Ebola ultrapassa 5 mil mortes no Congo e se torna o segundo surto mais letal da história

Já são 5.026 mortes e 10.351 infectados no Congo, com cerca de um terço dos mortos falecendo antes de receber atendimento ou ser testado.
Um terço dos mortos nunca chegou a um centro de tratamento
A OMS diz que essas vítimas morreram antes mesmo de serem testadas no surto de ebola no Congo.
Mark

Por que esse número de 5.026 mortes chama tanta atenção?

Mimi

Porque coloca o surto atrás só da epidemia de 2014 a 2016 na África Ocidental, que matou 11 mil pessoas. E a letalidade está perto de 50%.

Mark

O que mais preocupa a OMS?

Mimi

Um terço das vítimas morreu sem passar por um centro de tratamento, antes mesmo de ser testada. Patrick Otim diz que são pessoas que nunca houve chance de tentar salvar.

Luke

Vale separar o que é dado oficial do que é estimativa. As mortes e infecções vêm do Ministério da Saúde congolês. Os 80% de casos fora das cadeias de contato vêm do Africa CDC, e o texto não explica como esse cálculo foi feito.

Mark

E a falta de vacina?

Mimi

A Bundibugyo é diferente da Zaire. Vacinas e tratamentos feitos para a Zaire não têm eficácia comprovada contra ela, então só há cuidados de suporte.

Luke

Ou seja, não é que não funcionem: não está comprovado que funcionem. A diferença importa.

Mark

As greves influenciam?

Mimi

Em Tchomia, em Ituri, a equipe parou por quatro meses de salários atrasados, numa unidade com cinco casos confirmados e dez suspeitos.

Luke

Isso é um caso isolado no relato. A reportagem não diz quantas unidades estão paradas, então não dá para generalizar.

  • Com letalidade próxima de 50%, o surto de Bundibugyo já é o segundo mais mortal da história do ebola.
  • Cerca de 80% dos novos casos surgem fora das cadeias de contato monitoradas, e o rastreamento segue atrasado.
  • Um terço das mortes aconteceu sem nenhum atendimento, com vítimas que sequer chegaram a ser testadas.
  • Em Tchomia, funcionários de um centro de tratamento pararam por quatro meses de salários atrasados, enquanto dezenas de pacientes aguardam cuidado.
  • Sem vacina ou terapia aprovada para esta espécie, a resposta se limita a cuidados de suporte, e o alcance já atravessa fronteiras com casos no Quênia e na Nigéria.

Neste sábado, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo registrou 5.026 mortes entre 10.351 infectados pelo vírus Bundibugyo, um número que coloca o surto entre os mais letais da história do ebola, atrás apenas da epidemia da África Ocidental. Por trás das cifras estão famílias e comunidades do leste do país, onde a doença avança sobre territórios marcados por conflitos armados. Trata-se de uma crise que expõe o limite do que a medicina ainda consegue oferecer quando não há vacina nem tratamento específico para esta variante. Como em outras epidemias, o que se decide agora depende menos de descobertas futuras e mais da capacidade de chegar às pessoas antes que seja tarde.

Os números divulgados neste sábado, 31, pelo Ministério da Saúde da República Democrática do Congo revelam a dimensão do surto: 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas pelo ebola, com letalidade perto de 50%. Outras 2.788 pessoas se recuperaram. Declarado em meados de maio, o surto causado pelo vírus Bundibugyo já é o segundo mais letal da história da doença, atrás apenas da epidemia da África Ocidental, que matou cerca de 11 mil pessoas entre 2014 e 2016.

A doença chegou a 67 das 178 zonas de saúde do país e atingiu oito das 26 províncias, com maior concentração no leste. Em Ituri e Kivu do Norte, já são 9.782 casos confirmados e 4.792 mortes. Para o médico Patrick Otim, da Organização Mundial da Saúde, não se trata apenas de números, mas de famílias e comunidades devastadas.

O maior desafio é rastrear quem teve contato com os doentes. Segundo o Africa CDC, cerca de 80% dos novos casos estão fora das cadeias monitoradas, e um terço dos mortos nunca chegou a um centro de tratamento, morrendo antes de ser testado. A resposta também enfrenta conflitos armados, resistência de parte da população e greves de profissionais sem salário. Em Tchomia, em Ituri, funcionários de um centro que atende cinco pacientes confirmados e dez suspeitos pararam para cobrar quatro meses de pagamentos atrasados.

O surto ultrapassou fronteiras. Quênia e Nigéria confirmaram casos em outubro, e Uganda já havia registrado infecções. Como a Bundibugyo difere da Zaire, contra a qual existem vacinas, não há imunizante nem terapia específica aprovados. Os pacientes recebem apenas cuidados de suporte, e a principal aposta agora é alcançar mais cedo quem ainda não procurou ajuda.

Os números divulgados neste sábado, 31, pelo Ministério da Saúde da República Democrática do Congo dão a medida do surto: 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas pelo ebola. A letalidade fica perto de 50%. Outras 2.788 pessoas se recuperaram da doença.

O surto é causado pelo vírus Bundibugyo e foi declarado em meados de maio. Com as mortes registradas até agora, tornou-se o segundo mais letal da história do ebola. Fica atrás apenas da epidemia da África Ocidental, entre 2014 e 2016, que matou 11 mil pessoas em diferentes países.

Desde maio, a doença chegou a 67 das 178 zonas de saúde do Congo, em oito das 26 províncias. A maior concentração está no leste: Ituri e Kivu do Norte somam 9.782 casos confirmados e 4.792 mortes. Para o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o marco é trágico porque não se trata apenas de um número. Segundo ele, são famílias e comunidades devastadas.

Um dos principais obstáculos é rastrear quem teve contato com os doentes. De acordo com os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), cerca de 80% dos novos casos estão fora das cadeias de contatos monitoradas pelas autoridades. Além disso, um terço das pessoas que morreram nunca chegou a um centro de tratamento. Segundo Otim, essas vítimas morreram antes mesmo de ser testadas. Ele descreveu a situação como uma das maiores preocupações da OMS: são pessoas que não houve oportunidade de tentar salvar, e a questão é como alcançá-las mais cedo para que procurem as unidades de saúde.

A resposta enfrenta ainda os conflitos armados no leste do país, a resistência de parte da população às medidas de saúde e greves de profissionais que não recebem salários. Na sexta-feira, 30, funcionários de um centro de tratamento em Tchomia, na província de Ituri, interromperam as atividades para cobrar quatro meses de pagamentos atrasados. A unidade atende cinco pacientes com diagnóstico confirmado e dez casos suspeitos.

O surto também cruzou fronteiras. Em outubro, Quênia e Nigéria confirmaram casos. O Quênia registrou oito infecções e duas mortes. Na Nigéria, o único paciente com diagnóstico confirmado foi transferido para a Suíça. Uganda já havia registrado casos. Com ocorrências em três regiões africanas, este é considerado o surto de maior alcance geográfico já observado no continente.

O ebola é uma doença grave causada por vírus da família Filoviridae, entre eles as espécies Zaire, Sudan e Bundibugyo. Trata-se de uma zoonose, e acredita-se que morcegos frugívoros sejam hospedeiros naturais, relação ainda em estudo. A transmissão entre pessoas ocorre pelo contato direto com sangue ou outros fluidos de alguém infectado, vivo ou morto, ou com objetos contaminados. Não é transmitida pelo ar. Os sintomas incluem febre alta e repentina, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza intensa, diarreia e vômitos e, nos casos graves, hemorragias e falência de órgãos.

A espécie Bundibugyo foi identificada pela primeira vez em 2007, no distrito de mesmo nome, em Uganda, e difere da Zaire, responsável pela epidemia de 2014 a 2016. Isso pesa no controle: vacinas e tratamentos desenvolvidos contra a Zaire não têm eficácia comprovada contra a Bundibugyo. Até agora não há vacina nem terapia específica aprovada, e os pacientes recebem apenas cuidados de suporte, para aliviar sintomas e tratar complicações.

É um marco muito trágico porque não se trata apenas de um número. São famílias e comunidades devastadas por esse surto.
— Patrick Otim, gerente de área de programas da OMS
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