No limiar entre a resignação e a esperança, a medicina encontrou uma nova linguagem para dialogar com um dos cânceres mais silenciosos e letais da história humana. A FDA aprovou em agosto de 2026 o Rasonque, um comprimido que, ao bloquear sinais da proteína RAS, conseguiu dobrar o tempo médio de sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático — de 6,7 para 13,2 meses — em comparação à quimioterapia convencional. Para milhares de pessoas que recebem esse diagnóstico quando já há pouco a fazer, esse avanço representa não apenas meses a mais, mas a possibilidade de que a ciência finalme
FDA aprova Rasonque, novo medicamento que dobra tempo de vida em câncer de pâncreas
Dobrou o tempo de vida, mas ainda é um tempo curto
Por que esse medicamento é tão diferente do que já existia?
Ele não ataca o câncer de forma ampla como a quimioterapia. Em vez disso, bloqueia um sinal específico — a proteína RAS — que o tumor usa para crescer. É como encontrar o interruptor exato que alimenta a doença.
Mas esses números de sobrevida — 13,2 meses contra 6,7 — são médias de um estudo. Alguns pacientes vivem menos, outros mais. E 13 meses ainda é um tempo curto.
Verdade. Mas para câncer de pâncreas, que é descoberto geralmente quando já está avançado, dobrar o tempo de vida é considerado um avanço real.
Quem pode usar esse medicamento?
Apenas adultos com câncer de pâncreas que já se espalhou para outros órgãos e que já passaram por pelo menos um tratamento anterior. Ou pessoas que não podem receber certos tipos de quimioterapia combinada.
E quanto aos efeitos colaterais? A lista é longa — diarreia, inflamação na boca, sangramentos.
Sim, há efeitos colaterais significativos. Por isso o acompanhamento médico é essencial durante todo o tratamento.
Qual é o maior obstáculo agora?
O preço. US$ 39.800 por mês nos Estados Unidos. E no Brasil, ainda não foi aprovado. Precisa passar pela Anvisa.
Então pacientes brasileiros não podem usar ainda?
Não. Cada país tem seu próprio processo regulatório. A aprovação americana não vale aqui.
Il Polso
- O câncer de pâncreas mata com rapidez e silêncio — diagnosticado quase sempre em estágio avançado, ele historicamente oferecia aos pacientes menos de sete meses de vida com os tratamentos disponíveis.
- O Rasonque quebrou essa barreira ao dobrar a sobrevida média e manter a doença controlada por mais tempo, com redução tumoral em 30% dos pacientes contra apenas 11% na quimioterapia.
- A FDA acelerou sua análise e aprovou o medicamento antes do prazo previsto, reconhecendo a urgência de novas alternativas para uma doença que não espera.
- O preço de US$ 39.800 por mês nos Estados Unidos lança uma sombra sobre o avanço científico, tornando o acesso uma questão tão urgente quanto a eficácia.
- Para pacientes brasileiros, a aprovação americana não abre portas imediatas — a Anvisa precisa conduzir sua própria análise antes que o medicamento possa ser usado legalmente no Brasil.
No limiar entre a resignação e a esperança, a medicina encontrou uma nova linguagem para dialogar com um dos cânceres mais silenciosos e letais da história humana. A FDA aprovou em agosto de 2026 o Rasonque, um comprimido que, ao bloquear sinais da proteína RAS, conseguiu dobrar o tempo médio de sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático — de 6,7 para 13,2 meses — em comparação à quimioterapia convencional. Para milhares de pessoas que recebem esse diagnóstico quando já há pouco a fazer, esse avanço representa não apenas meses a mais, mas a possibilidade de que a ciência finalmente encontrou uma porta onde antes havia apenas paredes.
A Food and Drug Administration aprovou no final de agosto de 2026 o Rasonque (daraxonrasib), um medicamento desenvolvido pela Revolution Medicines que representa uma mudança de abordagem no tratamento do câncer de pâncreas avançado. Diferente da quimioterapia convencional, que age de forma ampla sobre as células, o Rasonque bloqueia sinais específicos da proteína RAS — um dos mecanismos centrais que permite ao tumor crescer e se espalhar.
O estudo que embasou a aprovação acompanhou 500 adultos com câncer pancreático metastático que já haviam passado por ao menos um tratamento anterior. Os resultados foram expressivos: quem recebeu o Rasonque viveu em média 13,2 meses, contra 6,7 meses no grupo tratado com quimioterapia. O tempo sem avanço da doença também foi maior — 7,2 meses contra 3,6 — e o medicamento reduziu o tamanho do tumor em 30% dos pacientes, comparado a 11% no grupo controle.
A FDA reconheceu tanto a urgência quanto a relevância dos dados e acelerou sua análise, aprovando o medicamento antes do prazo inicialmente previsto. Alguns pacientes já haviam acessado o Rasonque por meio de um programa de uso expandido, destinado a doenças graves ainda sem alternativas aprovadas.
Os efeitos colaterais incluem irritações de pele, diarreia, náusea, cansaço e sangramentos, entre outros, exigindo acompanhamento médico rigoroso. O preço — US$ 39.800 por mês nos Estados Unidos — coloca o acesso como um desafio tão real quanto a doença em si, ainda que a empresa tenha anunciado programas de assistência para alguns pacientes.
No Brasil, a aprovação americana não tem validade automática. A Anvisa conduz seu próprio processo de avaliação e registro, e pacientes brasileiros não devem buscar o medicamento por conta própria. O próximo passo, para quem aguarda do lado de cá, é a análise da agência regulatória brasileira.
A Food and Drug Administration aprovou no final de agosto um novo medicamento para câncer de pâncreas que dobrou o tempo de vida dos pacientes em testes clínicos. O Rasonque, produzido pela empresa norte-americana Revolution Medicines, é um comprimido tomado uma vez ao dia que funciona de forma diferente dos tratamentos convencionais: em vez de atacar as células cancerígenas de maneira ampla, ele bloqueia sinais específicos de uma proteína chamada RAS, responsável por fazer as células tumorais crescerem e se multiplicarem.
A aprovação foi baseada em um estudo com 500 adultos que tinham câncer de pâncreas em estágio avançado, já espalhado para outros órgãos, e que já haviam recebido pelo menos um tratamento anterior. Os números que chamaram atenção dos especialistas foram claros: pacientes que receberam o Rasonque viveram em média 13,2 meses, enquanto aqueles tratados com quimioterapia convencional viveram 6,7 meses. Além disso, o medicamento manteve a doença controlada por mais tempo — 7,2 meses sem avanço do câncer contra 3,6 meses com quimioterapia — e conseguiu reduzir o tamanho do tumor em 30% dos pacientes, comparado a 11% no grupo de quimioterapia.
O câncer de pâncreas é historicamente um dos mais difíceis de tratar. Muitas vezes é descoberto quando já está avançado, deixando poucas opções de tratamento. Por isso, encontrar uma forma de agir diretamente sobre um dos mecanismos que ajuda o tumor a crescer é considerado um avanço significativo. O Rasonque é uma das primeiras terapias direcionadas à proteína RAS para esse tipo de câncer, e a própria FDA classificou o medicamento como uma nova opção importante para pacientes com câncer pancreático avançado.
A agência acelerou sua análise e aprovou o medicamento meses antes do prazo inicialmente estabelecido, reconhecendo tanto os resultados promissores quanto a urgência de novas alternativas para esses pacientes. Antes da aprovação definitiva, alguns pacientes já haviam tido acesso ao Rasonque por meio de um programa de acesso expandido, que permite o uso de medicamentos ainda em avaliação em situações de doenças graves.
Os efeitos colaterais, porém, não são negligenciáveis. Entre os mais comuns estão irritações de pele, diarreia, inflamação na boca, náusea, cansaço, vômitos, dor abdominal, inchaço, perda de apetite e sangramentos. A FDA também incluiu alertas para outros problemas que podem ocorrer durante o tratamento, o que torna o acompanhamento médico essencial.
Nos Estados Unidos, o medicamento chegou ao mercado com preço de US$ 39.800 para um fornecimento de 30 dias — dezenas de milhares de dólares por mês. A Revolution Medicines anunciou programas de assistência para alguns pacientes com planos de saúde comerciais, mas o custo permanece um ponto crítico a ser discutido.
Para pacientes brasileiros, a aprovação da FDA não significa autorização automática. Cada país tem seu próprio processo regulatório. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável pela avaliação e registro de medicamentos. Pacientes brasileiros não devem interpretar a decisão americana como permissão para comprar ou usar o medicamento por conta própria. Qualquer indicação de tratamento contra câncer precisa ser feita por um médico, considerando o tipo de tumor, o estágio da doença e as condições específicas de cada pessoa. A próxima etapa é aguardar a análise da Anvisa.
Citazioni salienti
O medicamento tenta bloquear sinais que favorecem o crescimento do câncer, agindo sobre um mecanismo específico usado pelo tumor em vez de atacar as células de maneira ampla— Descrição do mecanismo de ação do Rasonque