Morcegos evoluíram na Europa há ~65 milhões de anos, logo após asteroide dizimar dinossauros, antes de se espalharem globalmente. Voo e ecolocalização evoluíram cedo, permitindo morcegos caçarem à noite sem competição com aves e predadores diurnos.
Estudo revela que morcegos surgiram na Europa há 65 milhões de anos
Os morcegos são um dos maiores experimentos da evolução
Por que essa descoberta sobre a origem europeia dos morcegos importa? Não é apenas uma questão de curiosidade histórica?
Não. Saber onde e quando os morcegos surgiram nos ajuda a entender como a vida se reorganiza após catástrofes. O asteroide criou um vazio. Os morcegos o preencheram de forma única.
Mas precisamos ser claros: os fósseis mais antigos conhecidos têm 52 milhões de anos. O estudo estima 65 milhões usando genoma. Isso é uma inferência, não uma observação direta.
Verdade. Mas é uma inferência baseada em 103 genomas e 44 fósseis. Não é especulação pura.
E quanto à ecolocalização? O estudo conseguiu determinar se ela evoluiu antes ou depois do voo?
Não. Os fósseis mais antigos já mostram ambas as capacidades. Ainda não temos os "pré-morcegos" que mostrariam qual veio primeiro.
Então há um gap real no registro fóssil. Precisamos de fósseis de transição que ainda não foram encontrados.
Exatamente. É por isso que Teeling diz que precisamos encontrar esses fósseis de transição para responder a pergunta.
E o que torna os morcegos tão especiais biologicamente? Por que vivem tanto e resistem a doenças?
Ainda não sabemos. O estudo abre a porta para investigar a base genética disso. Pode ter aplicações em medicina humana.
Mas isso é prospectivo. O estudo não prova nada sobre envelhecimento humano ainda. É uma possibilidade futura.
Entendo. Então temos uma origem clara, mas ainda muitos mistérios sobre como eles realmente funcionam.
Sim. A evolução dos morcegos é um quebra-cabeça que ainda está sendo montado.
O Pulso
- Morcegos surgiram na Europa há ~65 milhões de anos, logo após extinção dos dinossauros
- Estudo analisou 103 espécies de morcegos (todas as 21 famílias) e 44 fósseis
- Voo e ecolocalização evoluíram cedo, permitindo caça noturna sem competição
- Fósseis mais antigos conhecidos datam de ~52 milhões de anos atrás
- Mais de 1.500 espécies vivem atualmente; representam >20% dos mamíferos
Morcegos evoluíram na Europa há ~65 milhões de anos, logo após asteroide dizimar dinossauros, antes de se espalharem globalmente. Voo e ecolocalização evoluíram cedo, permitindo morcegos caçarem à noite sem competição com aves e predadores diurnos.
Pesquisa combinando genomas e fósseis de morcegos indica que esses mamíferos voadores surgiram na Europa após a extinção dos dinossauros, não na América do Norte ou Ásia como se pensava anteriormente.
Há 65 milhões de anos, logo após um asteroide dizimar os dinossauros, uma linhagem de mamíferos começou a conquistar o ar. Novos estudos combinando análise genômica de alta resolução com registros fósseis indicam que os morcegos surgiram na Europa nesse período crítico, não na América do Norte, Ásia ou África, como cientistas anteriormente supunham. A descoberta reescreve um capítulo fundamental da história evolutiva dos vertebrados.
Os morcegos ocupam um lugar singular na natureza. São os únicos mamíferos a alcançarem o voo motorizado — um feito compartilhado apenas com as aves e os pterossauros extintos entre todos os vertebrados. Hoje, mais de 1.500 espécies vivem em praticamente todos os continentes exceto a Antártida, representando mais de um quinto de todas as espécies de mamíferos do planeta. Apesar dessa abundância e importância ecológica — polinizam plantas, dispersam sementes, controlam populações de insetos — sua origem permanecia um mistério científico.
O estudo, publicado esta semana na revista Nature, reuniu a maior coleção de genomas de morcegos de alta qualidade já compilada, abrangendo 103 espécies que representam todas as 21 famílias reconhecidas. Os pesquisadores integraram esses dados genômicos com análise de 44 fósseis de morcegos para construir uma árvore genealógica completa do grupo. O trabalho foi liderado por pesquisadores como Sonja Vernes, da Universidade de St Andrews, na Escócia, e Emma Teeling, do University College Dublin.
Os dados apontam que os morcegos emergiram na Europa aproximadamente um milhão de anos após o impacto do asteroide de 66 milhões de anos atrás. Esse timing não foi acidental. A extinção em massa que eliminou os dinossauros abriu nichos ecológicos vastos. Os mamíferos, até então pequenos e marginais, começaram a diversificar-se e dominar os ambientes terrestres. Os morcegos, equipados com duas inovações evolutivas revolucionárias — o voo e a ecolocalização — exploram um nicho que nenhum outro mamífero conseguiu ocupar: a noite.
A ecolocalização, um sistema de sonar biológico que emite sons ultrassônicos e interpreta os ecos refletidos, evoluiu cedo na história dos morcegos, provavelmente junto com o voo. Essa capacidade permitiu aos morcegos caçar quando as aves diurnas dormiam, eliminando competição e predação. Como explicou Teeling, a ecolocalização "permitiu que os morcegos se tornassem noturnos, essencialmente, e não competissem com as aves nem fossem predados por aves ativas durante o dia." Vernes acrescentou que essa combinação de habilidades abriu "oportunidades incríveis para ocupar novos nichos ecológicos."
Do ponto de origem europeu, os morcegos se dispersaram rapidamente. Chegaram à África relativamente pouco tempo depois, tornando esses dois continentes um centro da evolução inicial do grupo, segundo a bióloga evolucionista Liliana Davalos, da Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook, outra líder do estudo. De lá, colonizaram o resto do mundo.
Uma questão permanece em aberto: qual inovação evoluiu primeiro, o voo ou a ecolocalização? Os fósseis mais antigos conhecidos, datando de aproximadamente 52 milhões de anos atrás, já mostram ambas as capacidades plenamente desenvolvidas. Os ancestrais imediatos dos morcegos permanecem desconhecidos. Teeling especula que "se pareciam com musaranhos-arborícolas começando a desenvolver dedos longos," mas admite que é apenas uma conjectura. Para responder definitivamente, os cientistas precisariam encontrar fósseis de transição ainda mais antigos.
Além de sua história evolutiva notável, os morcegos apresentam características biológicas que intrigam pesquisadores. Muitas espécies demonstram resistência notável a doenças e vivem vidas excepcionalmente longas para seu tamanho. O estudo estabelece as bases para investigar a base genética dessas propriedades, com potencial aplicação em pesquisa humana sobre envelhecimento, imunidade e resistência a doenças. A diversidade moderna dos morcegos é impressionante: o maior, o morcego-raposa-dourado-gigante das Filipinas, tem envergadura de 1,7 metros; o menor, o morcego-abelha da Tailândia e Myanmar, mede cerca de 13 centímetros. Suas dietas variam desde insetos até frutas, néctar, peixes e, no caso dos morcegos-vampiros, sangue. Como resumiu Vernes, "os morcegos nos surpreendem constantemente. Eles são um dos maiores experimentos da evolução."
Citações Notáveis
A capacidade de voar e usar a ecolocalização abre oportunidades incríveis para ocupar novos nichos ecológicos — como caçar à noite, quando há menos competição e menos predadores— Sonja Vernes, Universidade de St Andrews
A ecolocalização permitiu que os morcegos se tornassem noturnos, essencialmente, e não competissem com as aves nem fossem predados por aves diurnas— Emma Teeling, University College Dublin