Ela tava com muita fome. Os animais tinham ração, ela não tinha nada.
Aos 74 anos, Rejane Schumann — ex-atriz de produções marcantes da televisão brasileira nos anos 1970 — foi encontrada em situação de vulnerabilidade extrema em seu apartamento em Porto Alegre: sem alimentos, em ambiente insalubre, cuidando de seus animais enquanto ela própria passava fome. O que começou como uma operação de resgate animal revelou, no fundo, uma história mais antiga e silenciosa sobre o envelhecimento solitário e o esquecimento que pode cercar aqueles que um dia estiveram sob os holofotes. A ativista Deise Falci, que foi ao local para resgatar cães e gatos, partiu com a convicção de que era a própria pessoa quem mais precisava ser resgatada.
- Uma mulher de 74 anos foi encontrada com fome dentro de casa, enquanto garantia ração e água para seus animais de estimação — uma inversão silenciosa e perturbadora das prioridades do cuidado.
- O apartamento no bairro Moinhos do Vento acumulava fezes de animais, ausência de higiene básica e geladeira vazia, revelando um colapso gradual e invisível das condições de vida.
- A ativista Deise Falci mobilizou um mutirão de limpeza, trouxe mantimentos e um colchão novo, transformando uma operação burocrática de resgate animal em um ato concreto de solidariedade humana.
- Dias após a intervenção, Rejane manteve a casa limpa e foi levada a um salão de beleza — sinais pequenos, mas significativos, de que a estabilização é possível com acompanhamento contínuo.
Rejane Schumann tinha 74 anos quando agentes da 15ª Delegacia de Porto Alegre e a ativista Deise Falci entraram em seu apartamento no bairro Moinhos do Vento. Eles foram chamados por denúncias de vizinhos — cheiro ruim, latidos constantes. O objetivo era resgatar quatro cães e dois gatos em condições precárias. O que encontraram foi mais do que esperavam.
O apartamento estava em estado insalubre. Os animais tinham água e ração — Rejane cuidava disso. Mas ela mesma não tinha comida. A geladeira estava vazia. Um dos cães precisava de tratamento urgente para sarna; os outros foram levados para lares temporários. Deise saiu daquele lugar com uma sensação que não esperava: pela primeira vez, sentiu uma vontade maior de resgatar a pessoa do que os animais.
A mulher que estava ali havia atuado em produções icônicas dos anos 1970 — O Astro, Dancin' Days, Pai Herói — e era formada em Jornalismo e Direito. Agora vivia sozinha, com fome, tentando desesperadamente encontrar novos donos para seus animais porque sabia que não conseguia mais cuidar deles adequadamente.
Deise voltou no dia seguinte com um mutirão de limpeza, mantimentos e um colchão novo. Passou a visitar Rejane diariamente. No sábado, 6 de setembro, compartilhou que a ex-atriz havia mantido a casa limpa e conseguido ir a um salão lavar e cortar o cabelo. É um começo pequeno — mas é um começo.
Rejane Schumann tinha 74 anos quando a polícia entrou em seu apartamento em Porto Alegre. Não iam procurá-la. Iam procurar os animais.
Tudo começou com denúncias de vizinhos — cheiro ruim, latidos constantes vindos do apartamento no bairro Moinhos do Vento. A ativista Deise Falci, que trabalha com resgate animal pela organização Vem Adotar, foi chamada junto com agentes da 15ª Delegacia de Polícia na quarta-feira, 4 de setembro. O objetivo era simples: tirar de lá quatro cães e dois gatos que viviam em condições precárias. O que encontraram foi mais complicado.
O apartamento estava imundo. Fezes de animais espalhadas pelo chão, sem higiene básica, sem condições de vida. Os animais tinham água e ração — Rejane cuidava disso. Mas ela mesma não tinha comida. A geladeira estava vazia. Ela estava com fome enquanto alimentava seus cães e gatos. Um dos cães tinha sarna e precisava de tratamento urgente. Os outros foram levados para um lar temporário onde pudessem ser cuidados e, depois, adotados.
Deise saiu daquele apartamento com uma sensação que não esperava. "Foi a primeira vez que eu senti uma vontade muito maior de resgatar a própria pessoa do que os animais", ela disse depois, compartilhando o relato nas redes sociais. A mulher que estava ali era ex-atriz da Globo, formada em Jornalismo e Direito, que havia marcado presença em produções importantes dos anos 1970 — O Astro, Dancin' Days, Pai Herói. Havia atuado também em filmes como O Grande Rodeio e Motorista Sem Limites. Agora, aos 74 anos, morava sozinha em um apartamento sujo, com fome, cercada por animais que ela tentava desesperadamente doar porque sabia que não conseguia mais cuidar deles adequadamente.
Deise voltou no dia seguinte. Trouxe gente para fazer um mutirão de limpeza. Trouxe mantimentos. Trouxe um colchão novo. Desde então, tem visitado Rejane todos os dias. No sábado, 6 de setembro, compartilhou que a ex-atriz não apenas manteve a casa limpa após o mutirão, como também conseguiu levá-la a um salão para lavar e cortar o cabelo.
O que começou como uma operação de resgate animal se transformou em algo diferente — uma ação de assistência humanitária para uma mulher que havia desaparecido da vida pública, que havia envelhecido sozinha, que havia chegado a um ponto onde cuidava melhor de seus animais do que de si mesma. Agora há alguém visitando-a diariamente, verificando se ela está comendo, se a casa continua limpa, se ela está sendo cuidada. É um começo pequeno, mas é um começo.
Notable Quotes
Foi a primeira vez que eu senti uma vontade muito maior de resgatar a própria pessoa do que os animais. Ela tava com muita fome. Os animais tinham ração, ela não tinha nada.— Deise Falci, ativista de proteção animal
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como uma operação de resgate animal acaba descobrindo uma pessoa em situação de vulnerabilidade?
Porque os vizinhos reclamavam do cheiro e dos latidos. A polícia foi lá pelos animais, mas quando entraram, viram que a mulher estava com fome enquanto alimentava os cães e gatos.
Rejane tinha recursos? Era pobreza ou negligência?
Ela era formada, era atriz, tinha uma carreira. Mas aos 74 anos, morando sozinha, algo desabou. Ela tentava até doar os animais porque sabia que não conseguia mais cuidar deles. Não era falta de vontade.
E os animais? Estavam sendo maltratados?
Tinham água e comida. Rejane priorizava alimentá-los. Um tinha sarna e precisava de tratamento. Mas o ambiente era insalubre para todos — para eles e para ela.
O que mudou depois que Deise entrou?
Ela voltou no dia seguinte com um mutirão de limpeza, mantimentos, um colchão novo. Começou a visitar todos os dias. Rejane manteve a casa limpa e até foi ao salão cortar cabelo.
Isso é suficiente? Uma visita diária resolve o problema?
Resolve o imediato. Mas uma mulher de 74 anos que chegou àquele ponto precisa de mais do que limpeza. Precisa de acompanhamento, de rede, de razão para acordar. Deise está oferecendo isso agora.