Fachin devolve caso INSS a Mendonça e mantém caso Master na Presidência do STF por 90 dias

Num tribunal que vive uma de suas crises mais duras, o presidente do Supremo, Edson Fachin, decidiu separar o destino de duas investigações sensíveis: devolveu a André Mendonça a relatoria do caso INSS e reteve, por 90 dias, o caso Master. A medida busca conciliar a autoridade do plenário com a necessidade de que a Justiça não pare diante de pedidos urgentes. Como tantas vezes na vida pública, a solução é provisória e depende de acontecimentos ainda por vir.

Nesta quinta-feira (29), Edson Fachin tomou uma decisão que separou o destino de duas das investigações mais sensíveis do Supremo. Ele devolveu a André Mendonça a relatoria das apurações sobre o escândalo do INSS, mas manteve o caso Master sob a guarda da Presidência por 90 dias. Nesse período, Fachin ficará com o processo para decidir os casos urgentes, como a revisão de prisões preventivas. O despacho também será submetido ao referendo do plenário.

A medida tem raízes na crise que tomou conta da corte em setembro. Fachin puxou para si os relatórios que estavam com Mendonça, que suspeitava que Alexandre de Moraes tivesse contato com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, além de um pedido de Moraes para investigar o colega. Enquanto isso, as decisões de Mendonça ficaram paralisadas, e pedidos de advogados e da PF esperaram sem resposta. Cerca de duas semanas antes da decisão, Mendonça havia cobrado de Fachin uma definição sobre o destino dos casos.

O prazo pode ser revisto. Um dos gatilhos é o fim do julgamento sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes, suspenso por pedido de vista de Flávio Dino. O outro é a entrega, pela Polícia Federal, de material que envolve integrantes da corte. Até lá, o impasse continua, com equipes de investigação e defesas à espera de respostas.

Nesta quinta-feira (29), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, tomou uma decisão que dividiu em dois o destino de duas das investigações mais sensíveis em curso na corte. Ele devolveu ao ministro André Mendonça a relatoria das apurações sobre o escândalo do INSS, mas manteve o caso Master sob a guarda da Presidência do tribunal por 90 dias.

Segundo o despacho, nesse período Fachin ficará com o processo do Master para dar as decisões urgentes que se apresentarem, como a revisão de prisões preventivas e questões sobre a regularidade da tramitação. O presidente também enviou a determinação ao plenário para que a medida seja referendada.

O prazo será contado a partir de 12 de setembro. Naquele dia, Fachin abriu um processo para analisar dois documentos: os relatórios que estavam com Mendonça, com a suspeita de que Alexandre de Moraes fosse interlocutor de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, e o pedido de Moraes por uma investigação contra o colega por improbidade administrativa. Fachin puxou os processos para si em setembro e paralisou novas decisões de Mendonça, enquanto o STF atravessava o auge da crise entre seus magistrados, exposta na chamada "sessão-bomba", marcada por brigas e bate-bocas públicos.

Os 90 dias podem ser revistos. Um dos gatilhos é a conclusão, pelo colegiado, do julgamento sobre o relatório das mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. A análise foi suspensa em 15 de setembro por pedido de vista de Flávio Dino. A corte, aliás, não chegou a debater o conteúdo das conversas, apenas o pedido de Gilmar Mendes para que os dois relatórios fossem discutidos em conjunto. O outro gatilho é a entrega, pela Polícia Federal, do documento solicitado por Fachin com o material que envolve integrantes da corte na investigação.

A decisão veio depois de pressão. Cerca de duas semanas antes, Mendonça enviou um ofício a Fachin cobrando que ele definisse se devolveria os casos Master e INSS ou se os manteria na Presidência, passando a decidir sobre eles.

Desde que Fachin avocou os inquéritos, criou-se um impasse prático. Pedidos de advogados para libertar investigados, desbloquear bens ou até autorizar medidas simples, como exames médicos, ficaram parados: Mendonça não podia decidir, e o presidente do STF também não agia.

No despacho, Fachin reconheceu o problema. Escreveu ser preciso conciliar a preservação da autoridade decisória do Plenário, a observância das regras de competência e distribuição e a necessidade de assegurar a continuidade da atividade jurisdicional, diante da pendência de diversos pedidos.

Como a Folha já havia mostrado, o acautelamento dos processos gerou incertezas sobre o futuro dos casos, inclusive quanto ao efeito sobre novas operações e ao tempo de resposta a pedidos da PF. Equipes de investigação, defesas dos alvos e até magistrados relatavam, nos bastidores, dúvidas sobre os procedimentos e o temor de que a disputa entre os ministros se arrastasse por meses, contaminando as investigações.

Agora, o que se observa é o referendo do plenário, o retorno do julgamento suspenso por Dino e a entrega do documento da PF, eventos que podem encurtar o prazo de 90 dias.

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