Sob o estandarte ressuscitado da Doutrina Monroe, os Estados Unidos tecem uma nova arquitetura de poder militar nas Américas, com cinco nações latino-americanas já abrindo seus territórios a operações diretas. O que se apresenta como combate ao narcotráfico carrega, nas entrelinhas dos documentos estratégicos, objetivos mais vastos: conter a China e reafirmar a hegemonia hemisférica. O Brasil observa esse movimento de um lugar ambíguo — ainda fora da coalizão, mas com um candidato presidencial que já convida, em inglês, as forças americanas para as águas da Baía de Guanabara.
EUA concentram forças militares nas Américas enquanto Flávio Bolsonaro busca presidência
Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando?
Por que os EUA estão invocando a Doutrina Monroe agora, em 2026? Isso não é coisa do século XIX?
A doutrina nunca saiu de circulação, mas agora tem um adversário claro: a China. Os documentos estratégicos americanos são explícitos — essa concentração de forças é para conter influência chinesa. A Doutrina Monroe é o invólucro histórico para uma competição geopolítica contemporânea.
E por que Flávio Bolsonaro está tão entusiasmado com isso? Ele está apenas sendo pragmático?
Ele está sinalizando alinhamento ideológico e oferecendo o Brasil como parceiro confiável. Aquele comentário sobre a Baía de Guanabara não é casual — é um convite direto para operações americanas em águas brasileiras. É uma mudança de postura em relação à soberania.
Esses 196 mortos nos bombardeios — como isso é justificado?
Não é. O Pentágono não apresentou evidência de que eram criminosos. Há relatos de pescadores entre os mortos. A classificação de narcotraficantes como equivalentes ao Estado Islâmico muda o regime legal — deixa de ser crime organizado e vira terrorismo, o que permite operações muito mais agressivas.
Se Bolsonaro vencer, o Brasil entra nessa coalizão?
Provavelmente sim. E não apenas como membro — como um dos cinco países que autorizam presença militar americana em solo nacional. Isso seria uma mudança estrutural na relação Brasil-EUA.
Qual é o risco aqui?
Perda de controle sobre operações em território nacional, morte de civis sem responsabilização, e a normalização de intervenção militar estrangeira. Os precedentes já existem — 59 bombardeios, 196 mortos, nenhuma comprovação de culpa.
E os outros países da região — como estão reagindo?
Dezessete já aderiram. A maioria está sob governos de direita. Há um padrão político claro aqui. O Brasil seria o maior prêmio geopolítico dessa expansão.
El Pulso
- O Comando Sul americano conduziu 59 bombardeios desde setembro, matando 196 pessoas no Caribe e no Pacífico — sem que o Pentágono tenha apresentado provas de que os alvos eram criminosos, e com relatos de pescadores entre os mortos.
- A Doutrina Monroe foi invocada publicamente pelo Departamento de Estado como justificativa para uma concentração de forças sem precedentes recentes, sinalizando que a retórica imperial voltou ao centro da política externa americana.
- Guatemala, Honduras, Jamaica, Colômbia e Equador já autorizaram o emprego direto de tropas americanas em seus territórios, distinguindo-se dos demais 14 países da coalizão que aderiram sem ceder soberania operacional.
- Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil, comentou publicamente em inglês um vídeo de ataque militar americano, convidando o Pentágono a operar na Baía de Guanabara — uma convocação que, se eleito, pode transformar-se em política de Estado.
- A composição política da coalizão — 17 dos 19 países sob governos de direita — revela que a parceria militar é também uma aliança ideológica, e que o Brasil bolsonarista se encaixaria como peça natural nesse tabuleiro.
Sob o estandarte ressuscitado da Doutrina Monroe, os Estados Unidos tecem uma nova arquitetura de poder militar nas Américas, com cinco nações latino-americanas já abrindo seus territórios a operações diretas. O que se apresenta como combate ao narcotráfico carrega, nas entrelinhas dos documentos estratégicos, objetivos mais vastos: conter a China e reafirmar a hegemonia hemisférica. O Brasil observa esse movimento de um lugar ambíguo — ainda fora da coalizão, mas com um candidato presidencial que já convida, em inglês, as forças americanas para as águas da Baía de Guanabara.
Os Estados Unidos estão redesenhando sua presença militar nas Américas invocando uma doutrina do século XIX, e o Brasil pode ser o próximo capítulo dessa expansão. Cinco países — Guatemala, Honduras, Jamaica, Colômbia e Equador — já autorizaram explicitamente o emprego de forças americanas em seus territórios, como parte de uma coalizão de 19 nações voltada ao combate ao crime organizado. Essa distinção importa: ir além da adesão simbólica e aceitar tropas estrangeiras em solo nacional representa uma cessão concreta de soberania.
O Departamento de Estado tem invocado a Doutrina Monroe para enquadrar essa movimentação, e documentos estratégicos americanos confirmam que os objetivos vão além do narcotráfico: trata-se de conter a influência chinesa e reafirmar a hegemonia americana no hemisfério. O secretário de Defesa Pete Hegseth deixou claro o tom da operação ao advertir que narcotraficantes serão tratados como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.
Na prática, o Comando Sul já conduziu pelo menos 59 bombardeios contra embarcações no Caribe e no Pacífico desde setembro, resultando em 196 mortos. Moradores locais relatam que havia pescadores entre as vítimas. O Pentágono não apresentou evidências de que os alvos eram criminosos.
O Brasil entra nesse cenário pela figura do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência. Foi ele quem entregou em Washington o dossiê que levou o Departamento de Estado a incluir o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas. E foi ele quem, comentando em inglês um vídeo de ataque militar americano, escreveu: 'Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara.' O convite às forças americanas foi explícito.
Se eleito, Bolsonaro sinalizou que o Brasil aderiria à coalizão e potencialmente ao grupo menor de países que aceitam operações diretas em seu território — uma mudança que redefiniria a postura brasileira em relação à autonomia militar construída ao longo de décadas.
Os Estados Unidos estão reorganizando sua presença militar nas Américas sob a invocação de uma doutrina centenária, e o Brasil pode estar no horizonte dessa expansão. Cinco países latino-americanos já abriram as portas para operações militares americanas em seus territórios — Guatemala, Honduras, Jamaica, Colômbia e Equador — como parte de uma coalizão de 19 nações dedicada ao combate ao crime organizado. Esses cinco fazem parte de um grupo ainda menor que autorizou explicitamente o emprego de forças americanas em solo nacional, uma distinção que marca um passo além da simples adesão a uma iniciativa regional.
O Departamento de Estado americano tem invocado a Doutrina Monroe para justificar essa concentração de poder, afirmando que o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado. Em um vídeo recente, o embaixador americano no Panamá apresentou o presidente Trump como o mais recente defensor dessa doutrina histórica. A estratégia não é apenas retórica: documentos de segurança e defesa dos EUA explicitamente preveem a concentração de forças militares nas Américas para conter a influência chinesa e projetar poder na região.
O Brasil entra nesse cenário através de uma figura específica: o senador Flávio Bolsonaro, agora candidato à presidência. Em maio, após Bolsonaro entregar um dossiê em Washington defendendo a designação, o Departamento de Estado incluiu o PCC e o Comando Vermelho em sua lista de organizações terroristas — uma lista que já continha doze grupos da América Latina. Bolsonaro tem sinalizado publicamente sua disposição de aprofundar essa parceria. Em outubro, comentando em inglês um post do secretário de Defesa Pete Hegseth mostrando um ataque a uma embarcação, Bolsonaro escreveu: "Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil de drogas. Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?"
O tom dessa mensagem revela não apenas interesse, mas uma convocação explícita para operações americanas em águas brasileiras. Se eleito, Bolsonaro sinalizou que o Brasil seria incluído na coalizão anti-cartéis e potencialmente no grupo menor de países que aceitam o emprego direto de forças americanas em seu território. Isso representaria uma mudança significativa na postura brasileira em relação à soberania militar.
O que essas operações significam na prática já é visível em outras partes da região. O Comando Sul dos EUA conduziu pelo menos 59 bombardeios desde setembro contra embarcações no Caribe e no Pacífico, provenientes de Venezuela, Colômbia e Equador. Esses ataques deixaram 196 pessoas mortas. Segundo relatos de moradores locais, havia pescadores entre os mortos. O Pentágono não apresentou evidência de que os alvos eram criminosos. O secretário de Defesa Pete Hegseth, em um vídeo divulgado usando uma camiseta da unidade de selva do Exército americano e cercado de militares, advertiu que os narcotraficantes serão tratados como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.
A Colômbia aderiu à coalizão após a posse do presidente Abelardo de la Espriella em 7 de agosto. Do total de 19 países na coalizão, apenas dois não estão sob governos de direita: Guatemala e Bahamas. Essa composição política não é coincidência — reflete uma afinidade ideológica entre os governos participantes e a administração Trump. O Brasil, sob uma possível presidência de Bolsonaro, se encaixaria naturalmente nesse padrão.
O que está em jogo é mais do que tática antidrogas. Os documentos estratégicos americanos deixam claro que a concentração de forças nas Américas serve a objetivos geopolíticos mais amplos: conter a China e reafirmar a hegemonia americana no hemisfério. A Doutrina Monroe, ressuscitada em 2026, não é apenas história — é o marco de uma reconfiguração de poder que pode redefinir a autonomia militar e política do Brasil nos próximos anos.
Citas Notables
Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil de drogas. Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?— Flávio Bolsonaro, em comentário no X em outubro de 2026
Os narcotraficantes serão tratados como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda— Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA