Família Batista assume controle total da Avibras e consolida entrada no setor de Defesa

De financiador a controlador integral de uma empresa que domina tecnologias sensíveis
A família Batista transforma sua participação na Avibras em controle total, consolidando presença no setor de Defesa.
Mark

Por que a família Batista decidiu passar de financiador a controlador integral da Avibras em tão pouco tempo?

Mimi

Porque uma vez que você coloca capital em uma empresa estratégica em crise, controlar integralmente a operação permite definir a direção tecnológica e comercial. Financiar é uma posição passiva; controlar é poder.

Mark

E quanto ao interesse das empresas estrangeiras? Por que nenhuma conseguiu comprar a Avibras?

Mimi

Havia resistência política real. O Congresso e as Forças Armadas viam a propriedade intelectual dos mísseis e foguetes como questão de soberania nacional. Uma solução brasileira era preferível a qualquer controle estrangeiro, mesmo que viesse com mais capital.

Mark

A Avibras saiu de uma greve de 1.281 dias para ser visitada pelo presidente. Como isso muda a empresa?

Mimi

Muda tudo. Quando o presidente visita sua fábrica, você tem legitimidade política e acesso a encomendas governamentais. Mas também tem responsabilidade: precisa entregar os programas de longo prazo que o governo espera.

Mark

Qual é o risco real para os Batista neste negócio?

Mimi

Os programas de defesa têm ciclos de desenvolvimento e certificação que duram anos. Exigem investimento contínuo sem retorno imediato. A JBS sabe lidar com operações de larga escala, mas defesa é diferente. É política, é tecnologia sensível, é mercado internacional complexo.

Mark

O valor da transação não foi divulgado. O que isso significa?

Mimi

Significa que há negociações em andamento com órgãos reguladores e talvez com o governo. Quando o preço fica secreto em uma operação de defesa, geralmente há aprovações pendentes que dependem de como a transação é estruturada.

  • Globe Investimentos adquire 100% da holding que controla a Avibras Aeroco
  • Joesley Batista passou de financiador (abril de 2026) a controlador (agosto de 2026)
  • Avibras domina ASTROS, MTC e tecnologias de propulsão de foguetes e mísseis
  • Empresa saiu de recuperação judicial com dívidas de R$ 600 milhões em março de 2022
  • Interesse de empresas chinesas, australianas e sauditas foi bloqueado por preocupações de soberania

Operação transforma Joesley Batista de financiador em controlador integral da fabricante de sistemas de foguetes e mísseis brasileiros. Avibras domina tecnologias sensíveis em propulsão de foguetes e integração de sistemas de armas, evitando controle estrangeiro após interesse de empresas chinesas, australianas e sauditas.

A família Batista, controladora da J&F e JBS, adquire 100% da Avibras através da Globe Investimentos, consolidando presença no setor de Defesa com tecnologias estratégicas como o sistema ASTROS e mísseis táticos.

A família Batista, controladora do conglomerado J&F e da gigante alimentícia JBS, está consolidando sua entrada no setor de Defesa ao adquirir o controle total da Avibras Aeroco, fabricante brasileira de sistemas de foguetes, mísseis e equipamentos militares. A operação, anunciada em 21 de agosto, será realizada através da Globe Investimentos, veículo de investimentos ligado aos empresários Joesley e Wesley Batista, que adquirirá 100% da holding que controla a empresa. O valor da transação permanece confidencial.

Esta movimentação marca uma transformação significativa na relação entre os Batista e a Avibras. Apenas quatro meses antes, em abril, Joesley Batista havia participado de uma captação de recursos coordenada pelo Fundo Brasil Crédito, então principal credor da empresa. Naquela ocasião, o empresário ajudou a reunir aproximadamente R$ 300 milhões em capital privado para financiar a reorganização e retomada da produção da companhia, que enfrentava grave crise financeira. Agora, em vez de permanecer como investidor ou financiador, o grupo Batista passará a controlar integralmente a operação industrial, adquirindo do FIP Brasil Crédito a holding que comanda a Avibras Aeroco.

A Avibras é uma empresa de importância estratégica para a Base Industrial de Defesa brasileira. Fundada em 1961, ela domina tecnologias sensíveis em propulsão de foguetes, propelentes sólidos e integração de sistemas de armas. Seu produto mais conhecido é o ASTROS, um sistema móvel de artilharia capaz de empregar foguetes e mísseis de diferentes alcances, com capacidade de atingir alvos entre 9 e 300 quilômetros conforme a munição utilizada. O sistema foi exportado para diversos países e permanece como um dos principais sistemas de apoio de fogo do Exército Brasileiro. A empresa também desenvolve o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), com alcance de até 300 quilômetros e em processo de certificação, além do Míssil Tático Balístico AV-SS-100 e a família de foguetes Skyfire de 70 mm.

A recuperação da Avibras foi acompanhada de perto pelo Ministério da Defesa e pelas Forças Armadas. A empresa havia entrado em recuperação judicial em março de 2022 com dívidas estimadas em cerca de R$ 600 milhões, provocando atrasos salariais, demissões e uma greve que durou 1.281 dias a partir de setembro daquele ano. Para preservar sua capacidade tecnológica, a solução encontrada foi separar a operação industrial das dívidas acumuladas. A Avibras Indústria Aeroespacial S.A., empresa histórica, permaneceu no processo de recuperação judicial concentrando os passivos, enquanto os ativos produtivos, propriedade intelectual e principais programas foram transferidos para a nova Avibras Aeroco Indústria Aeroespacial, constituída em outubro de 2025. Um acordo também foi estabelecido para o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em passivos trabalhistas, com parcelamento em até quatro anos e reintegração inicial de centenas de funcionários.

Durante a crise, diferentes empresas estrangeiras demonstraram interesse na companhia. Entre 2024 e 2025, surgiram negociações ou manifestações de interesse envolvendo a Norinco, da China, a DefendTex, da Austrália, e a Black Storm Military Industries, da Arábia Saudita. Nenhuma dessas tratativas resultou na transferência da empresa. A possibilidade de controle estrangeiro gerou preocupação em setores das Forças Armadas e do Congresso devido à propriedade intelectual associada aos sistemas de foguetes e mísseis. Em agosto, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara aprovou um requerimento solicitando explicações ao Ministério da Defesa sobre a reorganização societária da Avibras e a preservação de seus ativos tecnológicos, destacando especificamente a importância do ASTROS e do MTC para a soberania nacional.

A retomada recebeu apoio político do governo federal. Em 24 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a unidade industrial da Avibras Aeroco em Jacareí, acompanhado de ministros e outras autoridades. Durante a visita, a direção apresentou as áreas de fabricação de componentes metálicos, produção de propelentes e montagem de mísseis, além da fábrica de veículos, exibindo o ASTROS, o Míssil Tático de Cruzeiro, o novo míssil balístico e projetos de veículos aéreos não tripulados.

Para a família Batista, controladora da J&F, a operação abre uma área de negócios bastante diferente de seus tradicionais segmentos de alimentos, energia, mineração, celulose e óleo e gás: a produção de sistemas militares de alta tecnologia em um mercado internacional impulsionado pelo rápido crescimento dos gastos globais com Defesa. Os próximos passos incluem a conclusão formal da transação, as eventuais aprovações regulatórias e, principalmente, a capacidade dos novos controladores de financiar os programas que dependem de longos ciclos de desenvolvimento, certificação e encomendas governamentais.

A operação coloca definitivamente um dos maiores grupos empresariais do país no setor de Defesa
— Forças Terrestres
A possibilidade de controle estrangeiro gerou preocupação em setores das Forças Armadas e do Congresso devido à propriedade intelectual associada aos sistemas de foguetes e mísseis
— Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara
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