Faustão descarta retorno à TV e chama de milagre sobrevivência a quatro transplantes

Faustão dependeu de medicação e aparelhos para sobreviver durante aproximadamente um mês aguardando transplante de coração, enfrentando complicações de saúde após o procedimento em 2023.
Não tenho nada mirabolante. É curtir a vida, viajar.
Faustão descreve seus planos para o futuro após quatro transplantes e 33 anos de carreira televisiva.
Mark

Por que você acha que ele chamou de milagre a sobrevivência? Não é uma palavra que a maioria das pessoas usa para falar de medicina moderna.

Mimi

Porque tecnicamente ele não deveria estar aqui. Quatro transplantes, complicações após complicações, um mês esperando um coração enquanto dependia de máquinas. A medicina fez o trabalho, mas o acaso também teve papel.

Luke

Mas precisamos ser claros: ele sobreviveu porque estava em um hospital de ponta, porque tinha acesso à fila de transplantes gerenciada pelo Ministério da Saúde, porque era paciente prioritário. Nem todos têm isso.

Mimi

Verdade. E por isso o cardiologista vê nele um legado — não apenas sobreviveu, mas pode falar sobre doação de órgãos.

Mark

E quanto ao retorno à TV? Parece uma porta definitivamente fechada?

Mimi

Ele foi bem claro: não há planos. Mas acho que é mais que isso. É uma mudança de prioridades genuína. Quando você quase morre, viajar e estar com os filhos faz mais sentido que estar em um estúdio.

Luke

A questão é: ele está dizendo isso porque realmente não quer voltar, ou porque seu corpo não permitiria? A entrevista não deixa claro.

Mimi

Ele mencionou que ainda está em recuperação contínua — musculação, fisioterapia, tai chi chuan. Então talvez seja os dois.

Mark

E esse legado que ele fala, sobre ter formado profissionais na Globo — é isso que o define agora?

Mimi

Parece ser. Ele passou 33 anos lá. Deixou marcas. Agora, em vez de estar na frente das câmeras, ele está ajudando a estimular doação de órgãos.

Luke

Mas novamente: quanto disso é escolha dele e quanto é consequência da saúde? A entrevista é sobre o que ele quer, não necessariamente sobre o que ele pode fazer.

  • Faustão, 76 anos, concedeu rara entrevista a Pedro Bial na Globo em 15 de setembro
  • Sobreviveu a quatro transplantes: um de coração, dois de rim e um de fígado
  • Deixou a Globo há cinco anos após 33 anos de trabalho
  • Transplante cardíaco ocorreu em 2023; esperou cerca de um mês por doador compatível
  • 50 mil pessoas aguardam transplante no Brasil; apenas 45% das famílias aceitam doação de órgãos

Faustão chamou de milagre sua sobrevivência a quatro transplantes: um de coração, dois de rim e um de fígado, passando a maior parte dos últimos anos internado. O apresentador prioriza agora curtir a vida, viajar e conviver com família, mantendo rotina de musculação, fisioterapia e tai chi chuan como parte da recuperação contínua.

O apresentador Faustão, 76, concedeu rara entrevista a Pedro Bial na Globo afirmando não ter planos de retornar à televisão. Ele discutiu sua recuperação após quatro transplantes e destacou o legado profissional deixado na emissora.

Aos 76 anos, Fausto Silva encerrou qualquer especulação sobre um retorno à televisão. Em entrevista rara concedida a Pedro Bial na noite de terça-feira na Globo — a emissora que deixou cinco anos atrás após três décadas de trabalho — o apresentador conhecido como Faustão foi direto: não há planos grandiosos no horizonte. "Não tenho nada mirabolante", disse. O que o move agora é mais simples e mais urgente: viajar, aproveitar a companhia da mulher e dos filhos, curtir o que resta.

Essa mudança de prioridades não é casual. Faustão passou a maior parte dos últimos anos dentro de hospitais, submetido a quatro transplantes — coração, dois rins e fígado. Ele chamou de milagre sua própria sobrevivência. O transplante cardíaco aconteceu em 2023, após uma viagem aos Estados Unidos quando seu cardiologista, Fernando Bacal, constatou a necessidade urgente de intervenção. Faustão foi internado na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein como paciente prioritário, dependendo de medicação e máquinas para respirar enquanto aguardava um doador compatível. Esperou cerca de um mês — tempo que ele próprio descreveu como estar "no bico do corvo".

A recuperação continua sendo um trabalho diário. Musculação, fisioterapia, tai chi chuan — Faustão estruturou sua vida em torno da reconstrução do corpo. Ele fala sobre ter sido "adestrado a ter resiliência" após o transplante, uma palavra que carrega o peso de tudo que enfrentou. Não é uma recuperação que termina; é um processo contínuo, um ajuste permanente à segunda vida que lhe foi concedida.

A entrevista com Bial percorreu a carreira que o tornou figura central da televisão brasileira. Começou no rádio, depois veio o Perdidos na Noite na Band — programa considerado inovador e engraçado, tão eficaz que o Centro de Valorização da Vida agradecia publicamente porque as ligações diminuíam enquanto ele estava no ar. Depois, em março de 1989, chegou ao Domingão do Faustão na Globo, onde permaneceu por 33 anos. Seu estilo irreverente — aquele que o fez soltar um palavrão já no primeiro minuto de transmissão — foi negociado diretamente com Roberto Marinho. "Quando eu falo pentelho, estou falando no adjetivo, não no substantivo", explicou na época. Marinho compreendeu e nunca o reprimiu.

Há momentos que ficaram para a história: a churrasqueira que pegou fogo ao vivo no palco, gerando o bordão "tá pegando fogo, bicho". Há também o que foi deixado de fora — polêmicas como a do sushi erótico de 1997, quando modelos nuas cobertos apenas com comida japonesa chocaram a direção da emissora. Mas Faustão não se arrepende. Seu legado, como ele o vê, não está em momentos isolados, mas na formação de profissionais que hoje ocupam cargos de direção na Globo. "É legal ajudar a melhorar o trabalho para todo mundo. Isso não é questão de ser bonzinho, é ser inteligente. Você cria um clima melhor."

O cardiologista Bacal, que acompanhou toda a trajetória médica de Faustão, vê nele algo maior que um paciente recuperado. Vê um instrumento de educação pública. No Brasil, 50 mil pessoas aguardam um transplante. Apenas 45% das famílias aceitam a doação de órgãos — o ideal seria chegar a 80%. Um único doador pode fornecer até seis ou sete órgãos, salvando múltiplas vidas. "Ter um paciente como o Fausto, com todo o histórico de saúde, é um orgulho para a medicina brasileira", disse Bacal. O apresentador, sem planejá-lo, tornou-se embaixador de uma causa que agora o define tanto quanto qualquer programa que já apresentou.

Atualmente, Faustão assiste a programas esportivos, jornalísticos, séries e filmes. Não sente falta do trabalho. Tem três filhos — Lara, João Guilherme e Rodrigo — e agora tem tempo para estar com eles, algo que a morte quase lhe tirou. Essa proximidade com o fim, paradoxalmente, o aproximou do que realmente importa. Não há volta à TV porque não há necessidade. A vida que lhe restou é ocupação suficiente.

Chamou de milagre sua sobrevivência aos quatro transplantes, afirmando que passou a maior parte dos últimos anos internado
— Faustão
Ter um paciente como o Fausto, com todo o histórico de saúde, é um orgulho para a medicina brasileira. É um grande legado falar sobre doação de órgãos
— Fernando Bacal, cardiologista
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