Num mundo em que o dinheiro também ganhou forma digital, um dos maiores furtos já registrados em criptomoedas ganhou agora um nome: o FBI associou o ataque à rede Ronin, que sustenta o jogo Axie Infinity, aos grupos Lazarus e APT38, ligados à Coreia do Norte. O episódio, ocorrido em março e revelado no fim daquele mês, lembra que valor e confiança migram para novos territórios, e que os cofres mais recentes também atraem as mãos mais antigas da ambição. Ao atribuir a autoria a um Estado, e não apenas a criminosos comuns, a investigação desloca a questão de uma fraude isolada para o terreno da
FBI atribui à Coreia do Norte roubo de US$ 620 milhões em criptomoedas de jogo Axie Infinity
Um jogo de batalhas virou alvo de US$ 620 milhões em criptomoedas
O que o FBI disse exatamente nesta quinta?
Que, graças à investigação, confirmou que o Grupo Lazarus e o APT38, associados à Coreia do Norte, são responsáveis pelo roubo de cerca de US$ 620 milhões em março.
Vale notar que é uma afirmação do FBI. O material que temos não traz as provas nem o método da atribuição.
E o que foi levado, na prática?
A Ronin Network falou em cerca de 173.600 ether e US$ 25,5 milhões em moeda estável, após um ataque à sua blockchain.
Em dólares, o total de US$ 620 milhões vem das autoridades. A conversão depende da cotação do ether, que não está detalhada aqui.
Por que um jogo guarda tanto dinheiro?
Porque no Axie Infinity os jogadores ganham recompensas trocáveis por criptomoedas ou dinheiro, e compram, vendem e alugam Axies, que são NFTs.
Também não sabemos ainda se e como os jogadores serão ressarcidos. Isso não consta no que foi divulgado.
Então o que muda com essa atribuição?
Ela aponta para um Estado como suspeito, o que aumenta a preocupação com ataques contra plataformas de cripto e games.
El Pulso
- Cerca de US$ 620 milhões em criptomoedas desapareceram de uma rede de jogos em março, provocando alarme entre jogadores e investidores.
- O ataque atingiu a blockchain da Ronin Network, com cerca de 173.600 ether e US$ 25,5 milhões em stablecoin desviados.
- O FBI aponta o Grupo Lazarus e o APT38, associados à Coreia do Norte, como autores, mas a versão divulgada não explica como chegou a essa conclusão.
- A atribuição a um Estado eleva a pressão sobre plataformas de criptoativos e games, que agora precisam reforçar defesas contra ataques patrocinados.
Num mundo em que o dinheiro também ganhou forma digital, um dos maiores furtos já registrados em criptomoedas ganhou agora um nome: o FBI associou o ataque à rede Ronin, que sustenta o jogo Axie Infinity, aos grupos Lazarus e APT38, ligados à Coreia do Norte. O episódio, ocorrido em março e revelado no fim daquele mês, lembra que valor e confiança migram para novos territórios, e que os cofres mais recentes também atraem as mãos mais antigas da ambição. Ao atribuir a autoria a um Estado, e não apenas a criminosos comuns, a investigação desloca a questão de uma fraude isolada para o terreno da disputa entre nações.
Na quinta-feira, 14 de abril de 2022, o FBI deu nome a quem, segundo sua investigação, esteve por trás de um dos maiores roubos de criptomoedas já registrados. Em comunicado, a agência afirmou que o Grupo Lazarus e o APT38, atores on-line associados à Coreia do Norte, são responsáveis pelo furto de cerca de US$ 620 milhões ocorrido em março contra jogadores do Axie Infinity.
O caso começou no fim de março, quando a Ronin Network, rede ligada ao Ethereum e voltada a jogos, revelou que um ataque dirigido à sua blockchain desviou cerca de 173.600 ether e US$ 25,5 milhões em stablecoin, moeda atrelada ao dólar. Essa rede sustenta o Axie Infinity, onde jogadores disputam batalhas, ganham recompensas e negociam personagens em forma de NFTs, que também podem ser vendidos ou alugados. Ou seja, o jogo funciona como uma economia real, com ativos que têm valor, e foi justamente esse ambiente que o ataque atingiu.
O avanço da criptoeconomia atraiu, ao mesmo tempo, investimento e cobiça. Ao apontar um Estado como suspeito, a atribuição do FBI amplia o problema para além da figura do criminoso comum. Resta saber se novos detalhes da apuração serão divulgados e quais desdobramentos o caso terá para a Ronin Network e para os jogadores afetados.
Na quinta-feira, 14 de abril de 2022, o FBI deu nome a quem, segundo a investigação, estava por trás de um dos maiores roubos de criptomoedas já registrados. Em comunicado, o órgão afirmou ter confirmado que o Grupo Lazarus e o APT38, atores on-line associados à Coreia do Norte, são responsáveis pelo furto de cerca de US$ 620 milhões, ocorrido em março contra jogadores do videogame Axie Infinity.
O FBI atribuiu a autoria à investigação conduzida pela própria agência. Na nota, disse que, graças ao trabalho feito, foi possível confirmar a ligação dos dois grupos com o ataque. O texto divulgado pelas autoridades estadunidenses não detalha, na versão reproduzida pela imprensa, como essa conclusão foi alcançada.
O episódio havia sido revelado ao final de março pela Ronin Network, rede ligada à criptomoeda Ethereum e especializada em jogos. A empresa informou que um ataque dirigido à sua blockchain resultou no desvio de aproximadamente 173.600 ether e de US$ 25,5 milhões em moeda estável, ativo digital cujo valor é atrelado ao dólar americano.
É nessa rede que funciona o Axie Infinity. No jogo, os participantes disputam batalhas e recebem recompensas, que podem ser trocadas por criptomoedas ou por dinheiro vivo. Para começar a jogar, é preciso comprar no mínimo três Axies, que são NFTs, ou tokens não fungíveis, registrados em uma blockchain, espécie de livro digital de contabilidade.
Quem tem Axies pode comprá-los, vendê-los ou alugá-los a outros jogadores, o que faz do jogo também uma economia, com ativos que circulam e têm valor. É esse ambiente que o ataque de março atingiu.
O caso se insere num cenário mais amplo: o fenômeno das criptomoedas se expandiu pelo mundo e, ao mesmo tempo, tornou-se atraente para ladrões. A atribuição feita pelo FBI coloca agora um Estado, e não apenas criminosos comuns, como suspeito de agir contra plataformas de criptoativos e de games.
O que vale acompanhar é se novos detalhes da apuração serão divulgados e se a atribuição à Coreia do Norte terá desdobramentos para a Ronin Network e para os jogadores afetados.
Citas Notables
Graças à nossa investigação, confirmamos que o Grupo Lazarus e APT38, atores on-line associados com a Coreia do Norte, são responsáveis pelo roubo.— FBI, em comunicado