Após a derrota da Argentina para o Brasil na final da Copa do Mundo de 2026, estudantes brasileiros residentes em Buenos Aires passaram a viver sob uma sombra de ameaças coordenadas — ameaças de morte, insultos racistas e listas com seus nomes circulando nas redes sociais. O estopim foi uma transmissão da emissora Crónica TV, que exibiu imagens de brasileiros comemorando e expôs identidades de usuários, transformando a alegria esportiva em alvo. É um episódio que nos lembra como o fervor coletivo pode, quando mal conduzido, atravessar a fronteira entre paixão e perseguição.
Estudante brasileira desativa redes sociais após onda de ameaças na Argentina
Não posso deixar que esse sentimento me domine porque preciso continuar
Por que um programa de TV teria exposto nomes de pessoas comemorando um resultado de futebol?
Porque transformou uma celebração em um alvo. Ao exibir ao vivo e nomear quem estava comemorando, a emissora criou um mapa para quem quisesse se vingar. Não foi acidental.
E a planilha com nomes e faculdades — quem fez isso?
Não está claro quem começou, mas alguém organizou aquilo e compartilhou. Virou uma ferramenta de coordenação. Emails foram enviados às faculdades pedindo punições. Um hospital foi pressionado a excluir uma estudante. Era sistemático.
A estudante que falou com você — ela realmente não havia feito nada além de acompanhar o que estava acontecendo?
Exatamente. Ela nem publicou sobre a partida. Mas estava vendo colegas sendo perseguidos, e aquilo a deixou com medo de sair de casa. O medo é contagioso.
Por que ela não saiu da Argentina?
Porque está no meio de um curso de medicina. Deixar significaria abandonar seis anos de vida construída lá. O medo não era maior que o compromisso com seu futuro.
Ela acredita que isso representa a Argentina como um todo?
Não. Foi bem clara: é um grupo pequeno, mas muito barulhento. Ela não quer que as ações de alguns definam um país inteiro.
E agora? O que acontece depois?
Ela vai registrar as ameaças na polícia, procurar a embaixada, talvez processar a emissora. Mas primeiro, precisa aprender a sair de casa novamente.
Der Puls
- Uma emissora argentina exibiu ao vivo rostos e nomes de brasileiros comemorando a vitória, acendendo uma campanha de intimidação que rapidamente ganhou escala nas redes sociais.
- Ameaças de morte, mensagens racistas e até a foto de uma arma foram enviadas a estudantes brasileiras — algumas tiveram suas contas derrubadas e seus nomes inseridos em planilhas de exposição pública.
- A pressão chegou às instituições: emails foram enviados a faculdades de medicina pedindo punições, e um hospital foi pressionado a excluir uma brasileira de seu programa de residência.
- Encontros da comunidade brasileira foram cancelados, estudantes passaram a evitar a faculdade e ao menos uma delas desativou todas as suas redes sociais por medo de sair às ruas.
- As vítimas planejam registrar boletins de ocorrência, acionar a Embaixada do Brasil e avaliar processos judiciais contra a emissora — mas afirmam que não pretendem abandonar o país antes de concluir seus estudos.
Após a derrota da Argentina para o Brasil na final da Copa do Mundo de 2026, estudantes brasileiros residentes em Buenos Aires passaram a viver sob uma sombra de ameaças coordenadas — ameaças de morte, insultos racistas e listas com seus nomes circulando nas redes sociais. O estopim foi uma transmissão da emissora Crónica TV, que exibiu imagens de brasileiros comemorando e expôs identidades de usuários, transformando a alegria esportiva em alvo. É um episódio que nos lembra como o fervor coletivo pode, quando mal conduzido, atravessar a fronteira entre paixão e perseguição.
Uma estudante de medicina brasileira que vive em Buenos Aires há seis anos desativou suas redes sociais esta semana — não por cansaço, mas por medo. Depois que o Brasil derrotou a Argentina na final da Copa do Mundo de 2026, uma onda de ameaças de morte começou a circular contra brasileiros que vivem no país.
O estopim foi a emissora Crónica TV, que transmitiu ao vivo imagens de brasileiros comemorando e expôs nomes de usuários nas redes sociais. O efeito foi imediato: uma brasileira que havia comemorado recebeu ofensas racistas, ameaças explícitas de morte e até a foto de uma arma de fogo. Suas contas foram derrubadas. Ela não estava sozinha — uma planilha com nomes e faculdades de estudantes brasileiros começou a circular, emails foram enviados às instituições pedindo punições, e um hospital chegou a ser pressionado a excluir uma brasileira de seu programa de residência.
A rotina de toda uma comunidade foi abalada. Encontros foram cancelados por segurança, e estudantes passaram a evitar a faculdade. Uma das afetadas descreveu a sensação como uma injustiça imensa: ser perseguida apenas por torcer para outra seleção, sem qualquer desrespeito envolvido. Mesmo sem ter feito publicações sobre a partida, ela sentia medo ao ver colegas sendo atacados.
Ainda assim, ela foi precisa ao contextualizar: tratava-se de um grupo pequeno, mas muito barulhento — não da Argentina inteira. E apesar do medo, sua decisão era firme: registrar as ameaças na polícia, acionar a Embaixada do Brasil e avaliar ações judiciais contra a emissora. Mas deixar o país antes de concluir a medicina? Isso, não.
Uma estudante de medicina brasileira que vive em Buenos Aires há seis anos desativou suas redes sociais esta semana. Não era por cansaço ou desejo de desconexão — era por medo. Após a final da Copa do Mundo de 2026, quando o Brasil derrotou a Argentina, uma onda de ameaças de morte começou a circular contra brasileiros que vivem no país, e ela decidiu que acompanhar aquele ódio a deixava com muito medo de sair na rua.
Tudo começou quando a emissora argentina Crónica TV exibiu, ao vivo, imagens de brasileiros comemorando o resultado da partida. O programa foi além: expôs nomes de usuários nas redes sociais. Aquilo funcionou como um mapa. Após a transmissão, uma brasileira que havia comemorado recebeu ofensas racistas, ameaças explícitas de morte e mensagens dizendo que seria encontrada nas ruas. Um dos remetentes enviou a foto de uma arma de fogo. Suas redes sociais foram derrubadas.
Mas ela não estava sozinha. Estudantes brasileiros em Buenos Aires começaram a relatar um padrão coordenado de intimidação. Alguém havia criado uma planilha com nomes completos e faculdades de estudantes brasileiros e a compartilhava nas redes sociais. Emails foram enviados às faculdades de medicina pedindo punições contra os brasileiros. Um hospital foi pressionado a excluir uma brasileira de seu programa de residência — seu crime havia sido torcer para a Espanha. Em uma das publicações na rede social X, um usuário chamou estudantes brasileiros de "macacos". Havia também comentários dizendo que os brasileiros eram obrigados a torcer pela Argentina porque estudavam lá.
A rotina de toda uma comunidade foi alterada. Estudantes começaram a evitar frequentar a faculdade. Encontros da comunidade brasileira foram cancelados por questões de segurança. A estudante que falou com a reportagem descreveu a sensação como injustiça imensa. "É terrível ver alguém ser perseguido apenas por ter torcido para outra seleção, sem qualquer desrespeito", disse ela. Mesmo não tendo feito publicações sobre a partida, sentia medo ao acompanhar a situação de colegas sendo atacados.
Ela foi clara sobre uma coisa: isso não representava a Argentina inteira. "É um grupo pequeno, mas muito barulhento", afirmou. Ainda assim, o medo era real o suficiente para fazer com que desativasse suas contas. "Decidi desativar porque acompanhar essa onda de ódio estava me deixando com muito medo de sair na rua. Não posso deixar que esse sentimento me domine porque preciso continuar indo à faculdade e seguindo minha rotina."
A brasileira que recebeu as ameaças de morte planejava registrar tudo na polícia, procurar a Embaixada do Brasil em Buenos Aires e avaliar ações judiciais contra a emissora. Mas tinha deixado claro que não pretendia deixar a Argentina antes de concluir seu curso de medicina. O medo não era maior que o compromisso com seu futuro.
Bemerkenswerte Zitate
Os estudantes estão recebendo ameaça de morte. Fizeram uma planilha com o nome completo e faculdade de cada um e estão enviando emails às faculdades de medicina pedindo punições contra os estudantes brasileiros.— Estudante brasileira de medicina em Buenos Aires
É importante dizer que esse é um grupo pequeno, mas muito barulhento, e que não representa a maioria do povo argentino.— Estudante brasileira de medicina em Buenos Aires