Universitários do último período de Direito foram convidados a refletir criticamente sobre desafios da democracia digital e construir soluções colaborativas durante o Canvas de Políticas Públicas. As propostas abordam uso adequado de tecnologias no processo eleitoral, circulação de informações e fortalecimento da participação cidadã, com destaque para necessidade de legislação atualizada contra desinformação.
Estudantes de Direito criam soluções sobre democracia digital em Manaus
A legislação ainda está desatualizada em relação às punições
Por que levar estudantes de Direito especificamente para pensar sobre democracia digital? Não seria mais natural convocar especialistas em tecnologia?
Porque a lei é onde essas questões se materializam. Um estudante de Direito está aprendendo a pensar sobre direitos, responsabilidades, limites. Quando você coloca essa formação em diálogo com a realidade das redes sociais e da desinformação, algo clica.
E o que os estudantes trouxeram que um painel de especialistas não teria trazido?
Eles nomearam o vazio. Adrielle falou sobre legislação desatualizada não como uma abstração, mas como um problema real que ela vê acontecendo. Não é teoria — é frustração com a realidade.
Essas propostas vão realmente chegar a quem pode implementá-las?
Vão para um Caderno de Soluções que é entregue a autoridades e instituições. Não é garantia de implementação, mas é um documento que existe, que circula, que fica como legado. É mais do que muitos processos participativos conseguem.
O que você acha que falta ainda nessa conversa sobre democracia digital?
Talvez a conversa sobre quem lucra com a desinformação. As soluções precisam enfrentar não só a falta de legislação, mas os incentivos econômicos que mantêm o problema vivo.
E os jovens estão prontos para essa conversa?
Estão vivendo ela. São nativos digitais que veem a desinformação de perto. O que falta é dar a eles espaço e ferramentas para transformar observação em ação.
El Pulso
- Canvas de Políticas Públicas realizado em 24 de julho de 2026 em Manaus
- Estudantes do último período de Direito participaram da atividade
- Propostas integram o Caderno de Soluções do Amazônia Que Eu Quero 2026
- Projeto percorreu capitais onde o Grupo Rede Amazônica está presente
Universitários do último período de Direito foram convidados a refletir criticamente sobre desafios da democracia digital e construir soluções colaborativas durante o Canvas de Políticas Públicas. As propostas abordam uso adequado de tecnologias no processo eleitoral, circulação de informações e fortalecimento da participação cidadã, com destaque para necessidade de legislação atualizada contra desinformação.
Estudantes de Direito em Manaus participaram de workshop colaborativo para desenvolver propostas sobre democracia na era digital, tecnologia eleitoral e combate à desinformação que integrarão o Caderno de Soluções do projeto Amazônia Que Eu Quero 2026.
Na manhã de sexta-feira, 24 de julho, o estande do Grupo Rede Amazônica durante o DSX 2026 em Manaus recebeu um grupo de estudantes de Direito para uma tarefa que transcendia a sala de aula: transformar reflexões sobre democracia digital em propostas concretas de política pública. A atividade, chamada Canvas de Políticas Públicas, dava continuidade ao painel sobre democracia na era digital que havia ocorrido no dia anterior, agora convidando os universitários do último período do curso a trabalhar em grupos e construir soluções colaborativas.
O desafio proposto era específico: pensar criticamente sobre como as novas tecnologias moldam o processo eleitoral, como a informação circula nas redes sociais e de que forma a participação cidadã pode ser fortalecida neste contexto. Helso Ribeiro, cientista político que acompanhou a atividade como um dos painelistas da etapa amazonense do projeto Amazônia Que Eu Quero 2026, via no exercício uma oportunidade de estimular reflexão profunda sobre o papel da tecnologia na sociedade. Para ele, a discussão sobre o uso adequado das ferramentas digitais vai além do curso de Direito — é uma competência essencial para qualquer pessoa, especialmente para aprender a filtrar informações em um mundo saturado de conteúdo. "As redes sociais são instrumentos fantásticos, desde que bem utilizados", observou.
Entre anotações e debates, os estudantes começaram a desenhar suas próprias percepções sobre o tema. Adrielle Frutuoso, uma das acadêmicas participantes, identificou uma tensão central: enquanto a tecnologia trouxe benefícios inegáveis, a legislação não acompanhou o ritmo das transformações. A desinformação, alimentada por ferramentas digitais mal utilizadas, encontra um vazio regulatório. "Com o avanço da tecnologia, de um lado ela cresceu muito. Porém, do outro, a legislação ainda está desatualizada em relação às punições para a forma como muitas pessoas utilizam essas ferramentas para espalhar a desinformação", disse ela, nomeando um problema que vai além da Amazônia.
As propostas desenvolvidas durante a manhã não desapareceriam em um relatório esquecido. Elas passariam a integrar o Caderno de Soluções do Amazônia Que Eu Quero 2026, um documento que reúne as contribuições construídas ao longo do projeto e será entregue a autoridades e instituições como legado da edição. Segundo Ruthiene Bindá, coordenadora do projeto, todas as propostas são analisadas e consolidadas antes de entrarem no documento final. "Essas propostas são analisadas e compiladas. Elas compõem o Caderno de Soluções, elaborado anualmente como legado da edição. Esse documento reúne aquilo que os amazônidas querem para o futuro."
A atividade marcou o encerramento da programação do Amazônia Que Eu Quero 2026, um projeto que ao longo do ano percorreu as capitais onde o Grupo Rede Amazônica está presente. Criado em 2019 como iniciativa da Fundação Rede Amazônica e do Grupo Rede Amazônica, o projeto promove educação política, incentiva diálogo entre diferentes setores da sociedade e estimula a construção de soluções para desafios regionais. Este ano, o foco foi precisamente em democracia na era digital e no uso das novas tecnologias no processo eleitoral. O que começou como um painel de discussão se transformou em propostas concretas que agora seguem para as mãos de quem pode implementá-las — um caminho que coloca jovens no centro da construção de futuro.
Citas Notables
As redes sociais são instrumentos fantásticos, desde que bem utilizados— Helso Ribeiro, cientista político
A legislação ainda está desatualizada em relação às punições para a forma como muitas pessoas utilizam essas ferramentas para espalhar a desinformação— Adrielle Frutuoso, estudante de Direito