Esquerda internacional adota o 'L' e a estratégia digital de Janones após a reeleição de Lula

"Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue"
Pedro Sánchez, em comício em Gijón, disse que vai se inspirar na reeleição de Lula.
Mark

O que chama atenção é que um gesto, o "L", virou símbolo fora do Brasil. Por que isso importa?

Mimi

Porque mostra a vitória de Lula sendo usada como referência. Colau fez o gesto em Madrid, Sheinbaum fez ao parabenizá-lo, e apoiadores de Mélenchon criaram uma variação com o "M".

Mark

E o método em si, qual é?

Mimi

Grupos de WhatsApp. O "Exército do Lula" passou de 10 milhões de pessoas antes do segundo turno. Na França há um canal com mais de 46 mil, na Argentina outro com mais de 40 mil.

Luke

Vale separar as coisas. Os números dos grupos estrangeiros são de adesão, não de resultado. Nada na reportagem mostra que esses canais mobilizem votos.

Mark

Sánchez chegou a convidar Janones, não?

Mimi

Sim, convidou para colaborar na campanha. Sheinbaum também o chamou para uma visita de trabalho.

Luke

Mas a equipe de Janones não confirmou se o convite de Sánchez foi aceito. Então há convite, não parceria confirmada.

Mark

E a frase "Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue"?

Luke

É uma declaração política, não uma evidência de que o método se transfere. Os contextos são bem diferentes.

Mimi

Os testes virão logo: eleições na Espanha e nos EUA no próximo mês, e na França em abril, onde Le Pen aparece com cerca de 35% e Mélenchon com 16%, segundo a Reuters.

  • Lula acabou de se reeleger e líderes de esquerda na Espanha, no México e na França já falam em repetir a fórmula antes que o embalo esfrie.
  • Grupos de WhatsApp como o "Exército do Lula", com mais de 10 milhões de integrantes, viraram a principal arma copiada por ativistas do mundo todo.
  • Na França, o canal de apoio a Mélenchon já reúne mais de 46 mil pessoas, e os vídeos no TikTok com o gesto do "L" transformado em "M" mostram a estratégia ganhando forma.
  • A corrida das próximas eleições pesa: a disputa francesa de abril de 2027 e as eleições legislativas espanholas e americanas no mês que vem serão os primeiros testes reais dessa importação.
  • Janones, convidado por Sánchez e Sheinbaum, ainda não definiu se vai colaborar, e a aposta de que o método funcione fora do Brasil segue em aberto.

Quando as urnas brasileiras confirmaram Lula pela quarta vez, o resultado ecoou muito além do Planalto: no mesmo dia, líderes de esquerda da Espanha, do México e da França passaram a olhar para o Brasil como exemplo de como enfrentar a onda conservadora que cresce na América Latina e na Europa. O que se importa agora não é apenas uma vitória eleitoral, mas um jeito de organizar gente, feito de grupos de mensagens, gestos compartilhados e vídeos caseiros, tecido pelo deputado André Janones. Trata-se de uma tentativa de transformar a energia de uma campanha em método, sob a pergunta que atravessa a política de hoje: é possível manter a mobilização popular viva fora dos palanques?

Poucas horas antes de o resultado do segundo turno ser conhecido, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau pediu a uma plateia em Madrid que levantasse o braço com o "L" de Lula. O gesto, feito com o indicador e o polegar, ficou no ar enquanto ela falava em esperança e na Frente Ampla. Era um sinal de que a vitória brasileira já atravessava fronteiras.

O premiê espanhol Pedro Sánchez parabenizou o petista e disse que vai se inspirar nela para frear a direita nas eleições gerais do próximo mês. Ele também convidou André Janones para colaborar com sua campanha, e a equipe do deputado ainda não respondeu. No México, a presidente Claudia Sheinbaum fez o mesmo gesto e convidou Janones para uma visita de trabalho.

O método que mais se espalha são os grupos de WhatsApp, como o "Exército do Lula", que ultrapassou 10 milhões de integrantes às vésperas da votação. Na França, o deputado Antoine Leaument criou um canal de apoio a Jean-Luc Mélenchon com mais de 46 mil pessoas, e apoiadores gravam vídeos em que o "L" vira "M". Na Argentina, o "Exército do Peronismo" nasceu inspirado no brasileiro e se opõe à reeleição de Milei.

Nos Estados Unidos, a influenciadora Jess Craven publicou um vídeo perguntando o que o país pode aprender com o Brasil, e ele já passou de meio milhão de visualizações. Os próximos testes serão as eleições de meio de mandato americanas, as legislativas espanholas e a disputa francesa de abril.

Poucas horas antes de o resultado do segundo turno ser conhecido, no domingo (25), a catalã Ada Colau subiu ao palco de um comício da Frente Ampla, em Madrid, e fez um pedido à plateia: que todos levantassem o braço com o "L" de Lula. Ex-prefeita de Barcelona e líder da coalizão de esquerda na Espanha, ela repetiu o gesto que apoiadores do presidente fizeram durante a campanha que o elegeu pela quarta vez. O "L", feito com o indicador e o polegar, ficou no ar enquanto ela falava em esperança, em Palestina livre, em Lula no Brasil e na Frente Ampla no dia 29 de novembro.

O episódio é um exemplo de como a reeleição de Lula deu novo fôlego à esquerda internacional. O premiê espanhol, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol, parabenizou o petista e disse que vai se inspirar na vitória para frear o avanço dos partidos de direita nas eleições gerais do próximo mês. "Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue", afirmou, durante comício em Gijón, no norte do país. Sánchez também convidou o deputado André Janones (Rede-MG) para colaborar com a estratégia de sua campanha pela reeleição. A equipe do parlamentar ainda não disse se aceitou.

No México, a presidente Claudia Sheinbaum convidou oficialmente Janones para uma visita de trabalho, com o objetivo de coordenar ações para consolidar a esquerda no país. Ao cumprimentar Lula, ela também fez o "L" com os dedos e chamou a vitória de "uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe".

Desde domingo, ativistas e candidatos de esquerda de vários países tratam a estratégia digital de Janones como uma espécie de fórmula contra a direita e a ultradireita, que avançam na América Latina e na Europa. O método mais copiado até agora são os grupos de WhatsApp como o "Exército do Lula", que passou de 10 milhões de integrantes às vésperas do segundo turno.

Na França, iniciativas parecidas já surgiram. O canal "L'équipe de Mélenchon officielle" reúne mais de 46 mil pessoas em apoio à candidatura de Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, à presidência em 2027. A convocação partiu do deputado Antoine Leaument, que citou a experiência brasileira em vídeo nas redes: "Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione". Apoiadores de Mélenchon gravaram vídeos no TikTok em que fazem o "L" e depois viram as mãos para baixo até formar um "M". No sábado (24), o próprio Mélenchon declarou apoio a Lula no Instagram, dizendo que a vitória dele seria "a vitória do povo contra o império americano".

A eleição francesa, em abril, parece caminhar para uma disputa de extremos. Segundo a Reuters, Marine Le Pen, do Reunião Nacional, lidera as intenções de voto com cerca de 35%, e Mélenchon, do França Insubmissa, marca 16%. Emmanuel Macron não pode concorrer.

Na América Latina, a guinada à direita ganhou reforço este ano com as eleições de Keiko Fujimori, no Peru, e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia; Javier Milei e Santiago Peña governam Argentina e Paraguai desde 2023. Os argentinos criaram o "Exército do Peronismo", canal de WhatsApp com mais de 40 mil inscritos, que se descreve como inspirado no "Exército do Lula" e se opõe à reeleição de Milei em 2027.

Nos Estados Unidos, ativistas difundem o método do deputado mineiro para fortalecer o Partido Democrata nas eleições de meio de mandato do próximo mês, vistas como cruciais para contrabalançar Donald Trump. A influenciadora política Jess Craven publicou o vídeo "O que podemos aprender com o Brasil?", repostado por Janones e com quase 500 mil visualizações no Instagram. Ela diz que a mobilização por Lula traz dicas que ativistas pró-democracia precisam levar para o coração. Os próximos testes serão as eleições americanas e espanholas do próximo mês e a disputa francesa de abril.

Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue.
— Pedro Sánchez, premiê da Espanha
É uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe.
— Claudia Sheinbaum, presidente do México
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