Num movimento que reorganiza o peso de dois dos processos mais delicados do Supremo, o presidente Edson Fachin devolveu ao ministro André Mendonça a condução do inquérito sobre os desvios que lesaram aposentados do INSS, enquanto guardou para si o caso do Banco Master e seu banqueiro, Daniel Vorcaro. A decisão nasce de uma crise aberta quando Alexandre de Moraes tentou tirar Mendonça de investigações, e ganha sentido à luz de um parecer da Procuradoria-Geral da República que não encontrou irregularidade na conduta do colega. Em um tribunal que se sabe observado, cada gesto de custódia sobre um
Fachin devolve caso do INSS a Mendonça e mantém sob sua relatoria o inquérito do Banco Master
Com a base da avocação esvaziada, a relatoria voltou a Mendonça.
O que Fachin decidiu, afinal?
Duas coisas separadas. O inquérito do INSS volta para Mendonça. O caso Master, sobre Daniel Vorcaro, fica com o próprio Fachin por enquanto.
Por que o INSS voltou?
Porque a PGR analisou as acusações de Moraes contra Mendonça e disse que não havia indício de irregularidade. Para Fachin, sem isso, não havia mais motivo para manter o caso na Presidência.
Vale notar que o argumento é o parecer da PGR. Não houve, até onde a reportagem informa, uma decisão do plenário sobre a conduta de Mendonça.
E por que o Master não volta?
Há um pedido pendente para investigar ministros da Corte. Moraes aparece num relatório da PF com mensagens de Vorcaro pedindo orientação jurídica e intermediação junto a Gonet e ao diretor da PF.
Convém separar: o relatório registra que ele recebeu as mensagens. A reportagem não diz que ele atendeu os pedidos nem que há irregularidade. Isso segue em aberto.
E a acusação de Moraes contra Mendonça?
Ele disse que Mendonça direcionava as investigações para implicá-lo. É uma acusação dele, e a PGR a descartou.
Também não sabemos o que o relatório final da PF vai concluir sobre os ministros. Ele ainda não está pronto.
Qual o prazo?
A custódia de Fachin será reavaliada quando o plenário decidir sobre o pedido ou em 90 dias.
El Pulso
- Um despacho assinado em 29 de outubro tirou da Presidência o inquérito do INSS e devolveu o caso ao ministro André Mendonça.
- A crise começou quando Alexandre de Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, acusando-o de conduzir investigações politicamente.
- Um relatório da Polícia Federal, tornado público por Mendonça, mostra mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro pedindo orientação jurídica a Moraes e intercessão junto a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.
- O caso Master permanece com Fachin até que o plenário decida sobre investigar ministros, com reavaliação obrigatória em até 90 dias.
Num movimento que reorganiza o peso de dois dos processos mais delicados do Supremo, o presidente Edson Fachin devolveu ao ministro André Mendonça a condução do inquérito sobre os desvios que lesaram aposentados do INSS, enquanto guardou para si o caso do Banco Master e seu banqueiro, Daniel Vorcaro. A decisão nasce de uma crise aberta quando Alexandre de Moraes tentou tirar Mendonça de investigações, e ganha sentido à luz de um parecer da Procuradoria-Geral da República que não encontrou irregularidade na conduta do colega. Em um tribunal que se sabe observado, cada gesto de custódia sobre um processo é também um gesto sobre a confiança pública nas instituições.
Na quinta-feira, 29, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, assinou um despacho que redistribuiu dois dos processos mais sensíveis da Corte. O inquérito sobre desvios que atingiram aposentados do INSS voltou às mãos do ministro André Mendonça. Já o caso do Banco Master, que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro, continua sob a custódia do próprio Fachin.
Os dois processos haviam chegado à Presidência pelo mesmo caminho. Fachin os avocou depois que Alexandre de Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, alegando condução política das investigações. A Procuradoria-Geral da República descartou a acusação e não viu indícios de irregularidade do magistrado. Com a base da avocação esvaziada no caso do INSS, a relatoria voltou a Mendonça.
No caso Master, Fachin manteve o processo até que o plenário delibere sobre um pedido de investigação contra ministros. Um relatório da Polícia Federal, divulgado por Mendonça, mostra que Moraes recebeu mensagens de Vorcaro com pedidos de orientação jurídica, além de pedidos para interceder junto ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor da PF, Andrei Rodrigues. Moraes reagiu acusando o colega de direcionar as investigações contra ele, e o material ampliou a crise.
Quando estiver pronto, o relatório da PF sobre o envolvimento de ministros com o banqueiro deverá ser entregue a Fachin. A permanência do caso Master na Presidência será reavaliada quando o plenário decidir ou em até 90 dias, o que ocorrer primeiro.
Na quinta-feira, 29, um despacho assinado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, redistribuiu o peso de dois dos processos mais sensíveis que hoje tramitam na Corte. O inquérito que apura desvios contra aposentados do INSS voltou às mãos do ministro André Mendonça. Já os autos do caso do Banco Master, que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro, permaneceram sob a custódia do próprio Fachin.
Os dois processos haviam chegado à Presidência pelo mesmo caminho. Fachin avocou a relatoria de ambos depois que o ministro Alexandre de Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, alegando suposta condução política das investigações. A acusação, no entanto, não prosperou no parecer da Procuradoria-Geral da República, que a descartou e afirmou não haver indícios de irregularidade na conduta do magistrado.
Foi esse parecer que sustentou a decisão de Fachin no caso do INSS. Em trecho do despacho, ele escreveu que, em relação a esses fatos, e à luz da manifestação do titular da ação penal, não se justifica mais manter os autos sob a Presidência. Com a base da avocação esvaziada, a relatoria voltou a Mendonça.
No caso Master, o raciocínio foi outro. Fachin manteve o processo consigo até que o plenário do Supremo delibere sobre um pedido pendente de abertura de investigação contra ministros da Corte. Moraes é citado em um relatório da Polícia Federal que foi tornado público por Mendonça. O documento mostra que o ministro recebeu mensagens de Vorcaro, dono do Master, com pedidos de orientação jurídica. O banqueiro também lhe pediu que intercedesse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Moraes reagiu acusando o colega de direcionar as investigações para implicá-lo no escândalo de Vorcaro. O relatório, além disso, expôs interações do banqueiro com o próprio Gonet, o que ampliou o alcance da crise.
A intervenção de Fachin foi uma medida de urgência para conter o desgaste deflagrado pela divulgação do material sobre Moraes. O despacho também trata do que vem a seguir: quando estiver pronto, o relatório da Polícia Federal sobre o envolvimento de ministros da Corte com o banqueiro deverá ser entregue a ele.
A permanência do inquérito do Master na Presidência não é por prazo indefinido. Fachin determinou que ela seja reavaliada quando o plenário decidir sobre a abertura de procedimento contra seus membros ou dentro de 90 dias, o que ocorrer primeiro. Fica, portanto, a decisão do plenário como o ponto a observar nas próximas semanas.
Citas Notables
Em relação a esses fatos, à luz do parecer do titular da ação penal, não mais se justifica a manutenção dos autos sob a Presidência.— Edson Fachin, presidente do STF, em despacho