Responderão a qualquer ataque e continuarão impedindo navios israelenses
No limiar de 2024, forças americanas e britânicas intensificaram seus bombardeios contra posições huthis no Iêmen, respondendo a meses de ataques rebeldes contra o tráfego marítimo no Mar Vermelho. O que começou como um gesto de solidariedade dos huthis aos palestinos de Gaza transformou-se em uma cadeia de retaliações que ameaça arrastar o Oriente Médio para um conflito de proporções ainda maiores. Nesse teatro de guerra expandido, cada ação convoca uma resposta, e a distância entre escaramuça regional e confronto generalizado parece encolher a cada bombardeio.
- EUA e Reino Unido confirmaram ataques a oito alvos huthis no Iêmen, incluindo um centro de armazenamento subterrâneo e instalações de mísseis, marcando nova escalada em uma campanha que já dura dois meses.
- Os huthis, apoiados pelo Irã, ameaçam o comércio global ao atacar navios no Mar Vermelho e declararam que interesses americanos e britânicos são alvos legítimos enquanto a guerra em Gaza continuar.
- A disputa sobre o ataque ao navio Ocean Jazz — reivindicado pelos huthis e negado pelos EUA — expõe a névoa de desinformação que envolve o conflito, tornando difícil separar propaganda de realidade.
- Washington recolocou os huthis na lista de entidades terroristas e combina pressão militar com ações diplomáticas, sinalizando uma mudança de postura mais assertiva diante do movimento rebelde.
- Com grupos apoiados pelo Irã ativos no Líbano, Iraque, Síria e Iêmen, o risco de que múltiplos focos de tensão se fundam em um único conflito regional de grande escala cresce a cada semana.
Na madrugada de terça-feira, aviões americanos e britânicos voltaram a bombardear o Iêmen, atingindo oito posições huthis — entre elas um centro de armazenamento subterrâneo e instalações ligadas a mísseis e vigilância aérea. A agência rebelde foi a primeira a relatar os ataques, que incluíram a base militar de Al Dailami, ao norte de Saná. Washington e Londres confirmaram as operações em comunicado conjunto, descrevendo-as como medidas de precisão para degradar a capacidade dos huthis de ameaçar o comércio marítimo e a vida de marinheiros.
A raiz dessa escalada remonta a meados de novembro, quando os huthis — movimento xiita apoiado pelo Irã — iniciaram uma campanha de ataques contra navios que descrevem como ligados a Israel, em solidariedade aos palestinos de Gaza. A ofensiva israelense no território já causou a morte de pelo menos 25.295 pessoas segundo o Ministério da Saúde local, enquanto os ataques do Hamas em outubro mataram cerca de 1.140 israelenses. A perturbação ao tráfego marítimo internacional provocou as primeiras retaliações ocidentais, que desde então não cessaram.
Os rebeldes deixaram claro que não recuarão: prometeram responder a qualquer novo ataque e manter o bloqueio a navios israelenses enquanto a guerra em Gaza prosseguir. Na segunda-feira, o porta-voz huthi Yahya Saree reivindicou um ataque ao navio militar americano Ocean Jazz no Golfo de Aden — alegação prontamente negada por Washington, ilustrando a dificuldade de verificar fatos em um conflito onde ambos os lados têm razões para distorcer a narrativa.
Para além das bombas, o governo Biden recolocou os huthis na lista de entidades terroristas, revertendo uma decisão tomada no início de seu mandato. O padrão que emerge no Mar Vermelho é apenas um dos vários pontos de ignição espalhados pelo Oriente Médio: grupos apoiados pelo Irã no Líbano, Iraque, Síria e Iêmen operam simultaneamente, alimentando o temor de que focos dispersos de violência possam, em algum momento, fundir-se em um único e devastador incêndio regional.
Na madrugada de terça-feira, forças americanas e britânicas lançaram novos ataques aéreos contra o Iêmen, confirmando uma escalada que começou há dois meses e que agora ameaça desestabilizar toda a região do Oriente Médio. A agência de notícias dos rebeldes huthis foi a primeira a relatar os bombardeios, descrevendo operações contra a capital Saná e várias províncias do país. Horas depois, Washington e Londres emitiram um comunicado conjunto confirmando que haviam atingido oito alvos huthi, incluindo um centro de armazenamento subterrâneo e instalações relacionadas às capacidades de mísseis e vigilância aérea do movimento rebelde.
Os ataques foram apresentados como resposta direta aos contínuos assaltos dos huthis contra o tráfego comercial e militar no Mar Vermelho. Segundo o comunicado conjunto, as operações de precisão visavam interromper e degradar as capacidades que permitem aos rebeldes ameaçar o comércio mundial e a vida de marinheiros. A rede de televisão Al Masira, controlada pelos huthis, informou que quatro dos ataques tiveram como alvo a base militar de Al Dailami, ao norte de Saná, uma instalação sob controle rebelde.
A sequência de eventos que levou a esses bombardeios começou em meados de novembro, quando os huthis — um movimento apoiado pelo Irã que também respalda o Hamas palestino — iniciaram uma campanha de ataques contra o que descrevem como navios ligados a Israel no Mar Vermelho. Eles justificam essas operações como ato de solidariedade com os palestinos de Gaza, onde a ofensiva militar israelense causou a morte de pelo menos 25.295 pessoas segundo o Ministério da Saúde do território. Os ataques huthis perturbaram significativamente o tráfego marítimo internacional, levando os Estados Unidos e o Reino Unido a responder com campanhas de bombardeio retaliatório.
Na segunda-feira, o porta-voz huthi Yahya Saree reivindicou um ataque a um navio militar americano, o Ocean Jazz, no Golfo de Aden. Um funcionário de defesa dos EUA negou a alegação, classificando-a como falsa. Essa disputa sobre o que realmente foi atingido reflete a dificuldade em verificar informações em um conflito onde ambos os lados têm incentivos para exagerar sucessos militares ou minimizar perdas.
Os huthis deixaram claro que não pretendem recuar. Reiteraram na segunda-feira que responderão a qualquer novo ataque contra o Iêmen e continuarão impedindo navios israelenses de cruzar o Mar Vermelho e o Golfo de Aden enquanto a guerra em Gaza prosseguir. Desde que os rebeldes expandiram seus alvos, declararam que os interesses americanos e britânicos também são legítimos alvos de suas operações.
Washington, por sua vez, está combinando pressão militar com ações diplomáticas e financeiras. Na semana anterior aos ataques, o governo Biden recolocou os huthis na lista de entidades terroristas, uma designação que havia removido logo após assumir o cargo. Essa mudança de postura reflete a crescente preocupação com as ações do movimento.
O conflito no Iêmen é apenas uma manifestação de uma crise muito mais ampla no Oriente Médio. A guerra em Gaza, desencadeada pelos ataques do Hamas em outubro que mataram cerca de 1.140 pessoas em Israel, criou ondas de choque que se estendem por toda a região. Grupos apoiados pelo Irã no Líbano, Iraque, Síria e Iêmen aumentaram suas atividades, alimentando temores de que o conflito possa evoluir para um confronto regional em larga escala. O padrão de ataques e retaliações que se desenrola no Mar Vermelho é apenas um dos vários pontos de tensão que poderiam acender um conflito muito maior.
Notable Quotes
Responderão a qualquer ataque contra o Iêmen e continuarão impedindo navios israelenses de cruzar o Mar Vermelho até o final da guerra no território palestino— Porta-voz huthi Yahya Saree
Os ataques de precisão visam interromper e degradar as capacidades que os huthis têm para ameaçar o comércio mundial e a vida de marinheiros inocentes— Comunicado conjunto dos EUA e Reino Unido
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que os huthis começaram a atacar navios no Mar Vermelho especificamente em novembro?
Eles dizem que é solidariedade com Gaza. Quando Israel começou sua ofensiva em resposta aos ataques do Hamas em outubro, os huthis — que já apoiavam o Hamas — decidiram agir. Escolheram o Mar Vermelho porque é uma rota comercial vital, e navios que eles associam a Israel passam por lá.
Mas os EUA e Reino Unido não têm nada a ver com Israel diretamente nesse conflito.
Não, mas os huthis agora os veem como cúmplices. Depois que os ataques ocidentais começaram, expandiram a lista de alvos legítimos para incluir interesses americanos e britânicos. É uma escalada típica: você ataca, eles retaliam, você expande quem você considera inimigo.
Qual é o objetivo real dos ataques aéreos americanos e britânicos?
Degradar as capacidades dos huthis — seus mísseis, sua vigilância aérea, seus depósitos. Teoricamente, se conseguirem danificar o suficiente, os huthis não conseguirão mais ameaçar o tráfego marítimo. Mas até agora, os rebeldes continuam atacando.
Os huthis têm capacidade real de prejudicar o comércio global?
Têm. O Mar Vermelho é uma das rotas mais importantes do mundo. Se navios começam a evitar a área ou precisam de proteção militar, isso afeta preços e cadeias de suprimento globalmente. É por isso que Washington e Londres levam tão a sério.
E se isso virar um conflito regional maior?
Aí fica perigoso de verdade. Você tem grupos apoiados pelo Irã em vários países — Líbano, Iraque, Síria, Iêmen — todos potencialmente se movimentando ao mesmo tempo. Um incidente errado poderia acender tudo.