Ex-presidente do BRB admite conhecimento sobre risco de quebra do Banco Master

Se ia quebrar ou não, seria um problema dele
Costa referiu-se ao fundador do Master ao negar responsabilidade pela possível insolvência da instituição.
Mark

Costa admite que sabia do risco de quebra do Master, mas nega que a compra de carteiras visasse salvá-lo. Como essas duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo?

Mimi

Segundo a defesa, a compra de carteiras começou em julho de 2024, antes de qualquer discussão sobre aquisição societária. Costa argumenta que era parte da estratégia ordinária do banco — o Master tinha ativos e tecnologia que o BRB precisava. O risco de quebra e a decisão de comprar carteiras podem ter sido eventos paralelos, não causais.

Luke

Mas as anotações internas dizem que Costa defendeu as compras especificamente porque "o Master vai quebrar". Isso não é paralelo, é causal. A defesa não explica essa anotação diretamente — apenas diz que agiu com diligência quando identificou problemas documentais.

Mark

E quanto aos R$ 51 bilhões excluídos? Isso não prova que o BRB estava tentando se proteger de um resgate?

Mimi

Pode ser. Ou pode ser que o BRB tenha estruturado a operação de forma prudente, excluindo ativos problemáticos e mantendo condições de proteção. A defesa diz que isso era prática de mercado, que havia consultores externos, que o Banco Central estava envolvido.

Luke

Tudo isso é verdade, mas nenhum desses detalhes responde à pergunta central: por que o BRB comprou carteiras de um banco que estava à beira da quebra? A defesa oferece uma resposta estratégica — tecnologia, rede de correspondentes, patrimônio líquido. Mas não há confirmação independente de que essas eram as razões reais.

Mark

Os vídeos dos depoimentos estão disponíveis. Alguém pode verificar a consistência de Costa?

Mimi

Sim, estão arquivados no STF e na PF, compartilhados com as defesas. Mas o que vemos agora é o que o Poder360 extraiu — fragmentos de um depoimento mais longo. O contexto completo pode mudar a interpretação.

Luke

E é por isso que essa história ainda está aberta. Temos uma contradição documentada entre o que Costa disse no depoimento e o que as anotações internas registram. A investigação precisa resolver isso.

  • Costa afirmou ao STF que a eventual quebra do Master seria 'problema do fundador', mas anotações internas da PF registram ele próprio alertando que, sem as compras de carteiras, o banco colapsaria.
  • A contradição entre o depoimento e os documentos apreendidos é o núcleo da investigação: o BRB teria usado operações rotineiras como cobertura para um resgate que jamais poderia ser anunciado publicamente.
  • A defesa de Costa contra-ataca com números: R$ 51,2 bilhões em ativos problemáticos foram excluídos da operação, o que, segundo ela, demonstra que o BRB não absorveu cegamente os riscos do Master.
  • O caso segue aberto no STF e na Polícia Federal, com vídeos dos depoimentos arquivados e disponíveis para escrutínio — a narrativa de Costa está documentada, mas sua consistência ainda será testada.

No final de dezembro de 2025, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal sobre operações com o Banco Master — e sua versão dos fatos colide com anotações internas apreendidas pela Polícia Federal. A tensão entre o que foi dito em juízo e o que foi registrado em documentos revela uma questão mais profunda: onde termina a estratégia comercial legítima e começa o resgate encoberto de uma instituição à beira do colapso? A investigação em curso busca, precisamente, distinguir o técnico do político, o ordinário do excepcional.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, depôs no Supremo Tribunal Federal em 30 de dezembro de 2025 sobre as operações envolvendo o Banco Master. Sua posição foi clara: se o Master quebrasse, seria um problema do fundador Daniel Vorcaro, não seu. Mas documentos apreendidos pela Polícia Federal durante buscas no BRB contam uma história diferente — anotações atribuídas a uma diretora do banco registram Costa defendendo as compras de carteiras com um argumento explícito: sem elas, o Master quebraria.

No depoimento, Costa classificou a operação como 'técnica' e parte de uma estratégia ordinária de substituição de carteiras, iniciada em julho de 2024, antes de qualquer discussão sobre fusão ou aquisição societária. Quando o BRB identificou ativos com padrão documental problemático, afirma a defesa, a instituição comunicou o Banco Central, exigiu substituições e adotou medidas de contenção — tudo dentro dos procedimentos contratuais.

A operação societária anunciada em março de 2025 foi estruturada com consultores externos e submetida à governança interna. O argumento central da defesa repousa na exclusão de R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do Master, cifra que, segundo Costa, demonstra que o BRB não estava simplesmente absorvendo os problemas da instituição. Havia segregação de riscos e diálogo com o regulador.

Costa também apresentou razões estratégicas para o interesse no Master: a instituição possuía rede de correspondentes bancários, expertise tecnológica e patrimônio líquido de R$ 5 bilhões — superior ao do próprio BRB. O Master teria sido a terceira instituição avaliada para aquisição, reforçando, na visão da defesa, o caráter técnico da decisão.

Os vídeos dos depoimentos estão arquivados no STF e na Polícia Federal, acessíveis às defesas. O que permanece em disputa é a interpretação: Costa diz que agiu pelo interesse do BRB; as anotações internas sugerem que ele sabia do risco de colapso do Master. A investigação continua buscando determinar se houve, de fato, um resgate encoberto de uma instituição privada por um banco público — disfarçado sob o rótulo de estratégia comercial ordinária.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, compareceu ao Supremo Tribunal Federal em 30 de dezembro de 2025 para depor sobre operações envolvendo o Banco Master. Quando questionado sobre o risco de insolvência da instituição, sua resposta foi direta: se o banco quebrasse ou não, seria um problema do fundador Daniel Vorcaro, não seu. A declaração, obtida pelo Poder360, marca um ponto de tensão central na investigação que envolve tanto o STF quanto a Polícia Federal — porque documentos apreendidos durante buscas no BRB contam uma história diferente.

Em uma agenda encontrada pela PF durante as operações, anotações atribuídas a uma diretora do banco registram Costa defendendo a compra de carteiras de crédito com um argumento explícito: sem essas aquisições, o Master quebraria. A contradição é evidente. No depoimento, Costa nega que a operação tivesse como objetivo resgatar o Master, classificando-a como "técnica" e como parte de uma estratégia ordinária de substituição de carteiras. Mas as anotações sugerem que ele próprio havia alertado para o risco de colapso da instituição.

A defesa de Costa apresentou uma narrativa estruturada. As compras de carteiras originadas pelo Master começaram em julho de 2024, segundo a nota divulgada à imprensa, e antecederam qualquer discussão sobre uma possível fusão ou aquisição societária. Quando o BRB identificou ativos com padrão documental problemático, afirma a defesa, a instituição agiu com diligência: comunicou o Banco Central, exigiu substituição de ativos e adotou medidas de contenção. Tudo dentro dos procedimentos contratuais e das práticas usuais do mercado.

A operação societária anunciada em março de 2025 foi estruturada, segundo Costa, com participação de consultores externos independentes e submetida aos órgãos de governança. O ponto que a defesa enfatiza é a exclusão de R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do Master — uma cifra expressiva que, na visão de Costa, demonstra que o BRB não estava simplesmente absorvendo os problemas da instituição. Havia condições precedentes de proteção, havia segregação de riscos, havia diálogo com o regulador.

Mas o contexto mais amplo revela por que essa defesa importa. O Master tinha uma rede de correspondentes bancários que o BRB não possuía. Tinha expertise em tecnologia que a instituição pública enfrentava dificuldade em desenvolver. Tinha um patrimônio líquido de R$ 5 bilhões, superior ao do próprio BRB. Costa argumenta que a estratégia era tornar o banco público competitivo no mercado financeiro, não salvar uma instituição à beira do colapso. O Master foi a terceira instituição avaliada para aquisição, segundo ele.

Os vídeos dos depoimentos estão arquivados no STF e na Polícia Federal, disponibilizados às defesas e aos advogados envolvidos no caso. O material completo foi compartilhado com os clientes e assessores das partes citadas na investigação. Isso significa que a narrativa de Costa — sua clareza, sua consistência, seu compromisso com a verdade, como afirma sua defesa — está documentada e acessível para escrutínio.

O que permanece em aberto é a interpretação dos fatos. Costa diz que agiu por critérios técnicos e pelo interesse do BRB. As anotações internas sugerem que ele sabia, explicitamente, que o Master corria risco de quebra. A investigação do STF e da PF continua buscando estabelecer se houve, de fato, um resgate encoberto de uma instituição financeira privada por um banco público — e se as operações foram estruturadas de forma a disfarçar essa realidade sob o rótulo de estratégia comercial ordinária.

Se ia quebrar ou não ia quebrar, no final seria um problema dele
— Paulo Henrique Costa, em depoimento ao STF
O BRB nunca teve um compromisso ou qualquer ideia de viabilizar uma salvação do Master
— Paulo Henrique Costa, em depoimento ao STF
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