entre 2003 e 2006 e de 1,9% entre 2007 e 2010. Naquele período, a relação entre dívida pública e PIB caiu, e a composição do endividamento melhorou. O país também reduziu de forma significativa a dívida externa e acumulou reservas internacionais, o que ampliou sua capacidade de enfrentar turbulências.
Para o economista, essa experiência mostra que responsabilidade fiscal e políticas de desenvolvimento podem andar juntas: as contas melhoraram ao mesmo tempo que o governo ampliava investimentos e programas sociais. Ele reconhece que Lula tem razão ao lembrar que seus governos registraram alguns dos maiores superávits primários da história brasileira, e vê nisso um ativo no início do novo mandato, diante das dúvidas de agentes do mercado após a reeleição.
Salto também considera equivocada a expectativa de que o quarto governo necessariamente adotará uma política de irresponsabilidade fiscal. Na sua leitura, a reação do mercado misturou a frustração de investidores que apostavam em outro resultado eleitoral com incertezas reais sobre a trajetória das contas. Ele pondera, porém, que a volatilidade pode persistir enquanto não houver maior clareza sobre a orientação da política econômica, e que mudar a percepção dependerá de medidas concretas e de sinais consistentes da equipe econômica.
“Agora, precisamente, entendo que é o momento de retomar essa política e acredito que ele, mais do que qualquer um de nós, técnicos, sabe da importância de entregar esse resultado”, escreve. A análise ainda valoriza o trabalho do Tesouro Nacional na gestão da dívida, apontando a importância de uma estrutura técnica qualificada.
O elo com os juros, segundo Salto, está nos prêmios de risco. Resultados primários positivos e uma dívida estabilizada tendem a reduzir o que os investidores exigem para financiar o país. Uma trajetória fiscal mais previsível pode aliviar a pressão sobre as taxas de longo prazo e favorecer o investimento produtivo e o crescimento. O economista admite que o caminho pode exigir ajustes e sacrifícios no curto prazo, mas defende que o objetivo é preservar a capacidade do Estado de financiar políticas públicas de maneira sustentável.
A mensagem central, portanto, é que Lula não precisa buscar referências externas: os resultados de seus próprios governos servem de guia. O que se deve observar agora são os sinais da equipe econômica, que dirão se a confiança pode ser reconstruída.
Citazioni salienti
Agora, precisamente, entendo que é o momento de retomar essa política e acredito que ele, mais do que qualquer um de nós, técnicos, sabe da importância de entregar esse resultado.— Felipe Salto, economista