Lásaro do Carmo Jr. argumenta que sustentar faturamento bilionário sem fábrica própria é operacionalmente implausível no mercado de cosméticos. O executivo cita conhecimento da cadeia de fornecedores terceirizados e estima que empresa precisaria de 1.500+ funcionários para manter tal volume consistentemente.
Ex-presidente da Jequiti questiona faturamento bilionário da WePink de Virginia Fonseca
Você bater um bi, uma vez pode ter acontecido. Mas consistência é outra história.
Por que um ex-presidente da Jequiti se importaria em questionar publicamente os números de uma concorrente? Não é arriscado?
Ele não está atacando Virginia Fonseca. Está falando sobre a realidade operacional do setor. Quando você conhece a cadeia de fornecedores, as limitações de capacidade produtiva, o custo de escala — você vê inconsistências que outras pessoas não veem.
Mas e se ele estiver errado? E se a WePink realmente tem uma estrutura que ele não conhece?
É possível. Mas ele está falando sobre o que sabe: quantas pessoas você precisa, quanto custa produzir em escala, como funcionam os terceirizados. Esses são fatos operacionais, não opinião.
O que muda se as pessoas acreditarem que os números são inflados?
Muda tudo. Confiança. Credibilidade. Se você vende um produto dizendo que é um fenômeno bilionário, mas a estrutura não sustenta isso, você tem um problema de narrativa.
Então isso é sobre transparência?
É sobre a diferença entre ter um produto bem-sucedido e ter uma empresa bem-sucedida. Uma coisa é vender muito em um momento. Outra é ser uma operação que funciona de verdade.
Le Pouls
- Lásaro do Carmo Jr., ex-presidente da Jequiti, questionou publicamente o faturamento de R$ 1 bilhão da WePink
- A WePink não possui fábrica própria e opera com maquiagem e perfumaria terceirizadas
- Lásaro estima que sustentar faturamento bilionário exigiria pelo menos 1.500 funcionários
Lásaro do Carmo Jr. argumenta que sustentar faturamento bilionário sem fábrica própria é operacionalmente implausível no mercado de cosméticos. O executivo cita conhecimento da cadeia de fornecedores terceirizados e estima que empresa precisaria de 1.500+ funcionários para manter tal volume consistentemente.
Ex-presidente da Jequiti questiona publicamente a consistência do faturamento de R$ 1 bilhão da WePink, apontando incompatibilidades entre os lucros anunciados e a estrutura operacional da empresa de cosméticos.
Lásaro do Carmo Jr., que presidiu a Jequiti durante anos, entrou em uma conversa no podcast Made In Brasil no fim de semana e disse algo que não sairia mais das redes sociais. Ele questionou, de forma direta e pública, se a WePink — a marca de cosméticos de Virginia Fonseca e Samara Pink — realmente fatura o que diz faturar. Não foi uma insinuação velada. Foi um desafio aberto ao número que circula: um bilhão de reais.
O argumento de Lásaro é simples, mas estruturado. Ele não nega que uma empresa possa bater a marca de um bilhão em vendas em um momento pontual. Isso é possível. O problema, segundo ele, é manter esse patamar de forma consistente, ano após ano. Para isso, você precisa de infraestrutura pesada — fábricas, linhas de produção, controle de qualidade rigoroso, logística complexa. A WePink, conforme Lásaro aponta, não tem fábrica própria. Boa parte do portfólio é maquiagem e perfumaria, categorias que exigem processos produtivos muito específicos. "Você bater um bi, uma vez pode ter acontecido. Mas você ter um bi consistente de faturamento, no mercado de hoje, sem fábrica própria, com grande parte do portfólio sendo maquiagem e perfumaria… Essa empresa não tem capacidade para fazer duzentos milhões. Não tem", disse ele no podcast.
O ex-presidente da Jequiti não está falando de ouvida. Ele conhece a cadeia de fornecedores e fabricantes terceirizados do setor de cosméticos no Brasil — é seu negócio, sua expertise. Segundo ele, as informações que circulam sobre como a WePink opera não batem com os números que a empresa anuncia. Ele menciona que amigos seus que trabalham no setor confirmam que a WePink trabalha com pouquíssimas pessoas. Isso, para ele, é incompatível com um faturamento bilionário.
Mas o ponto mais concreto de Lásaro é sobre força de trabalho. Para sustentar um faturamento na casa dos bilhões de reais de forma consistente, você precisa de gente. Muita gente. Ele estima que seria necessário pelo menos 1.500 funcionários trabalhando na operação — e isso considerando tecnologia avançada. Mesmo com automação, você precisa de mil pessoas só para lidar com máquinas, operação, logística. "Uma empresa para bater bi tem que ter pelo menos umas 1.500 pessoas trabalhando por lá. Por mais que tenha tecnologia, vai ter que ter mil ali por causa de máquina, operação logística. E o que eu duvido é você manter a consistência desse faturamento. Consistência nesse faturamento com uma estrutura que diz ter", declarou.
O questionamento de Lásaro toca em algo que vem gerando debate há tempos: a transparência financeira de empresas criadas por influenciadores. Quando uma celebridade lança uma marca de beleza, os números que circulam são frequentemente espetaculares. Mas qual é a estrutura por trás? Como esses números são auditados? Quem verifica? A WePink é uma empresa privada, então não há obrigação de divulgar balanços detalhados. Mas quando um executivo experiente do setor questiona publicamente a plausibilidade dos números, a conversa muda de tom.
O que Lásaro está dizendo, no fundo, é que números bilionários exigem estrutura bilionária. Não é possível fingir escala. Não é possível ter uma operação enxuta e faturar como um gigante. O mercado de cosméticos não funciona assim. Você pode ter um produto viral, uma influenciadora poderosa, uma comunidade engajada — tudo isso é real. Mas transformar isso em um bilhão de reais consistente, ano após ano, sem a infraestrutura para sustentar, é outra história. E agora essa história está sendo contada em voz alta.
Citations marquantes
Você bater um bi, uma vez pode ter acontecido. Mas você ter um bi consistente de faturamento, no mercado de hoje, sem fábrica própria, com grande parte do portfólio sendo maquiagem e perfumaria… Essa empresa não tem capacidade para fazer duzentos milhões.— Lásaro do Carmo Jr., ex-presidente da Jequiti
Uma empresa para bater bi tem que ter pelo menos umas 1.500 pessoas trabalhando por lá. Por mais que tenha tecnologia, vai ter que ter mil ali por causa de máquina, operação logística.— Lásaro do Carmo Jr.