Espanha mobiliza 60 militares em Ceuta após chegada em massa de imigrantes marroquinos

Milhares de jovens migrantes atravessaram o mar em condições perigosas, com alguns passando mal durante a travessia, buscando entrada irregular no território espanhol.
Diante do mar de pessoas, agentes desistiram de intervir
A cena na costa de Ceuta quando milhares de migrantes chegaram simultaneamente a nado.
Mark

Por que exatamente uma decisão judicial três semanas antes desencadeou isso tudo agora?

Mimi

A proibição de devoluções sumárias criou uma abertura. Antes, a Espanha podia interceptar e devolver rapidamente. Agora, quem chega tem direito a um processo. As redes de tráfico viram a oportunidade e começaram a recrutar e organizar travessias em massa.

Mark

Mas por que tantos jovens responderam ao mesmo tempo? Isso foi coordenado?

Mimi

Provavelmente sim, em parte. As redes têm incentivos financeiros. Mas também há um efeito de rede — uma vez que alguns conseguem, outros veem nas redes sociais e tentam. Vídeos de pessoas celebrando na costa circulam, e isso alimenta mais tentativas.

Mark

O que acontece com essas pessoas agora que chegaram?

Mimi

Teoricamente, Espanha e Marrocos se comprometeram a devolvê-las. Mas há um processo legal agora. Elas não podem ser simplesmente colocadas de volta em um barco. Isso é exatamente o que a decisão judicial mudou.

Mark

E Ceuta? Como uma cidade pequena absorve isso?

Mimi

Não absorve. O centro de acolhimento já estava no limite antes de quinta-feira. Agora tem dois ou três mil pessoas extras. Por isso o prefeito pediu estado de emergência e o governo enviou militares.

Mark

Isso vai resolver o problema?

Mimi

Militares podem controlar a multidão, mas não resolvem a questão de fundo: por que essas pessoas arriscam suas vidas atravessando o mar. Enquanto a Europa for vista como oportunidade e as redes de tráfico lucrarem, haverá mais tentativas.

  • Entre 2 e 3 mil jovens marroquinos chegaram a nado em Ceuta na quinta-feira
  • Supremo Tribunal espanhol proibiu devoluções sumárias de migrantes há três semanas
  • Espanha mobilizou 60 militares, três pelotões, unidade de mergulho e embarcação
  • Mais de 1,5 mil migrantes já haviam chegado na semana anterior

Entre 2 e 3 mil jovens marroquinos chegaram a nado em Ceuta nesta quinta-feira, sobrecarregando as forças de segurança locais e levando o governo a mobilizar tropas. Uma decisão do Supremo Tribunal espanhol há três semanas proibiu devoluções sumárias de migrantes, o que teria incentivado redes de tráfico a explorar a brecha legal.

Espanha enviará 60 militares para Ceuta após milhares de imigrantes marroquinos atravessarem o mar a nado. O governo coordena com Marrocos para conter entrada irregular em meio a decisão judicial que proibiu devoluções sumárias.

Na manhã de quinta-feira, entre dois e três mil jovens marroquinos entraram a nado em Ceuta, o enclave espanhol no norte da África, em uma travessia que deixou as autoridades locais completamente sobrecarregadas. Por volta do meio-dia, a costa do quebra-mar de Tarajal virou um mar de corpos — alguns nadando, outros flutuando com boias, alguns a bordo de lanchas da Guarda Costeira que tentava prestar assistência. Havia gente passando mal na água. Diante da multidão avançando em conjunto, com roupas encharcadas, os agentes da Guarda Civil desistiram de intervir e apenas observaram. Alguns dos que chegavam gritavam "Viva a Espanha" ao pisar no território.

O governo espanhol respondeu na mesma quinta-feira anunciando o envio de 60 militares para reforçar a polícia local. Três pelotões de vinte homens cada, uma unidade de mergulho e uma embarcação militar chegariam até sexta-feira. As unidades especiais de intervenção da polícia também seriam expandidas para duzentos agentes. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska Gómez, afirmou que as forças armadas reforçariam a guarda civil no exercício de seus poderes para manter a segurança na cidade. Ele viajaria pessoalmente para Ceuta na sexta-feira para se reunir com autoridades locais e chefes de segurança.

O que desencadeou essa chegada em massa foi uma decisão do Supremo Tribunal espanhol tomada três semanas antes, que proibiu a devolução sumária de migrantes interceptados no mar que tentassem nadar até Ceuta e Melilla. O governo atribuiu o aumento do fluxo migratório a redes de tráfico de pessoas que estariam explorando essa brecha legal, incentivando jovens a tentar entrar de forma irregular. Ceuta, uma cidade autônoma espanhola situada em território africano frente ao Estreito de Gibraltar, representa junto com Melilla a única fronteira terrestre da União Europeia com a África — e ambas enfrentam periodicamente ondas de tentativas de travessia.

A pressão sobre a cidade já vinha crescendo há dias. Na semana anterior ao grande fluxo de quinta-feira, mais de mil e quinhentos imigrantes já haviam chegado a Ceuta. O centro de acolhimento estava saturado: na quarta-feira, mais de quatrocentas pessoas aguardavam admissão enquanto todas as quinhentas e doze vagas disponíveis já estavam preenchidas, com alguns adicionais além da capacidade. O prefeito, Juan Jesus Vivas, havia pedido ao governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez para declarar estado de emergência e solicitado ajuda do Exército.

Em resposta à crise, Espanha e Marrocos emitiram um comunicado conjunto na quinta-feira comprometendo-se a revisar e implementar medidas para o retorno imediato de todos aqueles que entrassem ilegalmente em Ceuta, além de concordarem em reforçar a coordenação e os esforços para lidar com a situação migratória. O governo espanhol também afirmou estar coordenando ações entre vários ministérios para reforçar o controle de fronteiras e fornecer assistência humanitária. O ministério do Interior agradeceu às autoridades marroquinas pelos esforços de suas forças de segurança nos dias anteriores, que segundo o governo espanhol haviam impedido milhares de tentativas de migração irregular. Mas a questão permanecia: como conter um fluxo que explorava uma brecha legal e contava com redes organizadas dispostas a lucrar com o desespero de jovens buscando chegar à Europa.

As forças armadas vão reforçar a guarda civil no exercício de seus poderes para manter a segurança na cidade de Ceuta
— Fernando Grande-Marlaska Gómez, ministro do Interior da Espanha
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